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Haddock: o peixe magro com muita proteína, pouco mercúrio e ômega‑3

Pessoa servindo filé de peixe grelhado com limão em prato para criança à mesa de madeira.

Quando se fala em peixe, a maioria logo pensa em salmão ou bacalhau. Só que, discretamente, outro nome vem ganhando espaço nas gôndolas refrigeradas e, para quem se preocupa com saúde, funciona quase como um “achado”: o haddock (Scheillfisch/eglefino). Entre os peixes mais comuns, poucos juntam tão pouca gordura, tanta proteína e, ao mesmo tempo, níveis tão baixos de mercúrio.

Por que o haddock (Schellfisch) costuma ser uma escolha melhor

O haddock faz parte da família dos bacalhaus, mas aparece bem menos no cardápio do dia a dia. Para especialistas em nutrição, ele é uma opção prática para a rotina - sobretudo para quem quer emagrecer ou precisa ficar de olho no colesterol.

“O haddock oferece proteína extremamente magra, várias vitaminas do complexo B e minerais-traço - com uma carga muito baixa de metais pesados.”

Em 100 g, o haddock costuma entregar apenas cerca de 75–85 kcal. A gordura, na maioria dos casos, fica abaixo de 1 g a cada 100 g de peixe. Assim, ele compete sem dificuldade com um filé de frango magro, com a vantagem de fornecer mais micronutrientes relevantes.

Quais nutrientes tornam o haddock tão interessante

O destaque, na prática, é a combinação bem concentrada de vitaminas e minerais:

  • Vitamina B12: ajuda na formação do sangue e no funcionamento do sistema nervoso; é importante quando há cansaço e dificuldade de concentração.
  • Vitamina B3 (niacina): participa da produção de energia e do metabolismo de gorduras e carboidratos.
  • Selênio: atua como antioxidante, dá suporte ao sistema imune e também contribui para uma tireoide funcionando adequadamente.
  • Fósforo: essencial para ossos, dentes e para o metabolismo energético.
  • Potássio: auxilia na regulação da pressão arterial e na função do coração.

Quem troca com frequência carne vermelha por peixe magro - como o haddock - muitas vezes reduz a quantidade de gordura saturada na alimentação. Isso pode favorecer o colesterol LDL e, no longo prazo, aliviar a carga sobre coração e vasos sanguíneos.

Ômega-3: menos do que no salmão - mas ainda relevante

O haddock não é um “peixe gordo” como salmão, cavala (makrele) ou arenque (hering). Por isso, ele tem menos ômega‑3 do que essas espécies. Ainda assim, não é um peixe “zerado”: ele mantém quantidades relevantes de gorduras marinhas, que

  • podem reduzir os triglicerídeos no sangue,
  • ajudam a manter os vasos mais flexíveis,
  • e apresentam efeitos anti-inflamatórios.

Para quem prioriza ômega‑3, uma boa estratégia é combinar o haddock com uma a duas porções semanais de peixe mais gorduroso. Assim, você mantém as vantagens do peixe magro como fonte de proteína, sem abrir mão das gorduras associadas à proteção cardiovascular.

Mercúrio: por que o haddock é considerado especialmente seguro

Um dos maiores pontos a favor do haddock tem a ver com algo invisível: a baixa presença de metais pesados. Órgãos internacionais, como a FDA (EUA), além de diferentes instituições europeias, classificam o haddock como uma espécie com níveis muito baixos de mercúrio.

“Em recomendações oficiais, o haddock frequentemente aparece na categoria de ‘melhor escolha’ para crianças, gestantes e pessoas que querem comer peixe com mais frequência.”

O motivo: vida mais curta e dieta mais simples

A carga de metais como o mercúrio varia bastante conforme a longevidade e o padrão alimentar do peixe. Predadores grandes - como atum, peixe-espada ou tubarão - vivem mais tempo, ficam no topo da cadeia alimentar e acumulam metais no tecido ao longo dos anos.

Com o haddock, o cenário é diferente:

  • vive por menos tempo,
  • se alimenta principalmente de pequenos organismos do fundo e invertebrados,
  • não ocupa o topo da cadeia alimentar marinha.

Com isso, ele tende a acumular bem menos mercúrio. Para quem quer comer peixe duas vezes por semana sem ter que consultar tabelas o tempo todo, isso pesa bastante.

Haddock em comparação com o bacalhau clássico (Kabeljau)

Haddock e bacalhau (cod/Kabeljau) são muito parecidos - e pertencem à mesma família. No prato, muita gente percebe diferenças só sutis; no perfil nutricional, a semelhança costuma ser ainda maior.

Característica Haddock Bacalhau (Kabeljau)
Calorias por 100 g aprox. 75–85 kcal aprox. 75–85 kcal
Teor de gordura muito baixo, geralmente um pouco menor muito baixo
Selênio / potássio tende a ser um pouco mais alto alto, mas em geral ligeiramente abaixo
Sabor bem suave, levemente adocicado suave, um pouco mais “com gosto de peixe”
Estrutura do filé um pouco mais fina, pedaços menores mais grossa, filés maiores

Do ponto de vista da nutrição, dá para enxergar os dois quase como “primos com histórico parecido”. Quem gosta de bacalhau normalmente se adapta ao haddock rapidamente - e muitos consideram o sabor mais agradável por ser menos intenso no cheiro.

Sabor, preparo e dicas práticas

A carne do haddock é branca, macia e com um toque levemente adocicado. Isso ajuda inclusive quem costuma se afastar pelo cheiro típico de peixe. Na cozinha, ele funciona de várias maneiras:

  • rapidamente na frigideira, com um pouco de óleo e suco de limão,
  • cozido no vapor, para receitas bem baixas em calorias,
  • assado no forno com legumes e ervas,
  • como complemento em sopas leves de peixe ou ensopados.

Por ser tão magro, o haddock resseca com mais facilidade do que peixes mais gordurosos. Uma marinada com azeite, limão e ervas, ou um tempo de cozimento curto em fogo médio, costuma manter o filé suculento.

Com que frequência o haddock pode entrar no prato

Sociedades de nutrição geralmente recomendam uma a duas refeições com peixe por semana. Com um peixe de baixo mercúrio como o haddock, até grupos mais sensíveis - como crianças e gestantes - conseguem seguir essa orientação com relativa tranquilidade, desde que a alimentação no restante seja equilibrada.

“Do ponto de vista da exposição a metais pesados, o haddock está entre os peixes que dá para planejar com regularidade, sem peso na consciência.”

Ainda assim, a origem continua sendo importante. No supermercado ou no balcão de peixaria, vale conferir a rotulagem. Haddock vindo de pescarias certificadas e sustentáveis se destaca, por exemplo, com o selo MSC. Esses estoques são monitorados com frequência, têm limites de captura e medidas para reduzir o bycatch (captura acidental).

Riscos que quem come peixe deve considerar

Mesmo um peixe relativamente seguro não é “passe livre”. Em pessoas sensíveis, proteínas do peixe podem desencadear alergias. Quem já teve reação com outras espécies deve experimentar com cautela e, se necessário, buscar orientação médica.

Outro ponto é a conservação: peixe estraga rapidamente. Cheiro ácido e forte ou alterações de cor com aspecto iridescente são sinais claros de alerta. Em pessoas mais vulneráveis, peixe deteriorado pode causar sintomas gastrointestinais ou intoxicação alimentar. Produtos congelados trazem uma vantagem de segurança, desde que a cadeia de frio seja mantida.

Para quem o haddock vale especialmente a pena

Alguns grupos tendem a se beneficiar acima da média desse peixe magro e rico em proteína:

  • Pessoas em fase de redução de peso: muita proteína e poucas calorias - útil para saciedade sem excesso de energia.
  • Pacientes com risco cardiovascular: pelo baixo teor de gordura e um perfil de ácidos graxos mais favorável.
  • Gestantes e lactantes: por conta do baixo mercúrio e do bom aporte de B12 e selênio.
  • Crianças: sabor suave, poucas espinhas em bons filés e muitos nutrientes para crescimento e desenvolvimento.

Para quem vinha evitando peixe por medo de mercúrio, o haddock funciona como um meio-termo: bastante benefício com risco bem menor. E, quando entra em uma dieta variada com legumes, verduras, grãos integrais e leguminosas, ajuda a construir uma base alimentar sólida.

Quando aparecem termos como “perfil de gorduras no sangue” ou “triglicerídeos”, vale entender o que isso abrange: trata-se do conjunto de marcadores lipídicos, que inclui colesterol e outras gorduras circulantes. Peixes magros apoiam esse quadro de mais de um jeito - pela proteína, pelos minerais e por substituírem alimentos que podem ter maior impacto negativo. É exatamente nessa função que o haddock costuma mostrar seus pontos fortes.


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