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Doações até 2026: como transferir patrimônio com menos imposto

Idoso, mulher e menina analisam planta baixa de casa em mesa com laptop e documentos em ambiente iluminado.

Quem se organiza com antecedência pode transferir, até o fim de 2026, valores muito altos para filhos e netos sem que o fisco fique com uma parte. Isso é viabilizado pela combinação de isenções mais elevadas, um bônus extra em dinheiro e uma regra especial temporária voltada a imóveis e obras de eficiência energética. Esse pacote funciona como um “turbo” para o planejamento sucessório - mas só entrega o máximo quando os detalhes são respeitados.

Por que 2026 será um ano fora da curva para doações

No direito tributário francês (usado aqui como exemplo), está se formando uma conjuntura rara: isenções tradicionais, uma quantia adicional em dinheiro e uma dispensa fiscal por tempo limitado ligada a certos investimentos imobiliários passam a atuar em conjunto. Aplicando isso com estratégia, torna-se possível antecipar para cada filho mais de 300.000 euro ainda em vida - sem imposto sobre doação.

"A combinação de isenções, bônus especial e privilégio imobiliário abre para as famílias, até o fim de 2026, um terreno de jogo fiscal único."

O ponto decisivo é o momento certo: as regras dependem de um prazo de 15 anos por doador e beneficiário. O que for doado de forma inteligente agora pode voltar a ser feito com nova vantagem fiscal 15 anos depois. Quem demora demais perde esse efeito duplo.

As isenções: quanto cada pessoa consegue doar sem imposto

No exemplo de 2026, existem faixas fixas de isenção por doador e por recebedor, que se renovam a cada 15 anos. Elas variam conforme o grau de parentesco:

  • Filho: 100.000 euro por cada genitor
  • Neto(a): 31.865 euro por cada avô/avó
  • Bisneto(a): 5.310 euro
  • Cônjuge ou parceiro(a) registrado(a): 80.724 euro
  • Irmãos: 15.932 euro
  • Sobrinhas e sobrinhos: 7.967 euro
  • Outras pessoas: 1.594 euro

Para pessoas com deficiência reconhecida, soma-se uma isenção adicional de 159.325 euro. Em algumas situações específicas - por exemplo, quando um neto “representa” um genitor falecido - regras especiais podem ampliar ainda mais a margem disponível.

O ganho fica ainda mais claro quando a família atua em conjunto: um casal com dois filhos consegue transferir 400.000 euro sem imposto (2 genitores × 2 filhos × 100.000 euro). E esse ciclo pode se repetir a cada 15 anos. Se avós participarem e também for usado um bônus extra em dinheiro, o total isento por filho, conforme a conta do exemplo, pode chegar a 327.460 euro.

"Uma família bem informada consegue, assim, repassar valores de milhões por várias gerações com pouca ou nenhuma tributação."

Como a alíquota passa a valer depois das isenções

Depois de descontadas as isenções, aplica-se uma tabela progressiva. Na linha direta (pais–filhos), ela começa em 5 por cento e vai subindo em degraus, chegando a 45 por cento para valores muito elevados.

Um exemplo: um genitor pretende transferir 250.000 euro para um filho.

  • Isenção: 100.000 euro
  • Parcela tributável: 150.000 euro
  • Após aplicar as faixas, a carga tributária fica em 28.194 euro
  • Alíquota efetiva sobre a doação inteira: cerca de 11,3 por cento

Quanto mais distante o parentesco, mais pesada é a cobrança. Entre irmãos, as alíquotas já ficam entre 35 e 45 por cento; para sobrinhas e sobrinhos, em 55 por cento; para terceiros sem relação familiar, em 60 por cento. Por isso, costuma fazer sentido direcionar o patrimônio cedo para a linha direta, em vez de deixar tudo apenas para a herança.

Obrigação digital: doações precisam ser declaradas

Um detalhe que muita gente ignora: no exemplo francês, a partir de 2026 doações em dinheiro para filhos e netos devem ser informadas online em até um mês. O procedimento ocorre em um portal oficial; somente quem realmente não tem condições técnicas pode recorrer ao formulário em papel.

A declaração não é mero burocratismo. Ela dispara o contador dos 15 anos. Quem transfere dinheiro “por fora” e não reporta corre o risco de problemas com a Receita e, além disso, pode perder a vantagem de recomeçar com isenções completas depois de 15 anos.

"Doações não declaradas são um clássico: o que seria oportunidade tributária vira rapidamente um gol contra caro."

Estratégia número 1: dividir a propriedade e cortar o imposto pela metade

Uma ferramenta muito eficiente é o modelo de usufruto: os pais mantêm o direito de uso do imóvel (receber aluguel ou morar), enquanto o filho passa a deter a posição de propriedade futura.

Nesse arranjo, o imposto é calculado apenas sobre a “nua-propriedade” transferida, cuja avaliação varia conforme a idade do doador. Na simulação para 2026, vale o seguinte:

  • Genitor com 55 anos
  • Imóvel com valor de mercado de 400.000 euro
  • Avaliação da nua-propriedade: 50 por cento, ou seja, 200.000 euro
  • Desconto da isenção para filho: 100.000 euro
  • Parcela tributável: 100.000 euro
  • Imposto conforme a tabela: cerca de 18.194 euro

O benefício maior aparece depois: quando o usufrutuário morre, a propriedade plena passa automaticamente ao filho - sem imposto adicional, mesmo que o imóvel já esteja valendo 600.000 ou 700.000 euro.

Distribuição equilibrada com base de avaliação fixa

Quem tem mais de um filho frequentemente usa a chamada doação-partilha. Nesse formato, a divisão do patrimônio ocorre em vida e os valores são fixados na data do ato em cartório. Se um imóvel valorizar mais do que outro no futuro, isso não reabre disputa, porque todos os quinhões foram definidos com a mesma base de avaliação. Em uma versão ampliada, também é possível incluir netos diretamente, reduzindo ainda mais a carga tributária.

Estratégia número 2: usar com inteligência o bônus imobiliário até o fim de 2026

Outro ponto especialmente interessante é o privilégio temporário para projetos imobiliários específicos. Até 31 de dezembro de 2026, cada doador pode transferir, por beneficiário, até 100.000 euro adicionais isentos, desde que o dinheiro seja direcionado a um investimento claramente definido:

  • Imóveis novos
  • Reformas de eficiência energética elegíveis ao programa de apoio estatal MaPrimeRénov’

Há condições importantes:

  • O valor doado precisa ser aplicado no projeto em até seis meses.
  • O imóvel financiado dessa forma deve permanecer pelo menos cinco anos em nome do recebedor.
  • Considerando todos os doadores, o limite máximo é de 300.000 euro por beneficiário.

Somando essa dispensa especial às isenções normais e ao bônus extra em dinheiro, chega-se a um total expressivo. Um genitor, por exemplo, consegue transferir para um filho sem imposto:

  • 100.000 euro de isenção regular
  • 31.865 euro de quantia adicional em dinheiro
  • 100.000 euro de bônus imobiliário
  • total: 231.865 euro

Um casal, em conjunto, alcança 463.730 euro. Para viabilizar a compra de um imóvel pelos filhos ou uma reforma energética de grande porte, isso se torna um impulso enorme.

"Dois erros aparecem o tempo todo: começar tarde demais - e esquecer a declaração dentro de um mês."

Olhar prático: como uma família-modelo pode esgotar as regras

Imagine uma família com dois pais, dois filhos e avós ainda vivos. Os pais têm uma casa quitada, algum patrimônio e querem ajudar os filhos na compra de um apartamento e em uma reforma energética.

Um caminho possível:

  • Os avós doam a cada neto valores em dinheiro até o limite da isenção, para a compra do imóvel.
  • Os pais complementam com doações em dinheiro dentro das próprias isenções.
  • Uma parte da casa é transferida aos filhos via modelo de usufruto, para “capturar” a valorização futura dentro do planejamento fiscal.
  • Para um imóvel novo e eficiente, os pais acionam o bônus imobiliário até o fim de 2026.

Com isso, cada filho pode acumular até várias centenas de milhares de euro sem incidir imposto sobre doação. Ao mesmo tempo, os pais mantêm margem de controle ao definir direitos de uso e o cronograma das transferências.

Conceitos essenciais, em poucas linhas

Isenção: parcela que não sofre tributação. Somente o que ultrapassa esse limite é alcançado pela tabela do imposto sobre doação.

Regra dos 15 anos: as isenções não voltam todo ano; elas valem uma vez por doador e beneficiário dentro de uma janela de 15 anos. Após esse período, inicia-se um novo ciclo com isenções integrais.

Usufruto e nua-propriedade: o usufrutuário pode morar ou alugar o imóvel, enquanto a nua-propriedade fica com o filho. Para fins de imposto, avalia-se apenas a nua-propriedade - quanto mais jovem o doador, menor tende a ser esse percentual.

Riscos, armadilhas e por que o planejamento faz diferença

Mesmo que o modelo do exemplo francês pareça especialmente generoso, seus fundamentos soam familiares para muitos leitores: doar cedo, aproveitar isenções e integrar isso ao planejamento imobiliário. Em qualquer sistema, vale a mesma lógica: transferências feitas no improviso, sem estrutura jurídica e sem declaração correta, aumentam o risco de cobranças posteriores ou de conflitos entre herdeiros.

Entre os tropeços mais comuns estão combinações mal alinhadas entre irmãos, documentos insuficientes em operações com imóveis e uma fragmentação do patrimônio que pode pressionar os pais na velhice. Por isso, qualquer doação relevante deve ser pensada não só do ponto de vista tributário, mas também financeiro: quanto capital os pais preservam para si? Quem assume o risco de oscilações de valor? Faz sentido registrar direito de moradia ou usufruto no cartório de imóveis?

Ao resolver essas questões e usar as margens válidas até o fim de 2026, uma parte substancial da transmissão patrimonial sai do “momento do falecimento” e passa para a fase ativa da vida - com menos imposto e mais liberdade de arranjo para todas as gerações.


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