Hoje, 9 de maio, celebra-se o Dia Europeu da Segurança Rodoviária, só quatro dias depois de outra data que, de certo modo, conversa com o tema: o Dia Mundial do Trânsito e da Cortesia ao Volante.
Esses assuntos sempre me fazem refletir e observar com mais atenção o que acontece ao meu redor nos deslocamentos do dia a dia. Ainda assim, quase sempre chego à mesma percepção: no geral, os motoristas estão dirigindo cada vez pior.
É uma sensação desanimadora por vários motivos. Para começar, o respeito às regras de trânsito parece cada vez menor, mais “interpretativo” e imprevisível - dando a impressão de que muita gente nem passou pelas aulas de legislação, ou simplesmente apagou tudo da memória.
Além disso, boa parte das atitudes que vejo por aí só reforça a ideia de que está sumindo qualquer vestígio de respeito por quem precisa usar as mesmas vias.
Na rotina, é óbvio que todo mundo gostaria de circular na melhor estrada do mundo. Só que a realidade costuma ser outra: ficamos limitados a algumas das vias mais congestionadas do país e, na maioria das vezes, no mesmo horário em que está quase todo mundo. Em certos dias vou ao volante de um carro; em outros, no guidão de uma moto - e isso muda bastante a perspectiva.
Em quatro rodas
Quando estou de carro, noto incontáveis distrações, trocas de faixa sem a menor conferência para ver se há outro veículo ao lado e, nem vou entrar no tema das setas: é uma “espécie” quase em extinção, de tão raras que se tornaram.
As linhas brancas no asfalto parecem invisíveis para muitos. O mesmo vale para manter-se à direita, seguir o sentido correto em ruas de mão única e respeitar as cores daquelas coisas que piscam - que alguns chamam de semáforos.
No engarrafamento, a lógica do “um-sim-um-não” praticamente desapareceu. Hoje, a cordialidade ao volante parece medida numa nova unidade de “chico-espertice”.
As brigas no trânsito ficam mais pesadas a cada dia. E, embora eu felizmente não tenha presenciado pessoalmente algumas cenas que aparecem nas redes sociais, já vi perseguições em alta velocidade, numa espécie de disputa para provar quem tem mais razão, e até batidas - porque ninguém abre mão de um único centímetro até ser tarde demais.
Chegamos a um ponto em que, quando alguém decide ser educado e gentil com outro motorista no meio do trânsito, tem quem desconfie e reaja de forma esquisita, de tão incomum que isso ficou. E, claro, em muitos casos, o “obrigado” também some.
Em duas rodas
De moto, a visão muda. É no guidão, um pouco acima da altura das janelas dos carros, que fica fácil perceber quantas pessoas ainda mexem no celular enquanto dirigem. E não estou falando de ligações.
No meio do tráfego, tem gente assistindo a filmes ou séries, ou até jogando, completamente alheia ao que acontece ao redor. Isso sem contar outras situações do tipo “se eu não tivesse visto, não acreditaria” - e que nem dá para escrever aqui. Mas elas aparecem com mais frequência do que eu imaginaria. Tudo isso, no meio do trânsito.
O fato de eu andar de moto não significa que eu “vista a camisa”. Há atitudes de motociclistas com as quais também não concordo e que considero desrespeitosas. Um exemplo são as motos que vêm pelo corredor buzinando como se fosse obrigação de todo mundo abrir caminho. E ainda discutem e xingam quem não faz isso.
Depois, existem situações tão simples quanto o (des)respeito a uma fila. Eu até entendo as motos que vão passando pelo acostamento ou entre os carros quando eles estão totalmente parados. Sei que é proibido, mas acabo pensando que cada moto dessas é, na prática, um carro a menos na fila.
Quando estou de carro, eu facilito a passagem; quando estou de moto, eu agradeço quando alguém facilita (porque ninguém TEM que fazer isso). Agora, em uma fila de pedágio, por exemplo, eu já não consigo entender esse desrespeito. Nesse caso, a moto é um veículo como qualquer outro - seja um automóvel, um ônibus ou um caminhão.
Sem solução?
Os níveis de estresse e impaciência estão fora de qualquer escala - se é que existe uma escala - e, claro, tudo isso acaba sendo muito perigoso do ponto de vista da segurança, sem sinal de melhora no curto prazo. Vocês não acham?
Então, o que dizer de uma motorista na faixa dos 30 anos, gritando desesperadamente para o carro da frente, insultando e sem tirar a mão da buzina? Tudo porque o veículo estava mudando de faixa, no anda e para, e ainda não tinha conseguido liberar totalmente a faixa de origem, atrapalhando a passagem de outros carros.
Naquele dia eu estava de moto, vendo a cena toda, e ainda consegui parar ao lado da janela (aberta) dessa motorista, dizendo apenas: “calma, não é caso para tanto”. Só que, pela reação, acabei saindo dali rapidamente.
Independentemente de ser ou não o Dia Internacional da Segurança Rodoviária, tente dirigir com mais paciência e cordialidade. Talvez não pareça, mas, se todo mundo fizer um esforço, acredito que o trânsito fique mais tranquilo.
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