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Relatório da Comissão Europeia: híbridos plug-in emitem 350% mais CO2 no mundo real que no WLTP

Carro esportivo elétrico verde metálico exposição em ambiente interno iluminado.

Segundo um relatório da Comissão Europeia (CE), os híbridos plug-in emitem 350% mais CO2 no “mundo real” do que indicam os valores homologados no ciclo WLTP.

Os híbridos plug-in não foram os únicos analisados. O documento também inclui veículos somente a gasolina ou a diesel, embora, nesses casos, as diferenças sejam bem menores: 23,7% e 18,1%, respectivamente.

As informações usadas no relatório vêm de uma amostra de 600 mil automóveis (de um total de 988 231 veículos monitorados) e se referem a 2021 - o ano em que os dispositivos de monitoramento do consumo de combustível passaram a ser obrigatórios em todos os novos veículos leves de passageiros e de carga vendidos na União Europeia (UE) que utilizam combustíveis líquidos.

Esses dispositivos registram não apenas o consumo de combustível, mas também a distância percorrida. Com esse apoio, a UE consegue ter uma visão mais concreta da discrepância entre o que é medido no WLTP e o que acontece no uso real.

Vamos aos números

No caso dos híbridos plug-in, a diferença é enorme: as emissões oficiais de CO2 dos modelos considerados, segundo o ciclo combinado WLTP, ficam em 40 g/km (39,6 g/km exatos), mas os dados coletados apontam para um valor quase 100 g/km acima, de 139,4 g/km. Na prática, essa distância equivale a um aumento no consumo de combustível de quatro litros a cada 100 km.

Esse resultado está alinhado a estimativas já divulgadas por outras organizações, como o International Council on Clean Transportation (Conselho Internacional da Mobilidade Limpa), que em seus estudos concluiu que “o consumo real de combustível dos plug-in na Europa é três a cinco vezes maior do que os valores de aprovação WLTP.”

Já nos veículos a gasolina e a diesel, a variação nas emissões de CO2 é de 35 g/km e 28 g/km, respectivamente - o que corresponde a 1,5 litros de combustível a mais a cada 100 km em comparação com os dados oficiais.

Qualidade dos dados “bastante pobres”

Apesar disso, a CE ressalta a qualidade “bastante pobre” dos dados, já que há uma variação grande no volume de informações entregues por diferentes fabricantes. A JLR enviou dados de 43% da sua frota, enquanto Mercedes-Benz e Volvo enviaram apenas 27% e 24%, respectivamente. Ainda assim, a maior parte das demais marcas remeteu somente 5% ou menos.

Depois de processar todos os híbridos plug-in, o conjunto de dados efetivamente usado no relatório ficou concentrado principalmente em Mercedes-Benz (39%), Volvo (19%) e Ford (16%).

“Embora estes primeiros dados não sejam amplos ou representativos o suficiente para puderem ser tiradas conclusões firmes, estes fornecem informações preliminares valiosas acerca das emissões dos automóveis.”

Relatório da Comissão Europeia

Ciclo WLTP para os híbridos plug-in em questão

O ciclo WLTP foi adotado em 2017 e tinha, entre seus objetivos, reduzir a diferença entre os números oficiais de consumo e emissões e aqueles obtidos em condições reais. Observando os dados deste relatório, esse objetivo foi alcançado apenas em parte.

Quando se consideram apenas veículos a gasolina e a diesel, a discrepância combinada de 20% é aproximadamente metade do que se via no antigo ciclo NEDC. Porém, no caso dos híbridos plug-in, os resultados iniciais indicam que o WLTP pode ser bastante enganoso.

A explicação está no fato de que, para híbridos plug-in, o teste de certificação de consumo e emissões de CO2 aplica um “fator de utilidade”. Esse fator corresponde à expectativa de distância rodando em modo 100% elétrico - aqui estimada em 70–85% do total. Na prática, essa expectativa não se confirma.

“Estes veículos não estão a ser utilizados no seu máximo potencial, sendo que eles não estão a ser carregados nem utilizados em modo 100% elétrico como seria de se assumir.”

Relatório da Comissão Europeia

Por isso, a CE já decidiu reduzir o “fator de utilidade” dos híbridos plug-in para 50% a partir de 2025, no caso de veículos particulares. Para veículos de empresas/frotas, a nova forma de cálculo passará a valer a partir de 2027. Com isso, os valores oficiais de consumo e emissões tendem a subir.

Híbridos plug-in na Europa

O relatório chega num momento em que um número crescente de fabricantes está postergando metas de vendas e investimentos em veículos 100% elétricos e, em vez disso, reforçando a aposta em soluções híbridas, incluindo os plug-in.

Essa postura é uma reação da indústria ao esfriamento mais amplo da demanda por veículos elétricos, algo que já aparece nas tabelas de emplacamentos.

Em fevereiro deste ano, por exemplo, os híbridos plug-in tiveram um crescimento de vendas maior do que o dos elétricos. É uma tendência que deve continuar ao longo deste ano.

Fonte: Automotive News Europe

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