O Mazda MX-30 voltou para a garagem da Razão Automóvel depois de passar por uma atualização recente. A grande mudança está na recarga: agora ele ficou mais rápido para carregar.
No carregamento rápido em corrente contínua (DC), a potência máxima aceita subiu de 40 kW para 50 kW. Na prática, isso significa conseguir levar a bateria a um bom nível em 26 minutos, algo como 10 minutos a menos do que antes.
Outra melhoria importante: o primeiro elétrico da Mazda passou a aceitar carregamento em corrente alternada (AC) trifásica de 11 kW (antes era de 6,6 kW). Pode soar como detalhe técnico, mas ao longo de vários dias com o MX-30 esses minutos e essa flexibilidade fizeram diferença.
Isso porque, mesmo com o update, a autonomia declarada continua igual: 200 km. A bateria também não mudou e segue com 35,5 kWh de capacidade - e esse é mais ou menos o percurso que eu preciso encarar diariamente.
Para complicar, eu não consigo carregar em casa e, onde moro, os pontos públicos ainda são poucos. Então, o tempo economizado nas recargas ajudou a manter a rotina sem grandes malabarismos.
Com isso, este teste do Mazda MX-30 acabou forçando o carro a sair da sua “zona de conforto” - a cidade - e encarar as planícies da lezíria ribatejana, longe do corre-corre urbano e, principalmente, longe de… eletropostos. Ele dá conta do recado?
As melhorias na recarga não transformaram o MX-30 em um devorador de estrada. Em percurso aberto, a autonomia (bem) limitada fica o tempo todo na cabeça, e não é simples chegar perto dos números prometidos sem aliviar o ritmo e aceitar algumas concessões.
Mesmo os 265 km anunciados para uso urbano me pareceram um tanto otimistas. Claro que no trânsito dá para avançar alguns quilômetros extras, mas a menos que você rode com congestionamento pesado ou em velocidades muito baixas, é difícil bater o valor divulgado pela Mazda.
Por outro lado, os vários níveis de regeneração de energia (ajustados pelas borboletas atrás do volante) não servem apenas para recuperar carga: eles quase permitem dirigir sem depender tanto do pedal de freio.
Um dos elétricos mais interessantes de conduzir
Ainda que a autonomia seja o principal limitador, isso não mudou a minha percepção de que o Mazda MX-30 não é um carro que “só faz sentido” na cidade. Em estradas e em rodovias, ele não decepciona; e, quando a rota ganha curvas, ele se destaca como um dos elétricos mais prazerosos de guiar - a ponto de quase não parecer um… elétrico.
Vale o aviso, porém: tirar o Mazda MX-30 do “tecido urbano” pede planejamento, especialmente para saber com precisão onde estão os eletropostos. Com isso resolvido, o menor tempo de carregamento ajuda a usar o carro com mais tranquilidade e aproveitar melhor o que ele tem de bom.
Igual a si mesmo
No restante, o Mazda MX-30 segue como um dos modelos mais diferentes do segmento, em grande parte por causa das portas traseiras com abertura invertida (popularmente chamadas de “portas suicidas”).
Visualmente, é uma solução marcante, mas no uso diário ela cobra seu preço. Ao estacionar em vagas na diagonal ou a 90 graus entre outros carros, quase nunca dá para abrir essas portas totalmente - e a promessa de acesso fácil ao banco de trás acaba frustrada, sobretudo quando é preciso acomodar crianças.
Fora isso, a cabine do Mazda MX-30 é um lugar realmente agradável. Os materiais agradam aos olhos e ao toque, e o nível de montagem é muito bom, deixando clara a aproximação da Mazda a alternativas premium.
É o carro certo para você?
Com a recarga mais rápida, o Mazda MX-30 ficou um pouco mais versátil e, assim, quase passa a permitir que ele não seja uma solução exclusivamente urbana.
A autonomia de 200 km em uso misto ainda “fica devendo”, mas, ao contrário da primeira vez que dirigi o MX-30, não bateu aquele medo de perder tempo demais para fazer um deslocamento simples. Afinal, no tempo de tomar um café já dá para recuperar autonomia suficiente para chegar ao destino.
Com um preço que o coloca em “rota de colisão” com alternativas como o CUPRA Born e sem os argumentos racionais de outros modelos, como o Peugeot e-2008, o Mazda MX-30 se apoia na excelente qualidade de montagem, em materiais de dar inveja e em um visual que faz ele se destacar no meio da multidão.
Isso faz dele uma boa escolha para quem coloca imagem e qualidade no topo da lista - mesmo que isso signifique abrir mão de um pouco de autonomia, sendo talvez mais indicado para quem consegue carregá-lo em casa.
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