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Cizeta Moroder V16T: a história do chassis #101 do Sultão do Brunei

Carro esportivo branco estacionado em ambiente interno moderno com janelas amplas ao fundo.

Um “Lamborghini” que não era Lamborghini

Parece um Lamborghini, não parece? Não por acaso: quem assinou as linhas do Cizeta Moroder V16T foi Marcelo Gandini, o mesmo designer por trás dos Lamborghini Miura, Countach e Diablo. E, ao olhar para o Moroder V16T, as semelhanças com o Diablo saltam aos olhos - e é fácil entender o motivo.

Na prática, o desenho do Cizeta é o que mais se aproxima da ideia que Gandini havia planejado originalmente para o Diablo. O Lamborghini que chegou às ruas acabou ganhando formas mais arredondadas e superfícies mais suaves, mas isso não foi uma escolha do próprio Gandini. A mudança veio da Chrysler, que comprou a Lamborghini em 1987 e decidiu redesenhar a proposta inicial - uma decisão que deixou o designer bastante insatisfeito.

Foi aí que surgiu a oportunidade perfeita. No fim dos anos 80, Claudio Zampolli, fundador da Cizeta (nome formado pela junção fonética das iniciais do seu nome), convidou Gandini para criar um superesportivo que funcionasse como uma espécie de sucessor do Countach. Gandini não deixou passar a chance de colocar na rua sua visão “sem filtros”.

Zampolli, Moroder e os bastidores do projeto

A conexão com a Lamborghini não se limitava ao estilo. Claudio Zampolli tinha relação próxima com a marca italiana: além de ter participado de atividades ligadas ao desenvolvimento (ele era formado em engenharia), também vendeu Lamborghini na Califórnia - e Ferrari também - depois de se mudar para lá na década de 70.

Quando resolveu criar um superesportivo próprio, Zampolli usou esse conhecimento de bastidores para reunir as pessoas certas para o desenvolvimento - e ainda conseguiu atrair profissionais da Ferrari com o mesmo objetivo. O projeto também recebeu uma ajuda valiosa e improvável: o apoio financeiro de Giorgio Moroder, compositor musical reconhecido, que acabaria emprestando seu nome ao V16T. Mais tarde, porém, Zampolli e Moroder se desentenderam e seguiram caminhos separados.

Cizeta Moroder V16T

A combinação de Zampolli, Gandini e Moroder resultou em um superesportivo genuinamente exótico. Para começar, ele traz um intrigante V16 montado em posição transversal entre os dois ocupantes e o eixo traseiro. Não surpreende que a largura passe de dois metros - 2,06 m, para ser exato - mantendo-se, até hoje, entre os carros de produção mais largos já feitos.

Com 6,0 l de capacidade, o V16 aspirado - fruto da união de dois V8 do Lamborghini Urraco - entregava 540 cv a 8000 rpm (e mais tarde chegaria a 560 cv). Toda essa força era enviada somente para as rodas traseiras por meio de um câmbio manual de cinco marchas. Esse número de potência o colocava acima do Ferrari F40 e, claro, do Lamborghini Diablo, que sequer alcançavam 500 cv.

O grande motor, as dimensões generosas e até a cabine mais luxuosa influenciavam diretamente no peso: eram 1700 kg. Ainda assim, os números de desempenho eram impressionantes para a época: a marca anunciada era de 4,0s para chegar a 100 km/h, e a velocidade máxima ficava em 328 km/h - novamente, valores superiores aos dos principais rivais.

Mesmo com especificações tão incomuns - V16 e chassi tubular -, o Cizeta Moroder não decolou comercialmente. No fim, estima-se que apenas 10 unidades tenham sido construídas, incluindo um protótipo. E, ao que tudo indica, ainda hoje dá para encomendar um Cizeta Moroder V16T: o último pedido só foi produzido em 2003 (uma raríssima versão conversível) e, tão recentemente quanto 2018, Zampolli dizia que a produção do seu superesportivo ainda não havia sido encerrada, mantendo a aceitação de encomendas.

Chassis #101

O Cizeta Moroder V16T agora anunciado à venda pela Curated é o chassis #101, fabricado em 1993, e que pertenceu ao Sultão do Brunei, Hassanal Bolkiah - sim, o mesmo que, segundo consta, chegou a ter 5000 automóveis em sua coleção. E este não foi o único: o Sultão do Brunei comprou dois exemplares. Sua preferência por manter várias unidades de um mesmo modelo é conhecida, inclusive quando se trata de carros de produção baixíssima, como acontece com muitos super e hiperesportivos.

Histórico de exposição e estado de conservação do chassis #101

Com pintura externa azul e interior no mesmo tom, o chassis #101 foi usado inicialmente em fotos promocionais e também ficou exposto no estande da Cizeta no Salão de Genebra de 1993. A pedido do Sultão do Brunei, as aletas que preenchem a entrada de ar do motor foram modificadas para ficarem na horizontal, em vez da vertical vista em outros Cizeta.

Encomendado pela Hong Seh Motors em nome do Sultão do Brunei, esse Cizeta Moroder V16T foi enviado para Singapura e nunca mais saiu de lá - e nem chegou a ser registrado. Por isso, não chama atenção que o hodômetro não marque nem 1000 km.

Segundo o vendedor, o carro segue em estado de novo, sendo considerado o melhor exemplar já encontrado desse superesportivo intrigante. E o preço? Só sob consulta.

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