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Tesla Model S Plaid surpreende pela emoção da performance, mas convence pela razão

Carro elétrico Tesla Model S Plaid vermelho em exposição interna com prédios visíveis ao fundo.

Falar do Tesla Model S Plaid sem encarar o “elefante na sala” é praticamente impossível: são 750 kW (1020 cv) e uma arrancada absurda de 0 aos 100 km/h em só 2,1s.

Ele é capaz de deixar supercarros para trás e, para muita gente, isso por si só já justificaria a compra. Só que, acredite, os trunfos desse modelo vão muito além disso e passam também pelo lado… racional.

Durante uma semana, convivi com o Tesla mais esportivo de todos. Dirigi do jeito que ele “pede” para ser guiado, mas também o usei como carro de rotina, no dia a dia.

A ideia era simples: entender se o Tesla Model S Plaid realmente consegue atingir o equilíbrio difícil entre razão e emoção.

Um “lobo em pele de cordeiro”

Por fora, o Plaid é discreto - discreto demais, talvez, para o “poder de fogo” que esconde. Ao contrário do que acontece em outros carros de alta performance, a Tesla evitou a tentação de apelar para exageros visuais.

Em relação aos Model S “normais”, o Plaid se diferencia basicamente pelas pinças de freio vermelhas, pelo aerofólio traseiro em fibra de carbono e pelo logotipo na tampa do porta-malas. E só.

O novo nem sempre é melhor

Ao entrar na cabine, dá para afirmar que não existe conversa sobre o interior do Tesla Model S Plaid sem tocar no controverso volante Yoke, que vinha de série, mas que agora (ainda bem) virou opcional.

Depois de alguns dias usando, para mim ele é totalmente dispensável.

É verdade que combina com o visual futurista do habitáculo, mas na prática não convence - principalmente na cidade, ao contornar rotatórias ou durante manobras.

A Tesla já foi muito elogiada pela capacidade de inovar, mas a marca de Elon Musk não precisava ter tentado reinventar o volante.

E como se o Yoke não fosse suficiente para gerar discussão, a Tesla também abriu mão das hastes na coluna de direção que servem para acionar as setas e os limpadores de para-brisa. Para onde foram esses comandos? Para o volante.

Resultado: a usabilidade piora bastante, sobretudo em rotatórias, e em alguns momentos isso chega a obrigar a sair delas sem sinalizar corretamente a manobra.

Qualidade em alta

Se, em geral, a Tesla costuma ser criticada quando o assunto é qualidade e sensação geral de acabamento, este Model S Plaid mostra uma evolução clara.

Agora, sim, ele está em um patamar compatível com o status de topo de linha. Os materiais agradam ao toque e aos olhos; o tato e a resposta dos comandos passam uma sensação de solidez; e a ausência de ruídos parasitas dos plásticos indica cuidado na montagem.

Mais uma vez, porém, a ergonomia fica devendo a partir do momento em que não há nenhum comando físico e tudo se concentra na enorme tela de 17”. Leva um tempo para se acostumar, mas operar o sistema pela tela é simples e intuitivo.

Isso acontece em grande parte porque a tela central funciona de um jeito muito parecido com um smartphone. O ponto negativo é o tamanho dos ícones do sistema de navegação e do Spotify, que poderia ser melhor.

Espaço não lhe falta

Mesmo com o SUV Model X ocupando o papel de opção mais familiar da linha, o Tesla Model S Plaid está longe de decepcionar em espaço interno - pelo contrário.

Há bastante espaço tanto na frente quanto atrás, e dois adultos conseguem viajar com conforto nos bancos traseiros.

O porta-malas, com 709 litros, é referência. Soma-se a isso o porta-malas dianteiro, com 89 litros - uma solução que, infelizmente, muitos fabricantes ainda não adotaram.

Elétrico para longas viagens

Com seis modos de condução - Relaxado, Desportivo, Plaid, Pista, Drift e Drag Strip - o modelo da Tesla vira um verdadeiro “camaleão”, mudando de acordo com o cenário de uso e, claro, com a vontade de quem está ao volante.

O bom senso - e as condições de trânsito - pediam que os primeiros quilômetros no Model S fossem no modo “Relaxado”. Curiosamente, foi justamente ele que acabou me surpreendendo mais.

Com esse modo ativado, o Model S Plaid fica fácil de conduzir: a entrega de torque acontece com suavidade e as qualidades “de família” do topo de gama da Tesla aparecem com clareza.

Aliás, com médias na casa dos 23,5 kWh/100 km e um nível de conforto bem alto, o Tesla Model S Plaid se sente como “peixe na água” na rodovia, convidando a encarar viagens longas.

Atenção: mesmo nesse modo, o Model S Plaid continua muito rápido - só fica mais “civilizado”. No modo “Desportivo”, começamos a enxergar um pouco melhor o que ele é capaz de fazer, mas é no “Plaid” que a razão sai completamente de cena.

Apertem os cintos

Assim que selecionamos o modo “Plaid”, o acelerador passa a responder de forma muito mais sensível e a potência disponível aumenta.

A cada toque do pé direito, o Model S Plaid dispara de um jeito impressionante, gruda o corpo no banco e faz bater a curiosidade: como será no modo “Drag Strip”?

Depois de algum tempo procurando a “estrada perfeita” - ou seja, uma reta vazia e com bom asfalto - chegou a hora de escolher esse modo.

Até ativar o “Drag Strip” vira um “evento”: ao selecioná-lo, acessamos o “Launch Control”. Depois de acionado, uma luz no painel de instrumentos lembra que a bateria está sendo levada à temperatura ideal - um procedimento que, no meu caso, foi até bem rápido.

Feito isso, só resta segurar o volante e… cravar o acelerador. Mesmo depois de assistir a vários vídeos dessa arrancada, nada prepara para sentir esse “disparo” ao vivo.

O corpo inteiro fica “colado” ao banco e o Model S Plaid ganha velocidade de um jeito indescritível, até que o bom senso fala mais alto e faz a gente aliviar o pé.

Nas tentativas seguintes, já mais “preparado” para o que vem, o impacto é menor - mas não menos impressionante. A aceleração forte segue contínua mesmo em velocidades mais altas, e a estabilidade mostrada nesses momentos também chama atenção.

Por fim, tanto o modo “Pista” quanto o “Drift” dão mais destaque ao eixo traseiro - cada roda tem o seu próprio motor. O primeiro acentua a tendência ao sobresterço; já o segundo é melhor deixar para um ambiente controlado.

E nas curvas?

Que os Tesla aceleram de forma impressionante, isso já se sabe há muito tempo. O que também tem sido notável é a evolução das propostas da marca de Elon Musk em comportamento dinâmico.

Para começar, há uma direção ajustável em três níveis - Conforto/Normal/Desportivo - que permite adequar o peso ao estilo de condução.

Rápida e direta na medida certa, a direção acaba prejudicada pelo… volante Yoke, sobretudo em trajetos sinuosos.

Nessas estradas, a suspensão pneumática com amortecedores adaptativos e quatro modos (Conforto, Auto, Desportivo e Avançado) faz jus ao que promete e entrega um bom equilíbrio entre conforto e comportamento.

Não, ele não coloca o Tesla Model S Plaid no nível de um Porsche Taycan, mas já permite encarar um trecho sinuoso sem medo. Ele pode ser um carro americano, mas dá para deixar de lado o estereótipo de que só gosta de retas.

Na frenagem, a adoção de discos carbo-cerâmicos garante que parar as mais de duas toneladas do Model S Plaid seja simples, com destaque para a resistência à fadiga.

Caro? Depende do ponto de vista

Os 141 990 euros do preço-base do Tesla Model S Plaid são um valor alto. Ainda assim, quando olhamos para os concorrentes e, principalmente, para os números, o modelo da Tesla está longe de ser “caro”.

Para começar: que outro carro entrega 1020 cv e desempenho no nível do Tesla Model S Plaid por um valor tão baixo?

Além disso, o modelo da Tesla traz uma lista de equipamentos completa, é espaçoso, versátil e… custa menos do que os rivais mais prováveis, que por sua vez ficam longe de oferecer as mesmas prestações.

Neste momento, em Portugal, além do Porsche Taycan Turbo S (761 cv), apenas os mais luxuosos e de um segmento acima BMW i7 M70 (660 cv) e Mercedes-AMG EQS 53 (761 cv) se aproximam dos números do Model S Plaid.

Mas custam bem mais. O Taycan Turbo S parte perto dos 196 200 mil euros, o i7 M70 dos 188 mil euros e o EQS 53 dos 180 850 euros.

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