Registro inédito da vespa Exephanes ischioxanthus em Baião, Portugal
Um biólogo acostumado a fotografar e catalogar espécies animais em Portugal identificou, em Baião, a vespa "exephanes ischioxanthus", no que passa a ser o primeiro registro já feito no país.
O registro fotográfico foi realizado em 2020 por Daniel Ferreira, pesquisador do Laboratório da Paisagem, em Guimarães, em uma área de Baião (distrito do Porto) inserida na Paisagem Protegida da Serra da Aboboreira. A confirmação deu origem a um artigo assinado também pelo biólogo José Manuel Grosso-Silva, publicado em abril na revista Arquivos Entomolóxicos.
Daniel Ferreira destacou à Lusa que este é o primeiro registro da espécie em Portugal, agora efetivamente confirmado.
Distribuição europeia e relevância do achado
"Pertence a uma família que tem milhares e milhares de espécies, muito semelhantes umas com as outras. (...) [Esta] é muito distribuída pela Europa, de forma bastante ampla, até, com registos em Espanha, o mais próximo na Galiza. Mas, para Portugal, realmente não tinha", disse.
De acordo com o pesquisador, a principal importância da validação é permitir "validar mais um registo tão ocidental" no contexto do mapeamento da distribuição europeia. Ele acrescentou que o mais provável é que a espécie já estivesse espalhada em Portugal e que não se trata de "uma espécie invasora, exótica, como por vezes são trazidas pelo homem".
No artigo, os autores lembram que a espécie já havia sido confirmada em países como Bélgica, Alemanha, França, Luxemburgo, Países Baixos, Polônia, Eslovênia, Eslováquia, Espanha e Reino Unido.
Características, papel ecológico e ciência cidadã
"É uma espécie parasitóide, de algumas espécies de borboletas, e até pode ajudar a controlar essa espécie, que às vezes, em termos agrícolas, pode ter algum impacto", afirmou.
O Museu Nacional de Ciências Naturais, em Madri, mantém depositado um exemplar coletado em 1915, que evidencia características marcantes desse inseto da subfamília "Ichneumoninae": coloração predominantemente preta, com marcas brancas em alguns pontos.
Sem representar risco ou a possibilidade de impactos negativos, a descoberta também motivou Daniel Ferreira a fazer um apelo "ao cidadão comum, que pode fazer registos, participar, contribuir para os dados científicos". Ele citou como exemplo a plataforma em que enviou as fotos do registro, a iNaturalist, que é gratuita.
"Hoje em dia, em Portugal, já temos cada vez mais estudos focados em insetos, já se percebe o seu papel ecológico, em várias questões, vários serviços que prestam em ecossistemas. Tem-se falado muito da polinização, dos polinizadores. (...) Já se está a começar a trabalhar mais, e quanto mais se trabalha, mais se percebe que é mesmo uma urgência, e existe ainda muito trabalho para ser feito", acrescentou.
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