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Bentley Continental GT: por que eu escolheria o V8 em vez do W12

Carro esportivo Bentley Continental GT V8 verde em exposição, com acabamento brilhante e interior marrom.

Posso estar cometendo uma grande injustiça, mas eu prefiro o Bentley Continental GT com este V8 do que com o exótico e nobre W12.


O Bentley Continental GT já se consolidou como um ícone moderno e ocupa um lugar de destaque na história recente da marca baseada em Crewe, no Reino Unido.

Arrisco até dizer mais: é preciso procurar com dedicação para achar outro modelo, nessa faixa de preço, que tenha sido tão decisivo para o sucesso de uma marca quanto o Continental GT foi para a Bentley.

Apresentado em 2003, o Continental GT foi o primeiro Bentley lançado sob a gestão do Grupo Volkswagen (que comprou a marca em 1998) e, duas décadas depois, segue associado a opulência, luxo, personalidade e desempenho - talvez ainda mais hoje do que antes.

Acima de tudo, ele continua materializando o que um Grand Tourer (GT) deveria ser. E a Bentley soube posicionar o Continental GT em diferentes frentes: de um lado, a performance, com versões mais “afiadas”; do outro, o luxo e o conforto, apoiados no vasto programa de personalização da marca.

E isso permanece verdadeiro atualmente. Essa flexibilidade faz com que exista um Continental GT para quase todo tipo de cenário. Desde que haja dinheiro. Aliás, muito dinheiro: o exemplar deste ensaio está avaliado em mais de 400 mil euros.

Ao escolher um Continental GT, duas decisões pesam mais: motor W12 ou V8 e carroceria cupê ou conversível. Como já tive a chance de experimentar todos esses “sabores”, posso dizer que é difícil errar. No meu caso, eu ficaria com um V8 cupê - e explico o motivo nas próximas linhas.

Luxo chamado Azure

Se as edições S e Speed são mais voltadas para desempenho, as versões Azure e Mulliner priorizam luxo e elegância. Ou, em bom português, aquela dose extra de refinamento.

Foi justamente em configuração Azure que testei recentemente o Bentley Continental GT, pintado na cor Kingfisher – by Mulliner, um opcional de 8260 euros que muda o carro por completo - sobretudo quando o sol bate na tinta e revela uma profundidade diferente.

Você pode discordar, porque beleza quase sempre é subjetiva, mas para mim este está entre os cupês mais bonitos que o dinheiro consegue comprar.

Os traços carregam a herança centenária da marca fundada por Walter Owen Bentley, só que com um ar mais contemporâneo do que nunca. Nesse ponto, sinto que a assinatura luminosa desta geração acrescentou a sofisticação certa e, ao mesmo tempo, deu ao GT um visual mais agressivo (sempre na medida certa).

As rodas de 22", com acabamento preto, são exclusivas do Continental GT Azure e também ajudam a reforçar esse “casamento” entre o clássico e o moderno - assim como a imponente grade dianteira e os diversos detalhes escurecidos espalhados pela carroceria.

A qualidade custa caro, e este interior prova isso

Por dentro, o tom de elegância e luxo fica ainda mais evidente. O único item que passa uma sensação de “normalidade” é o painel de instrumentos digital, que poderia estar em outro modelo do Grupo Volkswagen.

Todo o restante é especial - e a marca faz questão de deixar isso claro. Da tela multimídia, que opcionalmente pode girar e se esconder dentro do painel, revelando um relógio analógico, até os comandos físicos cromados no console central, que parecem obra de um relojoeiro. O capricho nos detalhes é impecável.

Não é só a escolha de materiais e acabamentos que agrada: o toque dos botões também é extremamente satisfatório. Mais do que isso, dá para perceber como a Bentley faz questão de preservar uma experiência o mais analógica possível.

E eu ainda nem tinha falado dos bancos (com massagem, ventilação e ajuste elétrico em 22 vias), com acolchoamento Harmony Diamond, que são verdadeiras poltronas de luxo. O mesmo vale para os tapetes, tão densos que dá vontade de tirar os sapatos.

Sala de concerto sobre rodas

Mesmo com motorizações nobres, quem compra um Continental GT quer se sentir dentro de uma espécie de casulo, isolado do mundo lá fora. Nesse aspecto, o “Conti” dá uma aula para muitos. O conforto acústico é absurdo: fica claro tanto quando queremos apenas silêncio quanto quando a ideia é ouvir música.

A unidade que testei vinha com um sistema de som de alto nível assinado pela britânica Naim, simplesmente maravilhoso.

É um opcional de 7070 euros, é verdade, mas em um carro que custa mais de 400 000 euros isso vira troco perto do que se recebe. Não sou audiófilo, mas posso garantir: é o melhor sistema de som que já testei em um automóvel. “De longe”, como os britânicos diriam.

Não se deixe enganar pelo tamanho…

… porque o Continental GT entrega tudo o que pedimos sem demonstrar a menor dificuldade. Sabe aquele parente que chega ao fim de um casamento ainda de terno completo e com a gravata no lugar, mesmo quando o resto da festa já está só de camisa e com a gravata virando bandana? O Continental GT é exatamente assim.

Ele é um carro feito para dirigir, no sentido de ser daqueles modelos que convidam a rodar quilômetros e mais quilômetros, sem destino definido, porque o que importa é o caminho.

Pode soar romântico, mas é isso que eu sinto ao conduzir um GT como este. Não é preciso andar muito rápido nem caçar o limite do chassi. Mesmo em velocidades baixas, o Continental GT entrega uma experiência muito gratificante.

Quem pensa que as mais de duas toneladas o tornam desconfortável, ou que ele entra em crise de identidade quando aumentamos o ritmo em uma estrada sinuosa, se engana. Impressiona o que o chassi consegue fazer, junto da suspensão a ar (de série), para tornar este GT competente também nesse tipo de situação.

Vale lembrar que este chassi partiu do do Porsche Panamera, embora, nesta geração (a anterior usava a base do Volkswagen Phaeton), a Bentley tenha participado de maneira bem mais ativa do desenvolvimento.

No modo Bentley (há quatro modos de condução: Personalizado, Conforto, Bentley e Esporte), que talvez seja o mais indicado para aproveitar o carro na estrada, a suspensão fica claramente mais firme, mas sempre com uma enorme dose de refinamento e serenidade.

Com o carro muito bem assentado no asfalto, dá para sentir que o peso está bem distribuído e, sobretudo, bem disfarçado - do ponto de vista dinâmico, este GT é muito bem resolvido.

Mas é no modo Esporte que a gente percebe, de fato, o que os engenheiros da Bentley fizeram: o mapeamento do motor parece ligeiramente diferente, o som do escape fica mais “rouco” e a suspensão se desprende um pouco das “amarras” do conforto para oferecer algo a mais.

Se você conseguir esquecer por um instante que está diante de um carro tão grande, pesado e caro, é intrigante notar o quão bem a Bentley acertou esse conjunto.

Eu escolheria o V8 em vez do W12

Voltando à minha afirmação de que o Bentley Continental GT que eu teria seria o cupê com motor V8, a parte do cupê se explica rápido: para mim, é a carroceria mais bonita deste modelo.

Eu gosto muito de conversíveis, mas existe algo nas linhas musculosas do Continental GT que me faz dar a vitória ao cupê.

Já sobre o motor, sem questionar a nobreza, a imponência e o impacto do W12 (6,0 l, 660 cv e 900 Nm), eu prefiro o V8 pela sua… leveza. São mais de 100 kg de diferença entre as duas versões, e quase tudo isso fica lá na frente, sobre o eixo dianteiro. E isso aparece na condução.

Sinto o Continental GT V8 mais “solto”, mais equilibrado e mais “usável” no dia a dia - posso estar cometendo uma tremenda injustiça…

Mesmo com quatro cilindros a menos, não falta “poder de fogo”: este V8 biturbo de 4,0 l entrega 550 cv e 770 Nm, enviados às quatro rodas por meio de um câmbio automático de dupla embreagem com oito marchas.

Outro ponto a favor do V8 é o consumo bem mais baixo: em velocidades consideradas normais, alternando rodovia e estradas secundárias, eu registrei média de 9,6 l/100 km.

Naturalmente, quando aumentei o ritmo, o consumo passou dos 15 l/100 km - não existe mágica. No fim das contas, estamos falando de um motor de oito cilindros.

Quando conduzi o Continental GT W12, o melhor que consegui foram médias por volta de 19 l/100 km, e cheguei a ver “picos” acima de 30 l/100 km.

Faz sentido falar do preço?

Falar de dinheiro quando se trata de um carro que ultrapassa os 400 000 euros sempre soa estranho. Até porque quem pretende comprar um Continental GT já sabe, por assim dizer, no que está se metendo. E com a lista de opcionais disponível, é muito fácil fazer o valor final subir.

Tirando a questão do preço, o Bentley Continental GT é uma escolha incontornável na categoria. Se você quiser ficar em terras de Sua Majestade, a alternativa mais esportiva é o Aston Martin DBS. Se a ideia for buscar outras latitudes, mais “latinas”, dá para considerar também o Ferrari Roma e o Maserati GranTurismo.

Uma coisa é certa: não faltam argumentos ao Bentley Continental GT. Ele impressiona pela forma como “pisa” no chão, pelo conforto e pela entrega de potência. Mas, acima de tudo, se impõe como uma verdadeira peça de engenharia, com materiais e acabamentos que simplesmente não estamos acostumados a ver em carros mais comuns.

É difícil encontrar defeitos, mas consigo apontar um ponto menos positivo: os bancos traseiros são pouco mais do que um adereço. O espaço lá atrás é realmente muito limitado e, no fim, você quase sempre vai usá-lo apenas para guardar casacos.

Veredito

Especificações Técnicas

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