O Mercedes-Benz Classe G é, provavelmente, o utilitário 4×4 mais “quadradão” do planeta - e também o modelo com a maior margem de lucro que a Mercedes-Benz mantém em linha há 45 anos.
Embora não pareça à primeira vista, o jipe mais clássico da marca está sendo ajustado para a nova era. Ele passa a ter, agora, as primeiras motorizações mild-hybrid e já se encaminha para ganhar uma versão 100% elétrica inédita dentro de um ano e meio.
Enquanto muitos outros 4×4 foram saindo de cena ao longo de mais de quatro décadas, o Classe G continua a sua trajetória comercial ininterrupta desde 1979 e já ultrapassou 450 mil unidades produzidas. Parte delas foi comprada por puro desejo: gente que quer se destacar no asfalto (e fora dele) e não vê problema em desembolsar pequenas fortunas por isso.
O Mercedes-Benz Classe G totalmente elétrico deve conquistar um público diferente e reforçar ainda mais as suas capacidades, indo “ao infinito e mais além”. Para cumprir essa promessa, a ideia é usar um motor elétrico em cada roda - uma solução que pode ser decisiva para vencer os trechos de off-road mais duros e exigentes.
Pequenas diferenças
Até esse futuro chegar, o que existe é uma atualização discreta da geração atual, no mercado há quase cinco anos.
Para notar o que mudou por fora, é preciso atenção: há retoques nos contornos dos faróis, na grade e também nos pilares dianteiros, que ficaram levemente mais finos.
Por dentro, entram novas telas de 12,3” no painel de instrumentos e no sistema de infoentretenimento, além de um pacote mais amplo de assistências à condução.
No lado técnico, as mudanças nas motorizações do Classe G 2024 são pontuais, e o conjunto “raiz” permanece intocado: chassi de longarinas, três bloqueios mecânicos de diferencial, caixa de redução e a combinação de eixo rígido traseiro com suspensão dianteira independente.
Além disso, o chassi recebe novidades: passa a contar com estabilização hidráulica e amortecimento eletrônico variável (neste caso, de série), que podem ser escolhidos separadamente ou reunidos em pacotes voltados ao uso fora de estrada.
Nesse sistema, componentes hidráulicos assumem o lugar das barras estabilizadoras mecânicas tradicionais. Já os amortecedores adaptativos trazem duas conexões hidráulicas - uma para a fase de compressão e outra para a de extensão de cada amortecedor.
Capô Invisível
O chamado Cockpit Offroad facilita o uso de funções individuais, reunindo uma visão geral das informações mais importantes para a condução 4×4 tanto no quadro de instrumentos quanto na tela central.
As informações aparecem divididas em blocos, que podem ser alternados pelas setas de direção ou com um gesto de deslizar. Também há botões dedicados para acesso rápido a funções do veículo úteis no off-road.
Entre os dados exibidos estão horizonte virtual, posicionamento, bússola, altitude, ângulo da direção, torque, potência, pressão e temperatura dos pneus, além do status de atuação dos bloqueios do diferencial.
Para tornar a experiência fora de estrada ainda mais confortável, existe o recurso de “capô transparente” que, em conjunto com a câmera de 360°, cria uma visão virtual do que está logo abaixo da dianteira do carro.
Com essa visualização, o motorista consegue se antecipar ao desvio de obstáculos como pedras ou buracos mais profundos que não aparecem pelo para-brisa.
Mesmo com essas mudanças, seguem os números de referência: capacidade de escalada de até 100%, vão livre do solo entre os eixos de pelo menos 24,1 cm, profundidade máxima de travessia de 70 cm e inclinações de até 35º. Os ângulos off-road são de 31º, 30º e 26º, respectivamente, ataque, saída e ventral.
Mild-hybrid para todos
O Geländewagen atualizado passa a oferecer exclusivamente motorizações mild-hybrid de 48 V, tanto a gasolina quanto diesel. A parte elétrica inclui um motor/gerador capaz de entregar um impulso curto de 15 kW (20 cv/200 Nm), ajudando nas arrancadas e contribuindo para reduzir (ainda que de forma leve) o consumo.
No Mercedes-Benz G 500, o motor é um seis cilindros em linha biturbo de 3,0 l - no lugar do antigo V8 -, com 449 cv e 560 Nm (além dos 15 kW e 200 Nm adicionais do motor elétrico). A marca declara consumo de 15,7–14,7 l/100 km.
Já o Mercedes-Benz G 450 d - que entra no lugar do anterior G 400 d - usa um seis cilindros em linha diesel de 3,0 l e entrega 367 cv e 750 Nm (mais os potenciais 15 kW e 200 Nm do motor elétrico).
Com o devido cuidado no pé direito, ele pode ser o único Classe G capaz de ficar abaixo da média de 10 litros, já que o valor homologado vai de 8,7 l/100 km a 10 l/100 km.
Em qualquer versão, a caixa automática de nove marchas é responsável por levar o torque aos dois eixos, com divisão de 40% para a dianteira e 60% para a traseira. Quem gerencia essas transições é uma embreagem multidisco inteligente (funcionando como um diferencial autoblocante automático).
O Mercedes-AMG G 63 - a configuração que mais roda pelo mundo -, com seu V8 marcante, chega alguns meses depois do G 500 e do G 450 d. O biturbo 4,0 l de oito cilindros em “V” rende 585 cv e torque máximo de 850 Nm, e também passará a ser combinado com um sistema mild-hybrid.
Com o pacote de Performance correspondente, a variante esportiva do «rústico» Classe G faz 0 a 100 km/h em 4,3s e alcança 240 km/h de velocidade máxima (20 km/h a mais do que sem o pacote Performance).
Quanto vai custar?
A Mercedes-Benz ainda não divulgou os preços deste Classe G atualizado. Também não há uma data de chegada confirmada, mas sabe-se que os primeiros a desembarcar serão os G 500 e G 450 d, com o G 63 vindo em seguida. Por fim, no início de 2026, está prevista a apresentação do Mercedes-Benz Classe G elétrico.
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