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A Força Aérea Brasileira (FAB) informou, em nota oficial divulgada em 19 de maio, que na manhã de segunda-feira, 18 de maio de 2026, interceptou uma aeronave ilegal vinda da Venezuela após a entrada não autorizada na Zona de Identificação de Defesa Aérea (ZIDA 41), no estado de Roraima. A ação, coordenada pelo Comando de Operações Aeroespaciais (COMAE) em cooperação com a Polícia Federal, terminou com o avião submerso em um rio a noroeste de Boa Vista e com a localização de pacotes de skunk, ainda sem quantidade total confirmada.
Sobre o procedimento e os meios empregados
Segundo o comunicado da FAB, a operação contou com caças A-29 Super Tucano sob coordenação do COMAE, enquanto a aeronave suspeita foi identificada pelos radares do Sistema Brasileiro de Defesa Aeroespacial (SISDABRA). O alvo voava sem autorização, sem plano de voo e com a matrícula adulterada - três condições que, conforme a normativa brasileira, acionam o protocolo de enfrentamento ao trânsito aéreo ilícito.
Como a aeronave interceptada não cumpriu as determinações do interceptador, os Super Tucano realizaram o Tiro de Aviso, uma etapa avançada das Medidas de Policiamento do Espaço Aéreo (MPEA) previstas no Decreto Nº 5.144, que define como a FAB deve atuar diante de tráfegos aéreos ilícitos. De acordo com a força, o piloto decidiu amerissar em um rio situado em área de difícil acesso, a noroeste da capital de Roraima.
O Esquadrão Harpia e a fase de controle em terra
Encerrada a fase aérea das MPEA, o COMAE acionou um helicóptero H-60 Black Hawk para cumprir as Medidas de Controle no Solo (MCS), com agentes da Polícia Federal a bordo. O avião foi encontrado submerso no leito do rio, dentro de uma região considerada de acesso extremamente difícil.
A equipe de resgate do Esquadrão Harpia - sétimo esquadrão do oitavo grupo de aviação (7º/8º GAV) - identificou no local do impacto pacotes de skunk, mas não conseguiu localizar nenhum dos tripulantes.
A ocorrência integra a Operação ZIDA 41, cujo objetivo declarado é coibir voos irregulares e atividades aéreas ilícitas por meio de ações integradas entre a FAB e órgãos de Segurança Pública do Brasil. Como ressaltou a força, o modelo de atuação busca fortalecer a soberania e a segurança do espaço aéreo nacional sobre a bacia amazônica, região onde incursões aéreas ilegais vêm se tornando recorrentes.
Antecedentes recentes na ZIDA 41
A interceptação de 18 de maio se soma a uma sequência de ações semelhantes conduzidas pela FAB na Amazônia nos últimos meses. Em dezembro de 2025, caças A-29 Super Tucano voltaram a interceptar uma aeronave irregular procedente da Venezuela na mesma ZIDA 41, sobre a Terra Indígena Yanomami, em operação coordenada pelo COMAE com apoio de uma aeronave de alerta antecipado Embraer E-99.
Antes disso, em novembro de 2025, outra aeronave venezuelana foi interceptada e acabou abandonada pelo piloto após desconsiderar as ordens da Defesa Aeroespacial. Já em setembro de 2025, um bimotor vindo do mesmo país caiu sobre a represa de Balbina depois de desobedecer às ordens dos Super Tucano. Em janeiro de 2026, por sua vez, a FAB apreendeu mais de 500 quilogramas de cocaína em uma pista ilegal no estado do Amazonas, após detectar a entrada de um Cessna 210 proveniente da Bolívia.
Em fevereiro de 2025, a FAB havia aplicado, pela primeira vez em muito tempo, o Tiro de Detenção (DET) - considerado a última instância do MPEA - contra uma aeronave vinda da Venezuela no contexto da Operação Ostium; o avião caiu e dois tripulantes morreram. A repetição da ativação dos protocolos do Decreto Nº 5.144 indica um aumento das operações de controle aeroespacial na fronteira norte do Brasil.
Sobre o A-29 Super Tucano
O Embraer A-29 Super Tucano é o principal vetor da FAB para missões de interceptação de aeronaves de baixa velocidade e para operações de ataque leve em áreas de selva. Entre suas características, destacam-se:
- Tipo: aeronave turboélice de ataque leve e treinamento avançado.
- Fabricante: Embraer Defesa & Segurança.
- Tripulação: 2 (piloto e instrutor/operador de sistemas).
- Velocidade máxima: 590 km/h.
- Armamento típico para MPEA: metralhadoras FN Herstal de 12,7 mm com dispensadores sob as asas, além de canhões e bombas convencionais para missões de ataque.
- Emprego na FAB: vigilância, interceptação de tráfego aéreo ilícito, ataque leve e treinamento avançado.
- Operadores principais: Brasil, Estados Unidos (Air National Guard, USAF, Comando Aéreo de Operações Especiais), Colômbia, Chile, entre outros.
Dados-chave da operação
- Data da interceptação: 18 de maio de 2026.
- Local: ZIDA 41, estado de Roraima, a noroeste de Boa Vista.
- Origem do voo: Venezuela.
- Meios aéreos empregados: caças A-29 Super Tucano e helicóptero H-60 Black Hawk do Esquadrão Harpia.
- Coordenação: Comando de Operações Aeroespaciais (COMAE).
- Sistema de detecção: SISDABRA.
- Apoio em terra: Polícia Federal.
- Procedimento aplicado: MPEA com Tiro de Aviso, sob o Decreto Nº 5.144.
- Resultado: aeronave submersa em um rio; localização de pacotes de skunk; tripulantes não encontrados.
- Marco operacional: Operação ZIDA 41.
Até o momento, a FAB não informou a quantidade exata de droga apreendida nem especificou o modelo da aeronave interceptada. A expectativa é que, nos próximos dias, sejam divulgados mais dados sobre a matrícula original, o tipo de plataforma e o andamento das investigações conduzidas pela Polícia Federal em conjunto com a equipe de inteligência do COMAE.
Imagens meramente ilustrativas. Créditos: Comando de Operações Aeroespaciais (COMAE) / Força Aérea Brasileira.
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