A indústria automobilística já não depende apenas de fabricar carros. As montadoras vêm direcionando cada vez mais investimentos para áreas como software e inteligência artificial, e os táxis-robô se tornaram um eixo importante dessa virada.
Embora a regulamentação da condução autônoma ainda esteja em estágios diferentes de aprovação ao redor do mundo, diversos fabricantes enxergam essa tecnologia como uma das próximas grandes transformações do setor - e a Xpeng está entre eles.
Com isso, a marca chinesa passa a integrar o grupo de empresas que avançaram para a produção de táxis-robô, no qual também aparecem nomes como a Tesla. A diferença é que o modelo da Xpeng abriu mão de um componente que rivais tratam como essencial.
Sem LiDAR
O táxi-robô da Xpeng se destaca por apostar em uma arquitetura baseada apenas em visão computacional, deixando de lado o LiDAR e também os mapas de alta definição.
No lugar dessa abordagem, o veículo autônomo utiliza o modelo VLA 2.0 - tecnologia que a Razão Automóvel já colocou à prova nas ruas de Pequim e sobre a qual você poderá ver mais detalhes em breve no nosso canal do YouTube.
Desenvolvido internamente, o sistema corta etapas intermediárias de processamento e baixa a latência de resposta para menos de 80 milissegundos. Segundo a montadora, esse caminho torna o conjunto mais flexível para diferentes cenários urbanos e facilita a escalabilidade para novos mercados.
Na prática, a Xpeng se junta a um número crescente de marcas que vêm abandonando soluções com LiDAR em favor de sensores e câmeras que, apoiados por inteligência artificial, entregam as mesmas funções - só que com custos menores.
Produção em série em Guangzhou e potência de IA
O início da produção em série ocorreu em Guangzhou, na China, e marca a primeira vez que uma montadora chinesa atinge esse patamar com um veículo desenvolvido integralmente com tecnologia própria. A bordo, quatro chips de inteligência artificial criados pela própria Xpeng garantem 3000 TOPS de capacidade computacional, um dos números mais altos do setor.
Experiência premium na cabine
Por dentro, o projeto foi pensado para oferecer uma experiência de transporte premium: bancos com função de gravidade zero, vidros com privacidade reforçada e telas traseiras de entretenimento, com controle por voz integrado.
Calendário ambicioso
No começo deste ano, a Xpeng obteve autorização para realizar testes em vias públicas com condução autônoma de nível L4 em Guangzhou. Em março, a empresa montou uma unidade de negócios voltada exclusivamente ao táxi-robô, encarregada de desenvolvimento, testes e operação comercial.
A marca pretende começar operações-piloto ainda no segundo semestre deste ano e chegar à operação totalmente autônoma - sem operador de segurança a bordo - no início de 2027.
Ecossistema de IA física e parcerias
Para acelerar a expansão do ecossistema, a Xpeng vai disponibilizar o SDK (kit de desenvolvimento) da sua plataforma para parceiros externos. A Amap, um dos principais aplicativos de navegação da China, é o primeiro parceiro global confirmado.
O táxi-robô não é um esforço isolado. Ele faz parte do ecossistema de inteligência artificial física da Xpeng e compartilha a mesma base tecnológica do robô humanoide IRON e do veículo de mobilidade aérea desenvolvido pela Aridge, empresa do mesmo grupo.
Com sensores e câmeras fazem o mesmo que faziam com o LiDAR e com menores custos.
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