Em 1997, quando a Toyota revelou a primeira geração do Prius, quase ninguém apostava que a eletrificação seria o caminho inevitável do automóvel - e, para ser justo, o visual do Prius também não ajudava a convencer. O desfecho dessa história, porém, é bem conhecido.
Nos primórdios dos híbridos, a Toyota chegou a acumular prejuízos com a tecnologia até que ela se transformasse em um dos pilares do seu modelo de negócios - e a marca, em uma das mais rentáveis do setor automotivo, sustentada em grande parte por algo em que, lá em 1997, quase ninguém acreditava. Passadas mais de duas décadas, a trajetória pode se repetir, agora com o hidrogênio.
Apresentado oficialmente, o novo Toyota Mirai representa mais um passo nessa tentativa de popularizar o carro a hidrogênio.
Toyota Mirai. O carro do futuro?
O nível de comprometimento da Toyota com o carro a hidrogênio - ou, se preferir, com o carro elétrico com célula de combustível (Fuel Cell) - é difícil de contestar. A segunda geração do Mirai ainda nem começou a ser vendida e, em algum lugar no Japão, já existem equipes de engenharia trabalhando na 3ª geração da tecnologia Fuel Cell da Toyota.
Dá para dizer com segurança que, nas últimas três décadas, nenhuma fabricante apostou tanto na eletrificação quanto a Toyota. Ainda assim, diferente da maior parte das marcas, a Toyota segue demonstrando certa cautela em relação aos elétricos movidos exclusivamente a bateria - basta observar a composição da sua linha.
Na visão da Toyota, o elétrico a bateria faz sentido como uma das respostas para deslocamentos curtos e médios, mas dificilmente se consolida como solução para longas distâncias. Somando a isso as questões ligadas à escassez de matérias-primas necessárias para produzir baterias, a indústria automotiva precisa, de fato, encontrar uma alternativa.
É nesse conjunto de dúvidas que a Toyota tenta encaixar o novo Mirai: um sedã que, nesta segunda geração, aparece com desenho mais atraente, cabine mais espaçosa e um sistema Fuel Cell mais eficiente - tanto no uso quanto no processo de fabricação. A expectativa da Toyota é vender 10 vezes mais Toyota Mirai nesta nova geração. O futuro já começou? Em Portugal, ainda não.
Os carros a hidrogênio em Portugal
Portugal ainda não conta com nenhum posto de abastecimento de hidrogênio, mas a Toyota Portugal declara compromisso total com essa tecnologia. Em declarações à Razão Automóvel, a Toyota Portugal afirma que, assim que o primeiro posto de abastecimento de hidrogênio estiver em operação, o novo Toyota Mirai será oferecido no país.
Segundo a Lusa, o concurso público do primeiro posto de abastecimento de hidrogênio em Portugal já foi lançado. A instalação ficará no norte, mais especificamente em Vila Nova de Gaia, atendendo a região da Grande Porto.
No restante da Europa, esse futuro chega antes. O Toyota Mirai estará disponível a partir do primeiro trimestre de 2021. Um futuro com dimensões de sedã executivo, que pretende ser o primeiro passo rumo à democratização do carro a hidrogênio, sem emissões e 100% sustentável.
As novidades do Toyota Mirai 2021
Embora a apresentação oficial aconteça só agora, nós já tínhamos visto o novo Toyota Mirai “ao vivo e em cores” há mais de um ano. Durante o Kenshiki Forum - o evento anual em que a marca japonesa mostra suas novidades - tivemos o primeiro contato com o modelo.
Relembre esse momento aqui:
Esqueça a geração anterior do Toyota Mirai. Do primeiro modelo não restou nada além do nome. Este Mirai passa a usar a nova plataforma global da Toyota (TNGA), mais precisamente a variante GA-L.
Com essa base, o novo Mirai ganhou rigidez torcional e também cresceu em medidas. Ele ficou 70 mm mais largo, porém 65 mm mais baixo, e o entre-eixos aumentou 190 mm. Além disso, agora adota tração traseira - a GA-L também equipa, por exemplo, o Lexus LS. O resultado é um Mirai com aparência mais dinâmica e, principalmente, com mais espaço interno.
Quanto ao motor elétrico, instalado no eixo traseiro, houve um aumento de 12% na potência, passando a entregar 134 kW (182 CV) e 300 Nm de torque máximo. Já a célula de combustível continua utilizando um polímero sólido, mas agora traz uma densidade energética recorde de 5,4 kW/l e ainda a capacidade de operar abaixo de -30 ºC.
Para armazenar o hidrogênio, o Toyota Mirai adota três tanques. Dois ficam sob o habitáculo e um atrás do encosto do banco traseiro, o que eleva a capacidade total para 5,6 kg (1 kg a mais que na geração anterior), permitindo assim uma autonomia acima de 650 km.
O primeiro carro abaixo das zero emissões
O Toyota Mirai, na prática, se coloca como ainda mais “verde” do que um elétrico 100% a bateria em toda a linha. Além de não emitir CO2 durante o abastecimento (não há perdas de energia por calor) nem durante a condução, o Mirai também consegue… limpar o ar das cidades.
Em outras palavras, por onde circula, o Toyota Mirai deixa o ar mais limpo - e há até um gráfico no painel de instrumentos que mostra essa informação. Isso acontece graças a um filtro catalítico integrado ao sistema Fuel Cell (célula de combustível), capaz de capturar as impurezas do ar durante o funcionamento. O sistema consegue remover entre 90 a 100% das partículas conforme elas atravessam o filtro.
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