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Análise comparativa dos telescópios TRAPPIST e do Telescópio Himalai «Chandra» indica que, nos últimos 13 anos, o cometa 103P perdeu mais de metade da sua atividade

Homem analisando imagens de galáxia em dois monitores de computador em ambiente de trabalho.

Análise comparativa dos telescópios TRAPPIST e do Telescópio Himalai «Chandra» indica que, nos últimos 13 anos, o cometa 103P perdeu mais de metade da sua atividade

Um consórcio internacional de astrónomos realizou uma comparação minuciosa entre a composição química e o grau de atividade de dois cometas bem conhecidos da família de Júpiter: 67P/Churyumov–Gerasimenko e 103P/Hartley (Hartley-2). Para isso, a equipa recorreu aos telescópios robotizados TRAPPIST (Transiting Planets and Planetesimals Small Telescope) e ao Telescópio Himalai «Chandra» (HCT), observando como esses corpos se comportaram durante as suas passagens mais recentes pelo periélio (o ponto de maior aproximação ao Sol).

O objetivo do trabalho foi detetar se o “cardápio” dos cometas - isto é, o conjunto de substâncias libertadas - se altera a cada nova órbita em torno da estrela.

O que foi comparado com TRAPPIST e HCT

As observações trouxeram uma evolução inesperada no caso do cometa 103P/Hartley. Mesmo sendo descrito como um objeto jovem e muito ativo, entre 2010 e 2023 a intensidade da emissão de gás e poeira diminuiu em, no mínimo, 50%.

Já o cometa 67P, que ganhou notoriedade com a missão Rosetta, exibiu uma ligeira subida de atividade em 2021 quando comparado com 2015. Os investigadores atribuem esse aumento a uma alteração microscópica na órbita: a distância do periélio encolheu de 185 para 181 milhões de quilómetros, o que fez com que o núcleo gelado passasse a “evaporar-se” com maior vigor.

Coma do cometa: composição química, modelo de Haser e poeira (Afρ)

Para examinar a composição da coma cometária (a nuvem de gás e poeira que envolve o núcleo), os cientistas aplicaram o modelo de Haser, usado para estimar as taxas de produção de cinco componentes gasosos essenciais. Entre eles estão o cianeto (CN) e o carbono molecular (C2, C3).

Apesar das variações grandes no volume total de material expelido por 103P, a composição química relativa de ambos os cometas não se alterou. Isso sugere que o material interno dos núcleos está distribuído de forma homogénea e que, mesmo com o esgotamento gradual dos recursos, o cometa continua a libertar as mesmas substâncias nas mesmas proporções.

Um ponto adicional do estudo foi a avaliação das partículas de poeira por meio do índice Afρ (um parâmetro que descreve a densidade de poeira na coma). A análise da cor da nuvem de poeira não apontou mudanças relevantes entre diferentes passagens pelo periélio, em nenhum dos dois objetos. As propriedades dos grãos ejetados mantêm-se típicas da sua família, reforçando que a natureza física do material sólido dos cometas não se transforma com o tempo - mesmo quando a intensidade do seu “fôlego” enfraquece rapidamente, como aconteceu com o Hartley-2.


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