O leilão promovido pela Bonhams é tradicionalmente um dos momentos mais aguardados do The Quail – A Motorsports Gathering, e neste ano um dos grandes atrativos é um Ferrari 412P Berlinetta de 1967.
Segundo a casa de leilões, este é o Ferrari de competição mais relevante colocado à venda nos últimos cinco anos.
O carro tem seu histórico amplamente documentado, incluindo as provas das quais participou e o processo de restauração pelo qual passou.
Por esse conjunto de fatores, a estimativa de venda chega ao impressionante patamar de 40 milhões de dólares que se converte em cerca de 36,2 milhões de euros. Caso se confirme, poderá se tornar o carro mais caro de 2023 e um dos mais caros de todos os tempos.
Ferrari 412P, chassis 0854
A trajetória deste Ferrari 412P Berlinetta, de chassis 0854, começa em 1967, quando foi entregue novo por uma concessionária Ferrari no Reino Unido, a Maranello Concessionaires Ltd.
A compra foi feita pela equipe do Col. Ronnie Hoare, que definiu a carroceria em vermelho, com a dianteira e uma faixa central no azul Cambridge.
Ainda em 1967, o 412P alinhou nos 1000 km de Spa, na Bélgica, com Richard Attwood e Lucien Bianchi ao volante, terminando a corrida em terceiro lugar. Também disputou as 24 horas de Le Mans (com Piers Courage ao lado de Attwood) e as seis horas de Brand Hatch, no Reino Unido.
Em Spa, Attwood correu com David Piper, que, curiosamente, viria a ser o segundo proprietário do Ferrari 412P Berlinetta. Piper seguiu competindo com o carro em provas na Europa e na África do Sul, agora exibindo a cor verde por conta do novo patrocinador, a BP.
Para aliviar o peso e evitar reparos demorados na carroceria de alumínio, Piper removeu a carroceria original - construída em alumínio -, que foi guardada intacta, e a substituiu por uma carroceria aberta em fibra de vidro, do tipo barchetta.
O carro somou várias vitórias em 1968, vencendo os 200 km de Nuremberga, o Solituderennen em Hockenheim e o Grande Prêmio da Suécia.
Já em 1969, o 412P sofreu um acidente que causou vazamento de combustível e deu origem a um incêndio que quase o destruiu. O modelo foi reconstruído e voltou às pistas alguns meses depois.
A “vida” mais tranquila do Ferrari 412P
Depois desse episódio, o Ferrari 412P retornou à Europa e, ainda em 1969, foi comprado por Chris Cord, neto do fundador da marca americana Cord.
A partir daí, afastado das competições, o carro passou por coleções de Lord Anthony Bamford, Sir Paul Vestey e de John e Bruce McCaw, até chegar ao proprietário atual, em 2005. Foi com esse último que o modelo passou por um meticuloso processo de restauração que se estendeu por quase uma década.
O trabalho incluiu a reinstalação dos painéis originais de carroceria em alumínio e a recuperação da decoração original escolhida em 1967. Também foi preservado o número “9”, com o qual o carro participou da prova de Brands Hatch.
Por todo esse histórico - e também graças ao registro completo -, este Ferrari 412P Berlinetta de chassis 0854 é apresentado como o protótipo de competição de sua época que ainda mantém seus componentes originais. Isso inclui chassi, motor, câmbio e, agora, até a carroceria de alumínio que ficou armazenada por décadas.
Quando se realiza o leilão?
O leilão que definirá o próximo proprietário do Ferrari 412P promete entrar para a história, sobretudo pela estimativa de valor que vem sendo divulgada.
O The Quail – A Motorsports Gathering acontece no próximo dia 18 de agosto, na Califórnia.
Fonte: Bonhams
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