No mercado desde 1999, o Skoda Fabia sempre acumulou elogios - ainda assim, em Portugal, costuma ser empurrado para um “papel secundário” em um segmento frequentemente liderado por carros como o Peugeot 208 ou o Renault Clio.
Nesta geração mais recente, a marca tcheca quer virar esse jogo. Como o Miguel Dias nos contou na apresentação internacional, o Fabia é o “rei do espaço” do segmento, o mais aerodinâmico e também aquele que oferece um nível elevado de tecnologia.
Mas isso basta para o modelo tcheco assumir o posto de “rei” em uma categoria tão disputada? É isso que vamos conferir.
Sóbrio, mas evoluído: o Skoda Fabia
Por curiosidade, a geração anterior do Fabia foi o primeiro carro que testei na Razão Automóvel - por isso, encarei este ensaio com alguma expectativa. A boa notícia é que ele não me decepcionou.
No visual, o Fabia parece mais “adulto”, sem abrir mão da sobriedade que sempre marcou o modelo. A adoção da plataforma MQB-A0 deu ao carro proporções mais “musculadas” e, na minha opinião, o resultado final ficou bem resolvido.
É por dentro, no entanto, que a evolução em relação ao Fabia anterior aparece com mais força. O desenho ficou bem mais atual e, diferentemente do que se vê em alguns rivais, essa modernidade não atrapalha a ergonomia nem a facilidade de uso.
A montagem não dá margem a críticas, mas o revestimento interno usa, em sua maioria, plásticos duros - nesse ponto, os franceses fazem melhor…
O “rei do espaço” no segmento
Se o Fabia anterior já não deixava a desejar em espaço interno, agora ele se firma como uma das referências da categoria, aproveitando ao máximo a nova plataforma.
O porta-malas, com 380 l, se aproxima do que muitos modelos do segmento C entregam. Já o espaço na segunda fileira (e o acesso aos bancos traseiros) facilita levar dois adultos ou instalar cadeirinhas infantis sem precisar de “malabarismos”.
É uma pena que, na versão “First Edition” que testamos, os ocupantes atrás não tivessem “direito” a vidros elétricos - algo que já virou raridade hoje em dia.
Outro detalhe do Fabia avaliado foi a adoção de comandos giratórios no ar-condicionado: pode não parecer a solução mais sofisticada, mas é bem mais simples e intuitiva no uso diário.
A lista de ausências desta unidade também incluiu o freio de estacionamento elétrico e a câmera de ré, algo que pode ter relação com a escassez de semicondutores. Por fim, o enorme teto panorâmico de vidro merecia uma cortina, o que ajudaria no conforto térmico a bordo.
Fácil de dirigir e econômico
Apesar de usar a mesma plataforma MQB-A0 do “primo” SEAT Ibiza, o Fabia não chega ao mesmo patamar dinâmico - ainda assim, vale elogiar a estabilidade e a previsibilidade das reações do modelo tcheco.
A calibração da suspensão e o amortecimento priorizam o conforto, e isso se soma a uma direção bem leve, deixando claro que ele foi pensado para ser muito fácil de conduzir.
Essa proposta fica ainda mais evidente na rodovia: mesmo sendo um compacto, o Skoda Fabia rodou com bastante tranquilidade - estável e confortável - e chega a “convidar” a encarar viagens longas.
Parte importante desse resultado vem do motor 1.0 TSI, aqui na configuração de 110 cv, trabalhando com um câmbio manual de seis marchas bem escalonado e muito macio.
Com a missão de mover pouco mais de uma tonelada, o 1.0 TSI garante um desempenho bem interessante para o Fabia.
As acelerações acontecem com boa rapidez, e os 200 Nm de torque disponíveis entre as 2000 rpm e as 3000 rpm ajudam tanto nas ultrapassagens quanto para manter velocidades de cruzeiro mais altas com muito à vontade.
O melhor é que, mesmo sendo esperto, o 1.0 TSI não se mostrou especialmente gastão.
Em nenhum momento vi os consumos passarem muito de 6,7 l/100 km, e o mais comum foi registrar 5,1 l/100 km em trajetos mistos - e isso sem que economia fosse a minha maior preocupação.
É o carro certo para mim?
Desde o lançamento da primeira geração, o Skoda Fabia quase que personifica ao pé da letra a ideia de “utilitário”, termo frequentemente usado para os modelos do segmento B. E nesta quarta geração ele continua seguindo essa receita.
Com bom espaço e foco em conforto, o novo Skoda Fabia avança em todos os aspectos em relação ao antecessor e, acima de tudo, passa a ter argumentos de sobra para enfrentar as referências e ganhar cada vez mais protagonismo no segmento - ainda não é o “rei”, mas chega bem perto.
Quanto ao 1.0 TSI de 110 cv, é a escolha mais equilibrada para quem não roda apenas na cidade, sendo também uma alternativa competente para encarar deslocamentos mais longos.
Nota: As imagens usadas neste teste são oficiais da marca e não correspondem exatamente à unidade testada por nós.
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