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A história do Ecto-1, o carro dos Caça-Fantasmas

Carro branco clássico dos Caça-Fantasmas com letreiro ECTO-1 em exposição interna.

Pode não ter o apelo dramático do Batmóvel nem a elegância dos Aston Martin do James Bond, mas ainda assim é um dos carros mais reconhecíveis da história do cinema. Estamos falando do Ecto-1 (ou Ectomobile), o veículo da equipe de Caça-Fantasmas. E o Dia das Bruxas (Halloween) foi a desculpa ideal para voltar a ele.

Mais do que a fama, vale entender como ele surgiu - porque é justamente essa origem que faz o Ecto-1 ser tão singular. Isso, claro, sem tirar o mérito de toda a parafernália dedicada à caça de fantasmas e outras criaturas: basta reparar na quantidade absurda de equipamentos acomodados sobre o teto.

A base do Ecto-1: Cadillac Miller-Meteor de 1959

A pergunta que está no coração de qualquer conversa sobre o Ecto-1 é simples: afinal, qual carro serviu de base para esse “caça-fantasmas”? A resposta é um Cadillac Miller-Meteor de 1959, neste caso uma conversão para ambulância, construída a partir da enorme base do Eldorado.

Segundo a publicação Drive, Miller e Meteor começaram como empresas rivais de carrocerias, até a Wayne Corporation, uma companhia sediada no estado norte-americano de Indiana, decidir comprar as duas: a Meteor Motor Car (que produzia limusines e ambulâncias) em 1954; e a A.J. Miller (especializada em carros funerários e ambulâncias) em 1956.

Dessa união saiu o modelo que daria origem ao Ecto-1, montado sobre um chassi da Cadillac. Da marca também vinham o motor V8 de 6,3 l com 320 cv e boa parte dos componentes mecânicos. Já a carroceria ficava sob responsabilidade da Miller-Meteor.

No total, ainda de acordo com a Drive, foram feitos apenas cerca de 400 exemplares do Cadillac Miller-Meteor. E os números chamam atenção: ele pesava por volta de três toneladas e tinha aproximadamente seis metros de comprimento.

Por que o Ecto-1 ficou tão marcante

Em grande parte, o impacto visual vem do contraste: um carro enorme, de aparência “civil”, carregando um conjunto exagerado de equipamentos no teto. Essa combinação - somada à história real por trás do modelo - ajuda a explicar por que o Ecto-1 virou ícone, mesmo sem a “aura” de supercarro ou de veículo militarizado.

Roteiro original tinha outro carro em vista

Por mais difícil que seja imaginar o Ecto-1 de outro jeito hoje, o plano inicial no roteiro apontava para um veículo diferente e bem mais novo: outro Cadillac, mas um modelo de 1975 convertido em ambulância. Curiosamente, essa ideia original acabou servindo de inspiração para o Ectomobile do reboot lançado em 2016, que usou um Cadillac Fleetwood de 1984.

Além disso, antes do branco com detalhes em vermelho que se tornou definitivo, Dan Aykroyd (roteirista e ator em Caça-Fantasmas) teria imaginado algo mais sombrio: um carro preto, com luzes strobes brancas e roxas.

No fim, porém, a escolha se consolidou mesmo nesse exemplar de 1959. No filme original de Caça-Fantasmas, ele é comprado pelo cientista Ray Stanz (interpretado por Dan Aykroyd) por modestos 4800 dólares (cerca de 4540 euros).

Onde está o Ecto-1 original?

Para o longa original, foram adquiridos dois Cadillac Miller-Meteor, mas apenas um deles foi transformado em Ecto-1 de início. O segundo Miller-Meteor seria convertido depois, para a continuação, quando o primeiro quebrou durante as filmagens. Foi aí que ele passou a ser chamado de Ecto-1A.

O Ecto-1 foi restaurado em 2016, enquanto o Ecto-1A não teve o mesmo destino e acabou ficando praticamente abandonado em uma propriedade da Universal. O visual envelhecido, por ironia, acabou ajudando: ele foi usado em Caça-Fantasmas: o Legado (2021).

Hoje, ambos pertencem à Sony Pictures, e o Ecto-1 está em exibição no Petersen Automotive Museum.

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