Nucleação de nuvens no Cerrado em Goiás
A aviação agrícola no Brasil vem avançando numa frente considerada estratégica para o Cerrado: a indução de chuvas por meio da nucleação de nuvens. Em Goiás, produtores rurais passaram a se organizar em grupos para custear operações aéreas que buscam incentivar a precipitação durante a estiagem, com destaque para a Aerotex Aviação Agrícola, também conhecida pelas ações de combate aéreo a incêndios.
De acordo com o empresário aeroagrícola Ruy Alberto Textor, a técnica teve seus primeiros testes nos anos 1980 e, mais recentemente, começou a ganhar escala em Goiás, reunindo cerca de 100 produtores interessados.
Como funciona a indução de chuvas por nucleação
O procedimento se baseia na aplicação de partículas de cloreto de sódio em nuvens já formadas e com umidade suficiente. Com isso, busca-se favorecer a aglutinação das microgotículas de vapor d’água, aumentando a chance de ocorrer chuva.
Textor enfatiza que não se trata de “criar” nuvens do nada: a operação atua como um apoio ao que a natureza já está prestes a entregar, desde que existam nuvens do tipo cúmulos com boa umidade e correntes convectivas.
Aerotex Aviação Agrícola, brigadas aéreas e respaldo no Brasil
Criada em 1998, a Aerotex é reconhecida em Goiás por suas brigadas aéreas de combate a incêndios, ajudando a resguardar lavouras e áreas naturais em períodos de seca.
Agora, a empresa também direciona esforços para diminuir os efeitos da estiagem antes que a situação se agrave, contando com produtores que participam tanto das brigadas contra incêndios quanto das operações de nucleação.
A atividade já tem respaldo legal no país, pois a nucleação foi incluída entre as atribuições da aviação agrícola reconhecidas pelo Ministério da Agricultura.
Fora do Brasil, a indução de chuvas é uma prática conhecida e utilizada em países do Oriente Médio, nos Estados Unidos, na Austrália, na China e, de maneira emblemática, na Tailândia - que mantém, desde 1955, um serviço estatal dedicado à semeadura de nuvens e ao combate a incêndios.
Com a intensificação de extremos climáticos no Cerrado, a aviação agrícola brasileira amplia sua atuação, passando a contribuir também para a mitigação de riscos ambientais e para a proteção hídrica em regiões produtoras.
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