O tema voltou à tona durante a conferência anual de acionistas da Tesla, chamada 2023 Cyber Roundup, quando Elon Musk retomou o assunto do objetivo ambicioso de vender 20 milhões de Tesla por ano, além de outras projeções e metas.
Essa meta foi mencionada pela primeira vez por Musk em 2020, no Battery Day. Assim como naquela ocasião - e também agora -, não foi indicado nenhum prazo para que ela seja atingida, embora a mensagem venha sendo repetida nos eventos da Tesla.
Será possível?
Vale colocar esse número em perspectiva. Em 2022, o grupo que mais vendeu automóveis foi a Toyota, com 10 729 298 unidades no total - considerando também Lexus, Daihatsu e a Hino (caminhões).
Em outras palavras, o objetivo colocado por Elon Musk para a Tesla é vender aproximadamente o dobro do que vende a gigante Toyota ou, alternativamente, vender tanto quanto a Toyota e o Grupo Volkswagen somados.
O bom senso faz surgir a pergunta: isso é realmente viável? Para passar da marca de 10 milhões de unidades vendidas por ano, a Toyota conta com várias marcas, dezenas e dezenas de modelos e uma cobertura comercial que alcança (praticamente) todos os países do mundo.
A Tesla, por sua vez, tem cinco modelos - Model S, Model 3, Model X, Model Y, Semi - com um sexto, a Cybertruck, a caminho; e está longe de atuar em tantos mercados quanto a Toyota. Além disso, seus veículos são exclusivamente elétricos, e a adoção da mobilidade elétrica não avança no mesmo ritmo em todas as regiões.
Dentro do portfólio, apenas dois modelos são, de fato, de grande volume: o Model Y e o Model 3 - e ambos ficaram entre os 10 veículos mais vendidos do planeta em 2022. No total, a Tesla comercializou 1,31 milhões de unidades no ano passado.
Para este ano, o cenário é animador: a marca norte-americana projeta chegar a dois milhões de unidades vendidas. Ainda assim, para alcançar 20 milhões, seria necessário vender 10 vezes mais.
Vão precisar de mais modelos
Para se aproximar do patamar de 20 milhões de unidades por ano, a Tesla terá de lançar muitos outros modelos e também entrar em muito mais mercados.
Um desses veículos já é conhecido há alguns anos: a picape Cybertruck. Segundo Musk, a produção está quase (e finalmente) começando, com as primeiras entregas prometidas para este ano, conforme afirmou na conferência.
Musk também disse esperar vender entre 250 mil e 500 mil Cybertruck por ano. É uma faixa ampla - e isso sugere que, dentro da Tesla, também existe incerteza sobre o nível de aceitação dessa picape radical pelo mercado.
Como referência, a Ford F-Series (inclui F-150, F-250, F-350), líder absoluta mundial entre as picapes, vendeu 640 mil unidades em 2022. E nessa conta já entra a F-150 Lightning, a versão elétrica.
Model 2 confirmado?
A contribuição da Tesla Cybertruck tende a ser relevante, mas não suficiente para sustentar a meta de 20 milhões de unidades ao ano. É aí que entra o muito comentado Model 2 (o nome final ainda não é conhecido).
Ele foi um dos grandes “ausentes” do Investor Day de alguns meses atrás, mas isso não quer dizer que não esteja em desenvolvimento. Musk ainda não o apresentou - deverá haver um evento dedicado a isso -, mas acabou anunciando dois novos modelos aos acionistas.
Durante o anúncio, foi exibida a imagem da silhueta de um modelo (abaixo). Não parece ser o futuro Model 2; lembra, sim, o conhecido Model 3, que - como já informamos anteriormente - deve receber ainda este ano uma renovação importante.
Sobre os dois novos modelos, Musk não trouxe detalhes concretos, mas demonstrou empolgação: “acho que vão ficar excitados com os dois novos produtos; tanto o design como as técnicas de fabricação estão acima de qualquer outras presentes na indústria…”
Ainda assim, o que mais chamou atenção foram as estimativas dele sobre o quanto esses dois novos modelos poderiam elevar os volumes de vendas da Tesla.
“Se tivesse de adivinhar, só com estes dois novos produtos, faremos provavelmente (…) mais de cinco milhões de unidades por ano combinadas.”
Elon Musk, diretor executivo da Tesla
Dividindo os cinco milhões de forma equilibrada, isso implicaria que cada um desses dois novos modelos venderia cerca de 2,5 milhões de unidades por ano.
Mais uma vez, vale o contexto. O Toyota RAV4 foi o modelo mais vendido do mundo em 2022, passando ligeiramente de um milhão de unidades. Logo atrás veio o Corolla, que ficou a menos de 10 mil unidades de atingir um milhão.
Bom senso
Os números que Elon Musk vem sugerindo para a Tesla e, agora, para esses dois futuros modelos são, no mínimo, extremamente ambiciosos. Na indústria, são inéditos - o que naturalmente leva a questionar a viabilidade.
Apesar do crescimento meteórico da Tesla ao longo de uma década - de praticamente zero para mais de um milhão de unidades -, a montadora precisaria crescer de forma exponencial para alcançar, em tempo útil, o objetivo de 20 milhões de unidades por ano.
E isso ainda significaria deixar muitos fabricantes e até grupos automotivos para trás. Afinal, 20 milhões representam quase 30% do total de vendas do mercado automotivo mundial atual (75 milhões automóveis vendidos em 2022).
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