O universo dos restomod segue em alta e, rumo à Monterey Car Week, aparece um dos exemplos mais curiosos dessa “tendência”. Ele atende pelo nome de Spectre Type 10 e, no fim das contas, serve como um exercício de imaginação: como poderia ser um MINI clássico caso várias das ideias do seu criador tivessem sido deixadas de lado.
Isso porque o MINI original “rompeu” com a noção de que carros pequenos precisavam ter motor e tração traseiros, adotando tração dianteira e motor dianteiro em posição transversal. Já o projeto mais recente dos canadenses da Spectre Vehicle Design “inverteu” quase tudo o que Alec Issigonis desenhou em 1959.
Arquitetura invertida do MINI clássico
Na prática, o motor saiu da dianteira e passou para uma posição central traseira, enquanto o eixo responsável por empurrar o pequeno britânico deixou de ser o dianteiro e passou a ser o traseiro.
K20
E, em vez do tradicional A-Series da BMC (presente, por exemplo, no Mini Remastered Oselli Edition), o conjunto mecânico foi substituído por um propulsor que vem diretamente do Japão.
O escolhido é o K20 da Honda, o mesmo motor usado no Honda Civic Type R EP3 (sim, o mesmo do Civic Atomic Cup, na especificação K20A2). De acordo com a Spectre Vehicle Design, no Spectre Type 10 o motor japonês entrega 230 cv, um número que sugere que pode se tratar do motor do Civic Type R com alguns “pozinhos” a mais.
Colocar 230 cv em um Mini clássico é algo “arrepiante”, especialmente se comparado aos pouco mais de 70 cv dos Cooper S de antigamente. O K20 trabalha com um câmbio manual de seis marchas e, como já mencionado, o eixo traseiro é o motriz - e nele há um diferencial autoblocante. Para completar, as rodas mantêm as 10” de diâmetro do modelo original, e os pneus parecem… estreitos para lidar com os 230 cv.
Feito sob medida
Mesmo que, num primeiro olhar, ele lembre bastante o MINI clássico que serve de base, basta observar com mais atenção para perceber os detalhes que fazem deste restomod um carro realmente único.
Como o motor central traseiro exige uma solução específica de refrigeração, foi preciso criar formas de resfriá-lo. Por isso, além de duas entradas de ar nas laterais da carroceria, o Spectre Type 10 ganhou uma nova tampa do porta-malas ventilada, que ajuda a extrair o ar quente do motor e do sistema de escape, e passou a adotar duas saídas de escapamento.
Além disso, o Type 10 usa rodas feitas sob medida: embora sejam inspiradas nas icônicas Minilite, elas trazem um desenho em formato de hélice para auxiliar no resfriamento dos (novos) freios a disco com quatro pistões, responsáveis por parar os modestos 771 kg deste Spectre Type 10.
Interior inspirado e exclusividade do Spectre Type 10
Ainda no capítulo do design, os bancos foram inspirados em uma imagem da… atriz italiana Monica Bellucci, e o painel virou uma peça única de madeira, criada para remeter aos tradicionais hall de entrada das casas japonesas.
Limitado a apenas 10 exemplares, o Spectre Type 10 custa 180 mil dólares (cerca de 154 mil euros), um valor que costuma estar mais associado a superesportivos.
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