Pular para o conteúdo

TSIB divulga relatório final sobre turbulência em Boeing 777-300ER da Singapore Airlines em 2024

Passageiro apertando o cinto de segurança dentro de avião, com comissária servindo bebida ao fundo.

O Conselho de Investigação de Segurança nos Transportes de Singapura (TSIB) tornou público hoje o relatório final sobre o grave incidente com um Boeing 777-300ER da Singapore Airlines que encontrou turbulência severa em um voo entre Londres e Singapura, em 2024, episódio que terminou com a morte de um passageiro.

A apuração concluiu que a aeronave atravessou uma zona de turbulência convectiva intensa no sudoeste de Myanmar e levantou a hipótese de problemas no radar meteorológico do avião.

O que aconteceu no voo de 21 de maio de 2024

O evento ocorreu em 21 de maio de 2024, quando o voo levava 229 pessoas a bordo. Depois de enfrentar forte turbulência em nível de cruzeiro, a tripulação optou por desviar para o Aeroporto de Suvarnabhumi, em Bangkok, na Tailândia.

No balanço final, 56 ocupantes tiveram ferimentos graves, 23 sofreram ferimentos leves e uma pessoa morreu. A vítima foi identificada como um cidadão britânico de 73 anos, que teve um ataque cardíaco após a turbulência.

Condições meteorológicas observadas e atuação da tripulação

Segundo os investigadores, imagens de satélite e radares meteorológicos em solo indicavam ampla cobertura de nuvens na área em que a turbulência ocorreu. Ainda assim, os pilotos informaram que não perceberam formações de nuvens relevantes à frente da aeronave.

A análise do gravador de voz da cabine apontou que, antes do episódio, os pilotos não discutiram as condições meteorológicas. Após o evento, o comandante demonstrou surpresa ao notar que não havia retornos meteorológicos nas telas de navegação, mesmo depois de ajustar o ganho do radar meteorológico para o valor máximo.

Indícios de limitação no radar meteorológico (WXR)

O relatório também registrou que já havia histórico de anomalias no radar meteorológico (WXR) daquela aeronave, incluindo ocorrências de “subdetecção” e até ausência total de exibição de áreas meteorológicas. Sinais semelhantes, de acordo com o TSIB, também foram identificados no voo de traslado realizado depois do incidente.

Embora uma bateria de testes feita posteriormente não tenha confirmado uma falha definitiva do sistema, os investigadores afirmaram que não foi possível eliminar por completo a chance de o radar ter funcionado de forma intermitente durante o voo. Para o órgão, o equipamento exibiu alguns comportamentos considerados incomuns nas avaliações técnicas.

Os investigadores destacaram ainda que, no estado atual, o sistema não emite mensagens de falha quando ocorre subdetecção ou quando não há exibição meteorológica, o que pode dificultar que as tripulações reconheçam rapidamente problemas no radar.

Outro aspecto criticado foi a limitação dos procedimentos de manutenção disponíveis. Conforme o TSIB, os testes atualmente previstos verificam apenas a integridade geral do sistema, mas não conseguem identificar cenários em que o radar apresenta retorno meteorológico insuficiente ou inexistente.

O órgão observou, adicionalmente, que os radares meteorológicos instalados hoje não registram as imagens mostradas aos pilotos durante o voo, o que complica investigações posteriores e a detecção de falhas intermitentes.

Recomendações de segurança emitidas pelo TSIB

Como desdobramento da investigação, o TSIB publicou quatro recomendações de segurança. Uma delas solicita que o fabricante da aeronave elabore orientações para que pilotos consigam reconhecer, durante o voo, situações de subdetecção do radar meteorológico e adotem medidas corretivas apropriadas.

Outra recomendação pede novos procedimentos de manutenção capazes de detectar esse tipo de falha. O órgão também recomendou que os fabricantes de radares meteorológicos desenvolvam recursos para gravar as imagens meteorológicas apresentadas às tripulações.

Além disso, o relatório propõe que a Organização da Aviação Civil Internacional amplie a exigência de instalação do sistema FCMIR - usado para registrar imagens e dados da cabine de comando - para aeronaves certificadas antes de janeiro de 2023 com peso máximo de decolagem superior a 27 toneladas.

Cinto de segurança e o alerta aos passageiros

Por fim, o relatório reforçou a importância de os passageiros manterem o cinto de segurança afivelado de forma contínua em todas as fases do voo, observando que o acidente funciona como um alerta para os riscos associados a turbulências severas inesperadas. O relatório final e completo está disponível neste link.

Comentários

Ainda não há comentários. Seja o primeiro!

Deixar um comentário