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Zeekr 001 mostra a velocidade a que as marcas chinesas estão a evoluir

Carro elétrico Zeekr 001 verde em exposição em ambiente moderno com iluminação natural ao pôr do sol.

O Zeekr 001 é uma vitrine da rapidez com que as marcas chinesas vêm avançando.


Embora seja difícil ignorar que o Zeekr 001 carrega alguns traços de design que lembram o Porsche Taycan Cross Turismo, o acerto do conjunto não surpreende.

“O trabalho manual com a argila, em combinação com o processamento de dados em 3D, permite chegar ao resultado que queremos”. A frase é de Stefan Sielaff, ex-diretor de design de marcas como Audi e Bentley e, hoje, chefe de design do Geely Group - conglomerado ao qual a Zeekr pertence.

Foi numa visita ao centro de design da Geely em Gotemburgo, na Suécia, antes de dirigir o 001, que ficou mais claro para mim o que a jovem Zeekr (criada em 2021) busca ao avançar na Europa: “toda a equipa está apostada em criar uma imagem de luxo não opulento nos nossos modelos”, explicou Sielaff.

Para sustentar esse posicionamento, a Zeekr quer ir além do estilo e apostar também em tecnologia. A plataforma SEA (Sustainable Experience Architecture) que serve de base ao 001 recebe suporte de soluções da Mobileye e de chips da Qualcomm (8155 Snapdragon). Na prática, isso significa um alto poder de processamento e recursos de assistência ao motorista alinhados com o que há de mais avançado.

O desafio, agora, é convencer o consumidor europeu - tradicionalmente exigente - e essa tarefa também passa por Ralph Stenger, responsável por pesquisa e desenvolvimento da Zeekr na Europa:

“Há 800 engenheiros em Gotemburgo, responsáveis pelas afinações destinadas a tornar os carros mais ao gosto dos condutores europeus”.

Ralph Stenger, chefe do departamento pesquisa e desenvolvimento da Zeekr Europa

Interior amplo, mas com falhas

A carroceria segue a proposta de shooting brake, num meio-termo entre perua e cupê. São 4,95 m de comprimento e três metros de entre-eixos, medida que se traduz em bastante espaço para as pernas na segunda fileira.

Mesmo com o enorme teto panorâmico, há boa altura interna para passageiros de 1,85 m.

Quem vai atrás encontra um monitor sensível ao toque dedicado aos ajustes dos bancos traseiros, à climatização, ao sistema de áudio e à iluminação ambiente. Também existem saídas de ar direcionais e os assentos traseiros ficam mais altos do que os dianteiros, criando o desejado efeito “anfiteatro”.

O porta-malas oferece 539 litros, traz um compartimento inferior para itens menores e tem ótimo acabamento, mas o plano de carga fica relativamente alto.

Nas versões com suspensão a ar, isso pesa menos: por meio de um comando instalado no próprio porta-malas, dá para elevar ou baixar a suspensão em cerca de oito centímetros.

Se for preciso ampliar a capacidade, as costas dos bancos traseiros podem ser rebatidas a partir do porta-malas. E sob o capô dianteiro existe um segundo compartimento de bagagem, no tamanho certo para acomodar os cabos de recarga.

Escolha de materiais

Os materiais vegan que revestem praticamente todo o interior passam uma sensação de qualidade e imitam bem o couro natural - ao menos quando ainda são novos.

Os bancos dianteiros agradam no conforto (mesmo com a preferência europeia por espumas menos macias do que as asiáticas) e trazem apoios de cabeça integrados.

Teto e colunas centrais recebem um revestimento que lembra veludo, com bom aspecto e toque agradável; e quase todos os nichos para objetos vêm forrados, com exceção dos bolsos das portas.

Quanto ao ruído, o som de rodagem aparece mais do que seria ideal, em parte porque os vidros laterais não são laminados, ao contrário do que acontece na maioria dos carros premium. Em compensação, o bom coeficiente aerodinâmico (Cx 0,23) do Zeekr 001 ajuda a manter os ruídos de vento em um patamar aceitável.

Infoentretenimento avançado

Entre os bancos dianteiros há uma console elevada com espaços para guardar objetos, o seletor da transmissão e o controle do sistema de infoentretenimento.

O conjunto inclui uma tela central de 15,4” na horizontal, que vira a interface principal de praticamente tudo - inclusive ajustes dos retrovisores e da coluna de direção.

Os gráficos são bem trabalhados e a resposta é rápida, mas o volume de funções é tão grande que um usuário novo provavelmente precisará de um “treinamento intensivo” de pelo menos uma hora para dominar o essencial com alguma naturalidade.

É também pela tela central que se escolhe o nível de regeneração, entre Médio, Elevado e One Pedal; este último consegue parar o Zeekr sem a necessidade de usar o pedal do lado esquerdo.

Em estrada

O pedal de freio tem o “mérito” de responder logo no início do curso, mas passa uma sensação um pouco “esponjosa”.

A direção é direta e transmite bem o que acontece, com 2,5 voltas de batente a batente, porém é preciso sensibilidade de ourives para notar diferenças entre os modos Sport e Comfort. Já nas acelerações, a distinção é clara: no modo Sport o carro reage com bem mais vigor do que em Comfort ou Eco.

A suspensão independente com ajuste pneumático entrega um excelente compromisso entre estabilidade e conforto, sem balanços laterais perceptíveis nem pancadas secas na absorção.

Pneus e rodas 265/40 R22 são iguais nas quatro rodas, e dá para sentir mudanças ao alternar os modos de condução. Ainda assim, em acelerações fortes em curva, as perdas de tração ficam bem controladas - apesar da entrega imediata de grandes doses de torque.

É justamente nessas situações que aparece a solução menos agradável ao volante (mas que, felizmente, pode ser desativada).

Trata-se do som digitalizado de “motor”, que tenta imitar o funcionamento de um motor a combustão… ou de uma nave espacial. No primeiro caso, o resultado chega a ser um som “risível”, com cara de videogame e sem a menor noção do que é um motor a gasolina de um esportivo.

A opção de ficção científica também não melhora a vivência e, felizmente, dá para simplesmente esquecer que essas “trilhas sonoras” existem…

Números eletrizantes

Os elétricos já nos acostumaram a arrancadas de tirar o fôlego e, mesmo com 2,35 toneladas, o 001 segue essa lógica.

Com 400 kW (544 cv) e 686 Nm na versão de dois motores, o 0 a 100 km/h acontece em 3,8s. Isso o torna quase duas vezes mais rápido do que a versão de tração traseira, com 200 kW (272 cv) e 343 Nm. Em ambas, a velocidade máxima é de 200 km/h.

Assim, o 001 é oferecido em duas configurações: uma com duas (apenas um motor elétrico) e outra com quatro rodas motrizes (dois motores, um por eixo).

A bateria é igual nas duas versões: 100 kWh, fornecida pela CATL e com células NMC (níquel, manganês, cobalto).

De acordo com a Zeekr, isso basta para rodar 580 km com uma carga, e mais 40 km (620 km) na versão de tração traseira, com consumo médio de 18,5 kWh/100 km.

Os 94 km deste primeiro contato - curto - foram cumpridos em pouco mais de duas horas, por estradas nacionais e trechos urbanos, condições mais favoráveis a consumo baixo e a muita regeneração.

Ainda assim, o consumo médio medido ficou em 22,6 kWh/100 km, bem acima dos 18,4 kwh/100 km anunciados; e a autonomia estimada não passou de 450 km, já com algum otimismo incluído.

Preço sedutor

O tema preço deixa a impressão final do Zeekr 001 ainda melhor. A versão de entrada, com tração traseira, custará 6000 euros e já sai bem equipada. Na lista entram rodas de 21”, teto panorâmico e sistema de áudio Yamaha com oito alto-falantes.

A versão Privilege AWD que dirigi sobe o nível de desempenho e de equipamentos, trazendo suspensão pneumática, bancos dianteiros com massagem, ar-condicionado de três zonas e outros itens que levam o valor aos 70 mil euros. Ainda assim, fica muito abaixo do Porsche Taycan Cross Turismo.

Em Portugal só em 2026

O 001 é, portanto, o primeiro Zeekr a desembarcar nas estradas europeias - em especial na Suécia e nos Países Baixos, mercados onde a marca chinesa inicia as vendas. Já na Península Ibérica, isso só deve acontecer em 2026.

Veredito

Especificações técnicas

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