No momento em que a Rolls-Royce acaba de lançar seu primeiro carro de produção 100% elétrico, o Spectre, começam a aparecer projetos com um “espírito” bem parecido.
E é difícil encontrar uma origem mais distante do que este Rolls-Royce Phantom II de 1929: foram apenas 1681 unidades produzidas entre 1929 e 1936. Quase cem anos depois, um exemplar foi entregue à empresa britânica Electrogenic para passar por uma conversão completa para elétrico.
Conversão elétrica do Rolls-Royce Phantom II pela Electrogenic
Atendendo ao pedido do proprietário, o enorme seis-em-linha de 7,7 l e o câmbio original de quatro marchas foram removidos do carro. O serviço, segundo o que foi divulgado, foi feito com grande cuidado e atenção, justamente para preservar e conservar os componentes originais.
Bateria de 93 kWh e novo conjunto de propulsão
No lugar do conjunto mecânico antigo, a Electrogenic instalou módulos de bateria que somam 93 kWh. O resultado ainda mantém uma aparência compatível com a época, graças a uma cobertura de alumínio original, confeccionada artesanalmente.
A propulsão do Phantom II passa a ser responsabilidade de um motor elétrico montado entre as longarinas do chassi, trabalhando com uma transmissão de relação fixa.
Depois que todo o “software” foi calibrado e ajustado para este modelo, o Rolls-Royce Phantom II elétrico passou a entregar potência máxima de 150 kW (204 cv) e torque de 310 Nm. Trata-se de um ganho expressivo em relação aos 120 cv às 3000 rpm que o carro tinha originalmente.
Em autonomia, a Electrogenic diz que o Phantom II deverá rodar cerca de 240 km em condições de “mundo real”, sempre com deslocamento totalmente silencioso.
Experiência de condução melhorada
Agora pronto para rodar em silêncio absoluto, o Rolls-Royce Phantom II teria tido uma melhora marcante na experiência ao volante, de acordo com as informações disponíveis.
Com essa nova “versão”, iniciar cada saída fica mais simples, as acelerações acontecem de forma bem mais progressiva e deixa de existir a necessidade de fazer trocas com “duplas”. Em outras palavras, não é mais preciso usar a embreagem para tirar a marcha e, em seguida, usar novamente para engatar a próxima. Até porque o câmbio original de quatro marchas nem era sincronizado.
Mesmo com a inclusão do pacote de baterias, o peso total permaneceu por volta de duas toneladas - e, além disso, o sistema de freios foi bastante aprimorado.
O Phantom II também passa a oferecer modos de condução (Drive, Eco e Sport) e inclui regeneração de energia - essa “magia negra” do século XXI -, capaz de recuperar alguns “elétrons” extras para armazenar na bateria.
Conforme revelou Steve Drummond, da Electrogenic, o projeto levou 18 meses para ser finalizado e contou com uma equipe dedicada de engenheiros, programadores e construtores.
Ainda que algumas pessoas possam enxergar isso como uma heresia, há um ponto curioso: Sir Henry Royce sempre sonhou com carros elétricos circulando em silêncio total. Dito isso, se ele aprovaria a conversão - quase um século depois - de automóveis daquele período é uma questão que segue aberta ao debate.
Apresentação oficial no Hampton Court Palace
A estreia pública deste Rolls-Royce Phantom II convertido para elétrico será oficializada no próximo evento do Hampton Court Palace.
Comentários
Ainda não há comentários. Seja o primeiro!
Deixar um comentário