A acusação feita pelas autoridades chinesas veio logo após uma apreensão conduzida pelo Departamento de Justiça do Tio Sam.
A apreensão de 127 000 bitcoins ligada a Chen Zhi
Na semana passada, os bitcoins atribuídos a Chen Zhi, um magnata britânico-cambojano, foram apreendidos pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos no âmbito de uma investigação por fraude e lavagem de dinheiro. Esses ativos - que permaneceram inativos por quase quatro anos - somavam 127 000 bitcoins.
Os procuradores federais responsáveis pelo caso Chen Zhi, por enquanto, se recusaram a detalhar como esses bitcoins foram recuperados. Ainda assim, a operação já é apontada como a maior confiscação do tipo realizada em território americano.
O roubo de 127 272 bitcoins do pool de mineração LuBian
Em dezembro de 2020, o desaparecimento de 127 272 bitcoins do pool de mineração chinês LuBian chamou atenção no setor. A ação, atribuída a hackers altamente qualificados, é considerada uma das maiores ofensivas cibernéticas já vistas no universo das criptomoedas em escala global. Pela cotação atual, isso equivale a uma cifra colossal de 13 bilhões de dólares.
Uma “operação governamental”
Após a apreensão nos EUA, a agência chinesa de cibersegurança passou a acusar o governo americano de ter sido o responsável por esse ataque. Segundo a Bloomberg, o Centro Nacional Chinês de Resposta a Emergências Relacionadas a Vírus de Computador avalia que se tratou de uma operação de hacking de nível estatal, conduzida pelos Estados Unidos.
Para as autoridades chinesas, o caráter discreto do furto se parece mais com uma ação coordenada por governo do que com criminalidade comum.
O relatório é direto e afirma: “O governo americano já teria recorrido a técnicas de pirataria desde 2020 para roubar os 127 000 bitcoins mantidos por Chen Zhi. Trata-se de uma operação clássica do tipo ‘black eats black’, orquestrada por uma organização de pirataria estatal.”
China x EUA: acusações frequentes no campo cibernético
De toda forma, não é a primeira vez que a China responsabiliza seu rival americano por ciberataques contra interesses chineses. Pelo contrário: no início deste ano, o país afirmou que os Estados Unidos exploraram uma brecha em servidores do Microsoft Exchange para atingir empresas nacionais.
O governo de Xi Jinping também disse possuir “provas irrefutáveis” de um ataque cibernético americano contra o Centro Nacional de Serviços Horários da China.
Ainda assim, como observam outros veículos, esse tipo de acusação costuma ser apresentado de forma genérica e sem evidências técnicas definitivas. Resta ver qual será a reação das autoridades americanas e se o episódio tende a piorar ainda mais a relação já turbulenta entre os dois países.
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