Porsche Taycan, 911, Macan ou Cayenne: são esses os nomes que, em geral, vêm à cabeça quando pensamos nos carros da Porsche.
Só que isso vale para os modelos de produção. Já no caso dos protótipos de teste, a lógica é diferente: os engenheiros da Porsche costumam dar apelidos aos veículos que funcionam como um “laboratório” para aquilo que a marca vai lançar no futuro.
E por que Ludmilla? Nós também fizemos essa pergunta aos representantes da Porsche no evento em que tivemos contato direto com esse protótipo. A apresentação aconteceu na Itália, durante a estreia do Porsche 99X, mas não houve uma explicação oficial.
De toda forma, Ludmilla não carrega apenas esse enigma - como fica claro mais adiante.
Empatia e proximidade
O que conseguimos apurar é que todos os protótipos de desenvolvimento da marca recebem nomes próprios.
De acordo com a equipe de engenharia, essa foi a maneira encontrada para aumentar a proximidade e a empatia com os carros de teste. “Passamos meses e meses na companhia destes protótipos, por vezes em condições de testes muito difíceis. É quase impossível não nos apegarmos a eles. Às vezes até nos custa submetê-los aos testes mais duros ”, contou um dos engenheiros da marca, nos bastidores da apresentação.
Adeus Ludmilla. Olá Porsche Macan
Esse protótipo específico, a Ludmilla, participou de todos os testes feitos em cascalho e também na neve, realizados há poucos meses. Agora, ela foi “aposentada” - e isso nos deixa mais perto de ver chegar o segundo modelo 100% elétrico da Porsche: o novo Macan.
Só chega em 2024
Planejada inicialmente para 2023, a segunda geração do Porsche Macan - que será exclusivamente elétrica - acabou empurrada para 2024.
O motivo do adiamento está ligado aos entraves no desenvolvimento da plataforma de software E3 1.2 pela Cariad, divisão de software do Grupo Volkswagen - apontada, inclusive, como uma das razões que levaram à demissão de Herbert Diess, ex-diretor executivo do grupo alemão.
E há uma explicação para tanta cautela: este é um dos Porsche mais relevantes dos próximos anos, já que vai estrear a plataforma PPE (Premium Platform Electric), dedicada a elétricos e desenvolvida em conjunto com a Audi - o Q6 e-tron será o primeiro da marca a se beneficiar dessa nova base.
É justamente sobre a PPE que deve recair boa parte do peso de transformar a Porsche em uma marca majoritariamente eletrificada - já em 2025, a fabricante de Estugarda quer que mais de 50% das suas vendas sejam de elétricos ou híbridos plug-in.
O que já sabemos?
Depois de contextualizar a importância do futuro Macan elétrico e da plataforma PPE dentro dos planos da Porsche, vale olhar para o que já está confirmado sobre esse SUV elétrico - e os números chamam atenção.
Com uma bateria cuja capacidade total deve ficar na casa dos 100 kWh - vale lembrar que o Taycan usa uma bateria de 93,4 kWh - o Macan elétrico terá arquitetura de 800 V, o que permitirá elevar a carga da bateria de 5% para 80% em apenas 25 minutos.
Além disso, haverá versões com até 450 kW de potência, o equivalente a 612 cv, e com mais de 1000 Nm de torque máximo - cifras que levam a Porsche a defini-lo como “o modelo mais desportivo do segmento”.
Nas configurações mais fortes, o Macan deve usar dois motores elétricos, um em cada eixo, garantindo tração integral. Ainda assim, a plataforma PPE também viabiliza uma opção com apenas um motor e tração traseira.
Segundo os responsáveis da Porsche, o motor traseiro ficará posicionado atrás do eixo posterior - à la 911… - para assegurar uma distribuição de peso de 48/52 entre a dianteira e a traseira, solução que a marca chama de Performance Rear Axle.
E, já que o assunto é o conjunto traseiro, vale destacar: o Macan terá quatro rodas direcionais, com as traseiras podendo esterçar até cinco graus. Em velocidades de até 80 km/h, as rodas traseiras viram no sentido oposto ao das dianteiras; acima de 80 km/h, passam a esterçar no mesmo sentido.
E a imagem?
Nem a Ludmilla nem os demais protótipos de testes permitem enxergar por completo o visual do futuro Macan elétrico, já que eles rodam com uma camuflagem pesada que praticamente esconde tudo.
Mesmo assim, dá para notar que a assinatura luminosa dianteira deve se aproximar da do Porsche Taycan e que a linha do teto será mais inclinada, indicando que este SUV vai adotar um perfil mais próximo ao de um cupê.
O que já é certo, por enquanto, é que o novo Porsche Macan aceitará rodas de até 22”. Sobre a cabine, o que se sabe é que ela será influenciada pelo interior do Porsche Taycan.
Macan atual vai continuar
A estreia do Porsche Macan elétrico está prevista para 2024, como já mencionamos, mas a marca de Estugarda confirmou que, no primeiro ano de vendas, a geração 100% elétrica vai coexistir com a geração atual, que ainda utiliza motores a combustão interna.
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