Peruas esportivas são uma receita difícil de ignorar - mas a Volkswagen ID.7 GTX Tourer 100% elétrica realmente tem o que é preciso para entrar nesse time?
A ID.7 na configuração GTX se “entrega” logo no visual, com para-choques de pegada mais esportiva e áreas em preto brilhante. Na dianteira e na traseira, os emblemas da Volkswagen ficam iluminados, e o pacote inclui o IQ.LIGHT LED Matrix, além das luzes diurnas com desenho exclusivo.
Como opcionais, a ID.7 GTX Tourer pode vir com rodas aro 21 e com teto panorâmico capaz de alternar entre transparente e opaco, graças a uma película de cristal líquido posicionada entre dois vidros laminados.
Externamente, as medidas são as mesmas nas duas carrocerias (cinco portas e Tourer): 4,96 m de comprimento e 2,97 m de entre-eixos. Já o coeficiente aerodinâmico (Cx) favorece o sedã em relação à perua: 0,22 contra 0,25.
Interior amplo e mais esportivo
Na cabine, o toque esportivo das versões GTX aparece nos bancos com abas laterais mais pronunciadas, costuras vermelhas e acabamento em microveludo. O volante também é exclusivo da GTX, repetindo as costuras em vermelho.
Na lista de itens de série, entram o head-up display com realidade aumentada e a possibilidade de usar a navegação via Apple CarPlay ou Android Auto. O ar-condicionado automático de duas zonas também é padrão e, como opcional, pode ser estendido/direcionado para os ocupantes do banco traseiro.
A geração mais recente do sistema multimídia traz várias soluções de realidade aumentada, além de animações novas. Com o Volkswagen ID.7, aparece ainda um novo assistente de bordo (chamado de IDA), que permite acessar diferentes tipos de informação e também o ChatGPT (Inteligência Artificial).
A Volkswagen ID.7 GTX Tourer se beneficia de boa altura interna, e o entre-eixos “interminável” faz com que o espaço na segunda fileira esteja entre os mais generosos de toda a indústria automotiva.
No porta-malas, a ID.7 Tourer oferece 605 litros - 73 litros a mais do que na versão de cinco portas. Ao rebatê-lo banco traseiro (por meio das alavancas no próprio compartimento de bagagem), esse número pode chegar a 1714 litros.
Além disso, na Tourer há acessórios voltados à praticidade desse espaço, como um módulo para organizar as cargas - e evitar que deslizem com a ID.7 Tourer em movimento -, uma rede e uma base externa de fixação para bicicletas.
Mais potência e tração nas quatro rodas
Nas versões GTX, entra em cena um segundo motor elétrico no eixo dianteiro, garantindo tração integral. Somando ao motor traseiro de 210 kW (286 cv), essa unidade adicional entrega 80 kW (109 cv), levando a potência máxima do conjunto elétrico a 250 kW (340 cv).
Os dois motores recebem energia de uma nova bateria de íons de lítio - a maior capacidade já usada pela Volkswagen - com 86 kWh líquidos (91 kWh brutos). A mudança passa pela adoção de um módulo extra (total de 13). Em autonomia, a marca divulga (WLTP) 584 km para a ID.7 GTX Tourer (595 km no sedã).
Outro avanço está no carregamento: em carregador rápido (corrente contínua, ou DC), a potência pode chegar a 200 kW. Em corrente alternada (AC), o limite segue em 11 kW.
Primeiras impressões ao volante
Os primeiros quilômetros com a Volkswagen ID.7 GTX Tourer aconteceram nos arredores de Estocolmo, na Suécia. Já de cara, fica evidente o nível de capricho no isolamento acústico do interior.
Para isso, além da aerodinâmica mais trabalhada, a Volkswagen usa vidros duplos, tanto no para-brisa quanto nas janelas das portas dianteiras e traseiras. Mesmo acima de 120 km/h, dá para conversar a bordo sem precisar aumentar o tom de voz.
Também não surpreende que os 340 cv entreguem acelerações bem fortes (5,5s no 0 a 100 km/h) e, principalmente, imediatas - apesar de a ID.7 GTX Tourer passar de 2,3 toneladas. Com o modo Sport ativado, o pedal do acelerador responde com mais ímpeto logo no começo do curso.
Nas configurações GTX há ainda o modo Traction, que distribui o torque de forma mais cuidadosa em pisos com diferentes níveis de aderência, e uma evolução do controle de chassi VDM (Vehicle Dynamics Manager), com limites mais “permissivos” para controle de tração e estabilidade.
Uma calibração mais… GTX
Em relação às outras versões da linha ID.7, a grande diferença de condução na GTX está nos “músculos” sempre mais “tensionados”. Além do papel óbvio das rodas - com pneus 235/40 na frente e 265/35 atrás e aro 21″, duas polegadas a mais do que no ID.7 Pro S - os engenheiros da Volkswagen apontaram outros ajustes.
A direção com assistência progressiva, por exemplo, vem de série, varia a resposta conforme a velocidade da ID.7 e recebeu um acerto mais “pesado”.
Além disso, a Volkswagen ID.7 GTX Tourer adota barras estabilizadoras de maior diâmetro nos dois eixos, buchas mais rígidas e uma calibração de suspensão mais “firme”.
O sistema de amortecimento variável (DCC) também faz parte do pacote padrão das versões GTX (15 posições selecionáveis) e oferece uma faixa maior e uma diferenciação mais clara entre os modos do que em outros Volkswagen com o mesmo recurso.
É justamente esse conjunto que tem o “dom” de fazer a ID.7 GTX Tourer parecer mais ágil, esportiva e versátil - pelo menos, tanto quanto uma perua de quase cinco metros e com mais de 2,3 toneladas consegue ser.
Talvez o único ponto a criticar, ao exigir mais em uma condução mais dedicada, seja o tato do pedal do freio: ele é esponjoso e parece não “pegar” nos primeiros 25% do curso. Isso é parcialmente compensado pela desaceleração - no modo Sport ou na posição B da transmissão - oferecida pela regeneração.
Consumo e autonomia
Encerrando com um registro positivo, o consumo real do ID.7 surpreende de forma agradável, considerando massa e potência. Também pude dirigir o Pro S e obtive uma média abaixo de 16 kWh/100 km.
Com o GTX, no mesmo trajeto de 165 km, a média subiu para 20 kWh. Ainda assim, é um bom resultado, mesmo levando em conta que os limites de velocidade na Suécia são bastante austeros.
Na versão mais forte, esses números permitem imaginar que não deve ser muito difícil chegar aos 500 km de autonomia com a bateria cheia - mas apenas se o motorista se comportar “razoavelmente” bem.
Preço de topo de gama
No mercado português, os preços do novo ID.7 GTX partem de 71 943 euros. É cerca de 10 000 euros acima do ID.7 Pro (77 kWh) e 5000 euros acima do Pro S, que usa a mesma bateria do GTX, mas está disponível apenas com tração traseira.
A carroceria mais familiar da Volkswagen ID.7 GTX Tourer pede um acréscimo em torno de 700 euros em relação ao sedã de cinco portas.
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