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Novo Mercedes-AMG GT 4 portas elétrico: até 1169 cv e carregamentos a 600 kW

Carro esportivo Mercedes-Benz AMG elétrico prata estacionado em ambiente interno com janela panorâmica ao fundo.

A Mercedes-AMG apresentou o novo GT 4 portas e basta encarar o carro para notar que Affalterbach decidiu zerar a página do que existia até aqui. O modelo anterior emprestou, na prática, só o nome: este novo GT 4 portas não se parece com o antecessor nem no visual, nem no que o impulsiona. Agora, ele é exclusivamente elétrico.

Em vez de seguir a receita de um sedã grande turismo encorpado com motor dianteiro, adota proporções bem mais ousadas, mais próximas do conceito GT XX que o antecipou, e troca o emblemático V8 por três motores elétricos de fluxo axial - uma tecnologia inédita em um modelo 100% elétrico de produção.

Do ponto de vista técnico, é um espetáculo - «ninguém duvida» -, mas, nos próximos dias, a conversa deve girar em torno de um único tema: o design. Ele tende a dividir opiniões. Em comparação com o AMG GT 4 portas anterior, as proporções clássicas desapareceram para abrir espaço a algo mais futurista, com aparência tecnológica e agressiva.

Na dianteira, o destaque vai para uma «grelha» iluminada e côncava, acompanhada por uma assinatura luminosa com estrelas integradas aos faróis. Atrás, a proposta muda para seis elementos circulares de luz, encaixados em uma máscara preta que atravessa toda a largura. A silhueta com caída traseira deixa o conjunto ainda mais próximo de um cupê do que acontecia antes.

Ele cresceu em comprimento e largura em relação ao antecessor, mas, apesar da bateria montada no assoalho, a Mercedes-AMG conseguiu reduzir a altura em quase 4 cm, ficando em 1411 mm. E o visual chamativo não está ali apenas para causar impacto: praticamente tudo na carroceria foi desenhado com a aerodinâmica em mente.

Há componentes aerodinâmicos ativos na parte inferior, aerofólio traseiro móvel, difusor traseiro ativo e até um sistema com persianas móveis para melhorar refrigeração e eficiência. O coeficiente de arrasto aerodinâmico (Cx) é de apenas 0,22 - um número excelente para um carro com esse nível de desempenho.

Por dentro, a proposta segue a mesma linha radical e high-tech, mas isso já foi detalhado em um texto específico que você pode ler (ou reler).

Até 1169 cv e carregamentos a 600 kW

Sob a carroceria está uma das cadeias cinemáticas mais ambiciosas já vistas em um AMG de produção. Pela primeira vez, um carro 100% elétrico de produção usa motores de fluxo axial, e o GT traz três: um na frente e dois atrás (um para cada roda).

A gama terá duas versões: GT 63 e GT 55. No topo, o primeiro entrega 860 kW, o equivalente a 1169 cv - bem mais do que o AMG GT 4 portas anterior mais potente, que já era eletrificado (843 cv). Com isso, acelera de 0 a 100 km/h em apenas 2,1s, chega aos 200 km/h em 6,8s e alcança 300 km/h de velocidade máxima com o pacote do condutor.

Já o GT 55 «fica-se» em 600 kW (816 cv), mas ainda assim promete números de supercarro: 2,5s de 0-100 km/h e 9,0s para atingir 200 km/h. Na velocidade máxima, empata com o GT 63.

A bateria de íons de lítio NCMA (Níquel, Cobalto, Manganês, Alumínio), com 106 kWh, adota arquitetura de 800 V e células cilíndricas com resfriamento individual por óleo. A marca promete até 700 km (GT 55) de autonomia no ciclo combinado WLTP. De acordo com a Mercedes-AMG, é possível recuperar mais de 460 km de autonomia em apenas 10 minutos graças a carregamentos em corrente contínua (CC) de até 600 kW.

AMG elétrico com alma de V8

Os números, sem dúvida, impressionam - mas este AMG não tem V8. E esse sempre foi o elemento mais associado à marca ao longo do tempo, com peso decisivo na carga emocional de dirigir um AMG.

Por isso, não chega a surpreender que a Mercedes-AMG tenha buscado manter algo da experiência dos antigos V8 no novo elétrico. Para isso, oferece um modo dedicado, chamado AMGFORCE S+, que simula trocas de marcha, interrupções de torque e até uma sonoridade inspirada no AMG GT R com V8 biturbo - em linha com o que a Hyundai fez com os IONIQ 5 N e, agora, com o IONIQ 6 N.

Isso pode soar como um «truque barato», mas diz muito. Até a AMG parece reconhecer que números absurdos, sozinhos, já não bastam para entregar uma condução empolgante, interativa e recompensadora. Resta saber se essa abordagem vai conquistar os entusiastas.

Ainda assim, para lidar com os números do GT 4 portas - incluindo os 2460 kg (DIN) na balança -, a AMG equipou o carro com soluções robustas: suspensão AMG ACTIVE RIDE CONTROL com estabilização semiativa, direção traseira de até 6º e um sistema AMG RACE ENGINEER que permite ajustar resposta do acelerador, comportamento em curva e controle de tração com um nível de personalização quase de carro de corrida.

Quando chega

A produção do novo Cupê Mercedes-AMG GT 4 portas começa no verão de 2026, na fábrica de Sindelfingen, na Alemanha.

As encomendas abrem já nos próximos dias e os preços, embora ainda não tenham sido divulgados, devem ficar próximos aos do AMG GT 4 portas anterior.

Especificações técnicas


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