Pular para o conteúdo

Alemanha e União Europeia: motores térmicos em 2035 sob regras rígidas

Carro elétrico futurista prata carregando em ambiente interno com plantas e vista urbana ao fundo.

A decisão não é um “tudo ou nada”. Depois de uma forte articulação liderada pela Alemanha, a União Europeia não deve banir por completo os motores a combustão em 2035. Só que isso não significa vida fácil para o térmico: a venda continuaria existindo, porém cercada por regras tão restritivas que os volumes tendem a cair bastante.

Atualização de 16 de dezembro, às 17h25: a Agence France-Presse informou que a União Europeia desistiu de impor o “tudo elétrico” em 2035. A extinção do motor a combustão não será confirmada para daqui a 10 anos, e motores a explosão seguirão à venda no mercado. As condições, no entanto, serão mais duras e a participação do térmico será limitada, mas continuará existindo. Em meio às dificuldades do setor automotivo, Stéphane Séjourné, comissário europeu responsável pela estratégia industrial e prosperidade, elogiou uma abordagem “pragmática” da UE.

Artigo original:

Antes mesmo de 10 de dezembro, data em que a Comissão Europeia deve apresentar os detalhes do novo roteiro sobre a proibição da venda de motores térmicos em 2035, integrantes da instituição fizeram questão de antecipar o recado. Em entrevista ao veículo alemão Handelsblatt, vários comissários indicaram que a UE não deve, afinal, excluir a comercialização de motores térmicos em carros daqui a 10 anos.

O roteiro revisado não citaria mais uma proibição “pura e simples”, após a pressão de alguns fabricantes (em especial Mercedes e Volkswagen) e também de um Estado: a Alemanha. Por motivos de proteção do emprego e da economia, o país defendeu um afrouxamento das regras futuras. Dentro da Comissão, os eleitos de direita, majoritários, são os mais favoráveis à mudança.

A Alemanha sempre atuou como a locomotiva do grupo de pressão junto à Comissão Europeia. Mas a Itália também está entre os países claramente hostis ao pacto verde europeu, alinhada com a Alemanha. Em posição intermediária, a França acabou se colocando ao lado dos dois vizinhos, mesmo com Paris dizendo estar aberta a mais flexibilidade.

Membro do partido socialista, a comissária europeia de Concorrência, Teresa Ribera, se posicionou contra essa reforma (que também divide a população), defendendo manter o rumo para o desaparecimento dos motores em todos os carros novos em 2035. A Espanha, de forma mais ampla, aparece entre os defensores da proibição, enquanto o país se mostra especialmente aberto a investimentos chineses voltados ao elétrico. A Dinamarca também está entre eles.

Segundo as primeiras declarações dos comissários que decidiram falar à imprensa em 3 de dezembro - incluindo o comissário de Transportes (o grego Apóstolos Tzitzikóstas) - haverá mudanças, mas elas virão com limites bem definidos.

Fin du moteur thermique en 2035 : ce qu’il faut retenir du revirement en attendant le 10 décembre

A Europa realmente recua da proibição, mas só em parte. Não deve se tratar de derrubar totalmente a proibição e deixar apenas tetos de emissões, como acontece hoje. A Comissão Europeia pretende, sim, revisar as regras, porém os motores térmicos vendidos em carros novos terão de cumprir condições rígidas. Esse alívio, inclusive, pode acabar favorecendo apenas um tipo de cliente.

As exigências mais duras estariam ligadas ao combustível usado: a ideia seria permitir somente biocombustíveis ou e-fuel (combustível sintético). Quanto aos compradores, pode ser que apenas empresas entrem na conta, para suas frotas de veículos. A venda de carros para pessoas físicas ainda poderia continuar proibida em 2035. Dito isso, não há nenhuma informação sobre motores térmicos presentes em sistemas híbridos (PHEV) ou em elétricos com extensor de autonomia.

Questionado pelo veículo alemão, o comissário de Transportes Apóstolos Tzitzikóstas afirmou estar aberto a todas as tecnologias, ressaltando que, na visão dele, o novo roteiro automotivo da União Europeia incluirá “todos os avanços tecnológicos, incluindo o papel dos combustíveis de zero e baixa emissão, bem como os biocombustíveis avançados”.

Comentários

Ainda não há comentários. Seja o primeiro!

Deixar um comentário