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Mitsubishi ASX: um Renault Captur com emblema da Mitsubishi

SUV vermelho Mitsubishi ASX 2024 em exposição interna, vista frontal lateral direita.

Seus olhos não estão enganando - e a gente também não. Este SUV é, sim, um Mitsubishi. Pelo menos nos emblemas.


É quase impossível iniciar um teste do novo Mitsubishi ASX sem encarar o “elefante na sala”. A expressão pode soar curiosa, mas cai como uma luva aqui: o novo Mitsubishi ASX… é um Renault Captur. Sem metáfora, literalmente. E isso não aconteceu “por acaso”; é exatamente essa a proposta.

Trocar o Mitsubishi ASX já era mais do que necessário para a marca japonesa, já que o modelo estava à venda desde 2010 e, desde então, foi apenas recebendo reestilização atrás de reestilização.

Diante desse cenário, em vez de investir uma fortuna no desenvolvimento de um carro totalmente novo apenas para manter presença no mercado europeu, a Mitsubishi optou por um caminho mais simples.

O fato de fazer parte da aliança com Renault e Nissan abriu a porta para “pegar emprestado” o projeto do SUV francês. Até porque ele continua entre os SUVs do segmento B mais desejados do mercado, com provas dadas em diferentes países.

Na linha de montagem de Valladolid, na Espanha, este SUV é produzido (ao lado do Captur) praticamente do mesmo jeito até os instantes finais. Só perto do fim é que aparecem as mudanças mais evidentes.

Mudança de identidade

Para transformar o Captur em ASX - e com um orçamento bem controlado - o losango característico da marca francesa deu lugar aos três diamantes do logotipo da Mitsubishi. Isso acontece na grade dianteira, no volante e no centro das rodas.

Na traseira, o nome Mitsubishi aparece escrito por extenso. Porém, um pouco acima, onde antes a câmera de ré do auxílio ao estacionamento parecia perfeitamente integrada ao centro do losango francês, agora ela foi encaixada em um aplique plástico que passa a sensação de estar totalmente deslocado.

Ainda por fora, o Mitsubishi ASX mantém o mesmo visual chamativo do seu irmão gêmeo, com assinatura em LED na dianteira e na traseira, incluindo os característicos “C”. A aparência mais parruda também segue intacta, assim como a altura livre do solo, os para-choques, as saias laterais e praticamente todo o restante.

ASX aposta na versatilidade e espaço

Ao entrar no novo Mitsubishi ASX, a confusão só aumenta. Aqui dentro, tirando o emblema da marca japonesa no centro do volante, todo o ambiente deixa claro que estamos ao volante de um Captur. Ainda bem: isso está longe de ser um defeito.

Como já comentamos, este SUV é um sucesso de vendas em vários mercados - e isso não acontece à toa. A posição de dirigir agrada e o espaço disponível, tanto na frente quanto atrás, fica acima da média do segmento.

No porta-malas, são 422 litros para levar o que for preciso. E, se ainda não bastar, dá para correr o banco traseiro para frente ou para trás em cerca de 16 cm, o que rende mais 69 litros de volume.

Tecnologia de serviço

No centro do painel, a tela sensível ao toque (mesmo na versão menor) também é bem conhecida e oferece acesso a vários sistemas de forma simples e até intuitiva. E, diante do motorista, só sentimos falta do quadro de instrumentos totalmente digital - que fica reservado às versões com sistema híbrido.

Ainda assim, os instrumentos analógicos fazem a moldura para a tela vertical do computador de bordo, colorida, com as sempre úteis informações de consumo e os indicadores de apoio a uma condução mais econômica.

O melhor é que ele também herdou alguns equipamentos de que sempre gostamos em muitos modelos da marca francesa. Entre eles, está o cartão que substitui a chave e pode ficar no bolso, por exemplo, além do ar-condicionado automático.

Menos comum hoje em dia é encontrar uma alavanca convencional para o freio de estacionamento e o comando “satélite”, do lado direito da coluna de direção, dedicado ao controle do sistema de som. Pelo menos nas poucas vezes em que não preferimos tocar direto na tela central - por ser muito mais prático.

Ao volante do ASX, nada de novo

Rodando, o Mitsubishi também não traz diferenças em relação ao modelo francês. Em outras palavras, preserva um ótimo equilíbrio entre conforto e desempenho, mesmo quando a estrada fica mais sinuosa. Mas este não é um ASX “Evolução”; é um SUV familiar, prático, feito para manter o ambiente a bordo tranquilo.

Com o motor de apenas um litro e três cilindros, o turbo é quem eleva a potência até 90 cv. O torque fica em 160 Nm, já a partir das 2000 rpm, e há um câmbio manual de seis marchas. Nos números de desempenho, a marca informa 14 segundos no 0 aos 100 km/h e velocidade máxima de 168 km/h.

Por não contar com um sistema híbrido e baterias pesadas, o Mitsubishi ASX registra peso total de 1276 quilos. Com isso, o esforço do 1.0 não fica exagerado e, por esse motivo, a marca divulga médias de consumo em torno dos 5,7 litros.

No nosso teste, porém, o resultado final ficou um pouco acima, já perto dos sete litros - mas com mais deslocamentos em área urbana, com trânsito, e sem a menor vontade de desligar o ar-condicionado.

Manter as coisas simples

Com o motor 1.0, a Mitsubishi oferece dois níveis de acabamento: Inform e Invite. A unidade avaliada foi uma Invite, com preço base de 25 290 euros.

Quanto ao “pacote”, tudo o que aparece nas imagens ou na nossa lista já é item de série. O único extra é escolher uma das cinco opções de pintura metalizada, caso você não curta o azul-escuro. Ou seja, neste Branco Cristal, é só acrescentar 450 euros ao valor final.

No fim das contas, nem o preço do Mitsubishi ASX se distancia tanto do do irmão gêmeo com sotaque francês. É, basicamente, uma questão de decidir qual símbolo você prefere. O resto é igual. Ainda assim, desse jeito, a Mitsubishi segue na Europa por mais algum tempo.

Veredito

Especificações técnicas

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