A DS4 passa por uma reestilização, vira DS N°4 e estreia uma versão elétrica inédita. Com isso, a francesa se posiciona como a única compacta premium com múltiplas opções de energia. Será que essa mudança profunda é suficiente para nos conquistar?
Vai uma dica: o toque macio nas portas é surpreendente para um carro desse porte. Denso, agradável e sedoso, o revestimento em couro dos painéis não deve nada ao de modelos mais caros. A mesma sensação se repete no restante do interior, com materiais muito bem selecionados. O alumínio com textura guilloché aplicado no painel e na consola central chama a atenção. E o Alcantara no lado do passageiro tem presença.
Tudo ajuda a criar um ambiente sofisticado, mas sem exageros: a ergonomia segue discreta, com atalhos bem evidentes levando às funções essenciais. Segurar um botão por alguns segundos para desligar assistentes de condução não vira um martírio. Já os comandos de ventilação continuam presos à tela sensível ao toque - e ela não é isenta de críticas.
Infotainment: o peso dos anos aparece na tela tátil
Hoje, a diagonal de 10 polegadas já parece pequena. Mais do que o tamanho contido, o problema está no desempenho. Os grafismos são apenas aceitáveis, mas o principal entrave é outro: a resposta aos comandos é lenta, denunciando um sistema já envelhecido. Uma pena, porque as opções de personalização são bem resolvidas, com várias páginas que podem reunir widgets conforme a preferência.
Claro, dá para driblar isso usando Apple CarPlay e Android Auto - mas, nesse caso, você abre mão do valioso planeador de rotas disponível como opção por 3 anos. É uma segunda frustração, sobretudo porque o pacote se liga ao pré-condicionamento da bateria, que reduz o tempo de carga em tempo frio na N°4. E frio foi justamente o que não faltou neste começo de ano.
Recarga rápida: por que a DS N°4 prefere paragens curtas
Esperada como água no deserto, essa função deixa a experiência mais animadora em carregadores rápidos. São 120 kW em corrente contínua (DC): não é recorde, mas fica bem acima do desempenho desastroso da prima Peugeot 308. A potência de recarga chega perto de 115 kW com 15% de bateria. É um bom resultado, embora algumas rivais não premium consigam ir além.
O problema é que o fôlego acaba depressa: a potência cai para menos de 100 kW já com apenas 20% de carga. E segue a desacelerar depois disso: por volta de 70 kW perto de 40% e, então, um patamar prolongado de 50 kW a partir de 50% de bateria. Na prática, é melhor fazer várias paragens curtas com a N°4 do que encarar uma viagem longa e tentar encher o acumulador de uma vez. Ainda que 55,4 kWh não seja exatamente uma capacidade gigantesca.
Silêncio absoluto e conforto de primeira, mas a autonomia deixa a desejar
A autonomia teórica de 450 km está dentro do padrão. Porém, na autoestrada, o esperado é ficar abaixo de 300 km - sem surpresas. Dá vontade de ter mais alcance, principalmente porque a N°4 é realmente confortável. O nível de silêncio a bordo é excelente, com vidros laminados na frente e atrás. Algo raro no segmento. Mesmo perdendo a leitura da estrada por câmara, a suspensão também agrada, com o efeito "barco" bem mais contido. Isso faz diferença nas estradas sinuosas dos vinhedos do Mâconnais.
A posição de condução semi-elevada da DS N°4 é muito agradável, e os bancos têm bom desenho. Atrás, o ambiente mantém a mesma proposta, com materiais tão bons quanto os da frente - novamente, algo pouco comum. Em contrapartida, o espaço é limitado, tanto para pernas quanto para a cabeça. O passageiro central ainda precisa lidar com um túnel central, que incorpora parte da bateria em "cruz da Lorena".
Agilidade na cidade e vida a bordo mais simples na N°4
Aqui entra um contraponto: a assistência da direção é muito forte. Isso torna as manobras urbanas bem fáceis, até porque a N°4 tem bom raio de giro. Em baixa velocidade, a suspensão fica mais firme e a regeneração ajustável em três níveis ajuda a poupar as pastilhas. Mesmo assim, para parar de vez, ainda é preciso usar o pedal do travão - o modo One Pedal não aparece.
Outra coisa que saiu de cena é a pequena tela tátil na consola central, substituída por um porta-objetos. Segundo a marca, os donos da DS4 quase não a usavam. Já o painel de instrumentos ganha importância ao crescer de 7 para 10 polegadas. Nas versões superiores, ele é acompanhado por um head-up display de 21 polegadas. Ajustar os dois ecrãs é simples.
As dimensões da DS N°4 elétrica
| Medida | Valor |
|---|---|
| Comprimento | 4,40 m |
| Largura | 1,87 m |
| Altura | 1,49 m |
| Entre-eixos | 2,67 m |
| Volume do porta-malas | 390 litros |
51 440 €: o luxo à francesa diante da futura Audi A2 e-tron
O carro tem presença. Por isso, o porta-malas é bom para a categoria: 390 litros na elétrica e 430 litros na micro-híbrida. Em compensação, não há qualquer compartimento sob o capô dianteiro. O consolo vem do acerto de chassi, mais afinado e menos "pesado" do que na DS4. O equilíbrio é positivo, embora os 213 ch façam as rodas dianteiras patinarem com facilidade.
Condução autónoma, faróis Matrix LED, bancos com massagem, teto solar, assistente de voz competente, rodas de 19 polegadas, sistema de som Focal com 14 alto-falantes, tampa do porta-malas elétrica… Não dá para negar: o pacote da versão topo de linha Étoile é muito completo. Mas por 51 440 €, algumas rivais de categoria superior entram na lista de desejos - você sabe onde encontrá-las. Por outro lado, se a ideia é uma compacta elétrica realmente elegante, a DS N°4 acaba sendo singular… pelo menos até a chegada da Audi A2 e-tron.
Os preços da DS N°4 elétrica
| Versão | Preço |
|---|---|
| Pallas Ligne Business | 48 090 € |
| Performance Line | 48 340 € |
| Jules Verne | 49 340 € |
| Étoile | 51 440 € |
A nossa opinião sobre a DS N°4 elétrica
Tirando uma autonomia um pouco curta, uma recarga que não é tão eficiente, uma tela tátil datada, o espaço traseiro apertado e um preço salgado, a DS N°4 elétrica mostra bom conjunto. Sim, é muito "tirando" - mas, no que importa, a francesa entrega mesmo. O conforto é convincente, a lista de equipamentos é farta e o nível de acabamento impressiona. Três pilares do universo premium bem entendidos e bem executados. E, numa nota pessoal, o carro é realmente bonito…
DS N°4 E-Tense Étoile
51 440 €
7
Veredito
7.0/10
Gostamos
- A qualidade de acabamento, simplesmente excelente
- O conforto muito bem trabalhado
- O bom nível de equipamentos
- O dinamismo que surpreende
- O visual continua acertado
Gostamos menos
- A recarga rápida não é tão eficiente
- Autonomia limitada
- A tela tátil fica atrás do esperado
- Habitabilidade traseira
- Preço elevado
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