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Audi A6 Avant 50 TFSIe híbrida plug-in: teste em rodovia e consumo real

Carro Audi A6 PHEV cinza estacionado em showroom moderno com carregador elétrico ao lado.

A Audi A6 Avant com motor a diesel nos surpreendeu no segundo episódio da série “Hit The Road”, da Razão Automóvel, tanto pelo fôlego de estrada quanto por ter cruzado toda a EN 2 usando só um tanque - a pergunta é se a A6 Avant híbrida plug-in testada aqui consegue ocupar bem esse lugar.

Com as opções a diesel sumindo aos poucos, várias marcas passaram a empurrar as versões híbridas plug-in como solução para quem roda muitos quilômetros e quer gastar menos combustível.

No “papel”, parece que elas têm mesmo todas as credenciais. O ponto é descobrir se, no “mundo real”, as promessas se confirmam.

Sóbria, como sempre

Por fora, quase nada entrega que esta A6 Avant 50 TFSIe é híbrida plug-in. Na prática, as diferenças ficam por conta da portinhola de recarga e dos emblemas específicos na traseira.

Por dentro, a lógica se repete - e isso é uma boa notícia. O acabamento passa uma sensação de sofisticação e a solidez chama atenção, inclusive no toque e na resposta dos comandos.

Mesmo rodando apenas com o motor elétrico, o silêncio na cabine é absoluto e não aparecem ruídos parasitas. Tudo no interior da alemã reforça a ideia de que ela foi “feita para durar”.

Além disso, a A6 Avant mostra que dá, sim, para trocar botões físicos por telas sensíveis ao toque sem destruir a ergonomia. A segunda tela, posicionada abaixo do sistema de infoentretenimento, é a responsável por comandar o ar-condicionado.

Grande, mas não é a que tem mais espaço

Com quase 5 metros de comprimento (precisamente 4,93 m), a Audi A6 Avant está bem longe de ser pequena - algo que ficou ainda mais claro quando precisei estacionar pela primeira vez e descobri que esta unidade não tinha câmera de ré.

Ainda que as dimensões sejam generosas e o espaço interno seja bom, ela não é referência no segmento. Um exemplo é a Skoda Superb Break iV, que consegue oferecer mais espaço na cabine mesmo sendo um pouco menor por fora.

Para quatro adultos, dá conta do recado. O problema é que o túnel central se mostrou intrusivo demais e a eletrificação “cobrou” seu preço no porta-malas: dos 565 l originais, caiu para 405 l - pouco mais do que entrega o Audi A3.

A “rainha” da autoestrada

Quando o Fernando Gomes testou o Audi A6 40 TDI, ele o chamou de “The Lord of the Autobahn”. Depois de alguns dias guiando a A6 Avant, deu vontade de pegar esse título emprestado para este teste.

Ela parece flutuar sobre o asfalto, de tão alto que é o nível de conforto e isolamento. E o jeito como roda “convida” a encarar longas distâncias em rodovia sem paradas, tamanha a facilidade com que mantém o ritmo.

Com 299 cv e 450 Nm de potência máxima combinada, o conjunto híbrido plug-in da A6 Avant 50 TFSIe faz a gente esquecer que ela pesa 2085 kg - e, com rapidez, coloca o carro em velocidades mais compatíveis com as autobahn alemãs do que com as rodovias portuguesas.

A entrega imediata de torque do motor elétrico (350 Nm) lembra, em parte, aquela disponibilidade típica dos diesel em baixa rotação: o desempenho vem sem esforço e as ultrapassagens acontecem com muita rapidez.

E não é só um carro “de reta”. Graças ao eficiente sistema de tração integral quattro, a A6 Avant faz curvas em um ritmo bem mais alto do que se esperaria de um modelo tão grande e pesado.

É verdade que o carro testado não tinha amortecimento variável. Mas, diferente do que ocorreu com o controle de cruzeiro adaptativo e com a câmera de ré, este foi um item cuja falta eu não senti, porque a suspensão passiva entrega um equilíbrio muito competente entre conforto e comportamento dinâmico.

E os consumos?

Eu abri este texto perguntando se esta híbrida plug-in dá para “esquecer” os diesel. Se em desempenho a eletrificada tem vantagem, em consumo a disputa fica bem mais “equilibrada” do que poderia parecer no começo.

Sim: com a bateria cheia, dá para ver médias na casa de 1,5 l/100 km (e consumo elétrico na casa dos 20 kWh/100 km). O que realmente importa, porém, é entender o que acontece quando a bateria acaba.

A A6 Avant 50 TFSIe promete 68 km de autonomia elétrica - algo que não dá para cumprir em rodovia; comigo, não passou de 40 km.

Quando a carga se esgota e o motor a combustão (2.0 TFSI) assume a tarefa, terminei o teste com média de 6,5 l/100 km, com muitos quilômetros rodados no seu “habitat natural”.

Mais do que isso: em um trecho de rodovia, cheguei a registrar média de 5,9 l/100 km.

Já quando resolvi explorar de verdade as capacidades dinâmicas da Audi, vi as médias “subirem” para perto de 8 l/100 km - e tudo isso com a bateria “no osso”.

É o carro certo para si?

Com porta-malas menor e preço de compra mais alto do que o da versão a diesel, a Audi A6 Avant híbrida plug-in me parece fazer mais sentido para quem, no dia a dia, precisa necessariamente rodar dezenas de quilômetros em centros urbanos.

Nesse uso, o modo elétrico pode gerar uma economia muito maior do que qualquer diesel. Ainda assim, a surpresa é o apetite contido em rodovia - que pode melhorar mais se você usar o modo híbrido (desde que ainda haja energia na bateria).

Para quem quase não anda na cidade e passa a maior parte do tempo na rodovia, o diesel ainda tem “o que dizer”. Afinal, os consumos continuam baixos, a autonomia total é bem maior… e o porta-malas também.

Como em outros híbridos plug-in, esta alemã acaba sendo especialmente interessante para clientes empresariais. Para esse público, existe um conjunto de incentivos que ajuda a fechar negócio por um valor mais “amigável” e, talvez, mais coerente com a oferta um pouco enxuta de equipamentos de série.

Atualizado em 12 de agosto de 2022: o valor da capacidade do porta-malas foi corrigido. É de 405 l e não 360 l.

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