Pentágono fecha acordos com sete empresas de IA
O Pentágono informou na sexta-feira que fechou acordos com sete companhias de ponta em inteligência artificial (IA) para levar essas tecnologias a redes militares classificadas - uma decisão que, de forma explícita, deixa a Anthropic de fora em meio ao embate em andamento com o Departamento de Defesa dos Estados Unidos.
Segundo um comunicado, SpaceX, OpenAI, Google, Nvidia, Reflection, Microsoft e Amazon Web Services serão integradas aos sistemas classificados mais sensíveis do Departamento de Defesa, usados no planejamento de missões, no direcionamento de armas e em outras finalidades. O texto não citou a Anthropic, que trava uma disputa com o Pentágono sobre as diretrizes que determinam como os militares podem empregar suas ferramentas de IA.
Anthropic, Claude e a disputa com o Departamento de Defesa
Hoje, as Forças Armadas americanas ainda utilizam IA da Anthropic, mas vêm reduzindo gradualmente essa dependência desde que a empresa se posicionou contra o uso de sua tecnologia para vigilância doméstica em massa ou para controlar diretamente armas autônomas letais. No começo deste ano, o Pentágono passou a classificar a startup de IA como um risco à cadeia de suprimentos, vetando seu uso tanto pelos militares dos EUA quanto por contratados.
Em fevereiro, Trump orientou o governo a "cessar imediatamente" o uso da tecnologia da Anthropic - um rótulo normalmente aplicado a organizações de países estrangeiros considerados hostis. "O que aprendemos... é que é irresponsável depender de um único parceiro", disse Emil Michael, diretor de tecnologia do Pentágono, à CNBC.
Michael também afirmou que os acordos reúnem uma combinação de modelos fechados e de código aberto. Uma fonte com conhecimento do assunto disse à agência France-Presse que o modelo de código aberto seria fornecido pela Nvidia e pela empresa de IA Reflection. Por não exigirem taxas contínuas de licenciamento nem dependerem de acesso permanente a fornecedores, os modelos de código aberto ampliam a flexibilidade operacional do Pentágono e diminuem a dependência de um único provedor comercial.
O modelo de IA da Anthropic, Claude - que não é de código aberto - era o único autorizado para uso em operações militares classificadas e segue em funcionamento. Agora, a empresa contesta na Justiça as medidas punitivas adotadas pelo Pentágono.
"Melhorar a tomada de decisões"
Antes do anúncio de sexta-feira, havia sinais de que o atrito estava diminuindo. Trump disse na semana passada acreditar que o governo se daria "muito bem" com a Anthropic, depois que o CEO Dario Amodei foi à Casa Branca para conversas que um porta-voz descreveu como "produtivas e construtivas".
Na comunicação divulgada hoje, porém, os acordos com concorrentes da Anthropic foram apresentados como parte central do esforço do governo Trump para construir o que chamou de "força de combate focada na IA". As integrações, afirmou o Pentágono, "otimizariam a síntese de dados, elevariam a compreensão situacional e melhorariam a tomada de decisões dos combatentes".
O Pentágono acrescentou que sua plataforma GenAI.mil - descrita como o sistema oficial de IA do órgão - já foi usada por mais de 1,3 milhões de funcionários do Departamento, gerando dezenas de milhões de solicitações e acionando centenas de milhares de agentes em cinco meses.
Pressão interna na Google e o histórico do Projeto Maven
Na segunda-feira, mais de 600 funcionários da Google cobraram que a empresa recusasse o acordo com o Pentágono. Em 2018, uma mobilização de empregados já havia levado a Google a abandonar o Projeto Maven, programa do Pentágono voltado a incorporar IA às operações com drones. Nos últimos anos, a companhia começou a mudar sua estratégia, recompondo gradualmente seus negócios militares e disputando com rivais contratos na área de defesa.
Atualmente, o Projeto Maven é liderado pela empresa de IA Palantir e se transformou em um sistema, assistido por IA, de gestão de alvos e de campos de batalha, que acelerou drasticamente a cadeia de destruição - o caminho que vai da detecção inicial até a destruição. Durante a Operação Fúria Épica contra o Irã, o Maven teria viabilizado o processamento de mais de mil alvos nas primeiras 24 horas.
Um porta-voz da Amazon Web Services declarou que a empresa está comprometida em apoiar as Forças Armadas e espera contribuir para que o Departamento de Defesa se modernize com IA. As demais companhias não responderam de imediato aos pedidos de comentário.
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