A atual safra do Chevrolet Corvette (C8) já nasceu com status de capítulo histórico: foi o primeiro Vette com motor central-traseiro; o Z06 inaugurou o uso de virabrequim de plano cruzado - e, por isso, o seu V8 tem uma sonoridade que lembra a de um Ferrari; e o E-Ray, recém-apresentado, passa a ser o primeiro Corvette híbrido e com tração integral em toda a trajetória do modelo.
Com tantos marcos reunidos, é natural que o primeiro Corvette eletrificado desperte atenção. E ele já chega com um feito claro: torna-se o Corvette de produção com aceleração mais rápida, superando inclusive o Z06, ao cumprir o sprint de 0 a 96 km/h (60 mph) em 2,5s.
O desempenho também aparece no tradicional “quarto de milha” (402 m). Nele, o novo Corvette E-Ray completa a prova em apenas 10,5s, cruzando a linha a 209 km/h. A velocidade máxima, por enquanto, não foi divulgada.
Um «super híbrido»
Oferecido como Coupé e Cabrio - com 1712 kg e 1749 kg a seco, respectivamente, o que faz dele o Corvette mais pesado de todos -, o Corvette E-Ray utiliza o V8 LT2 de 6,2 litros já conhecido do Corvette Stingray, com 502 cv de potência e 637 Nm de torque máximo.
A diferença é que, no E-Ray, esse V8 trabalha em conjunto com um motor elétrico instalado no eixo dianteiro (ele movimenta apenas as rodas da frente e não tem ligação ao eixo traseiro). Esse conjunto elétrico entrega 120 kW (163 cv) e acrescenta 165 Nm, resultando em 655 cv (481 kW) de potência máxima combinada e garantindo, pela primeira vez na história do Corvette, tração nas quatro rodas.
Para alimentar o motor elétrico, há uma bateria de íons de lítio de apenas 1,9 kWh, montada no túnel central entre os dois ocupantes, com o objetivo de favorecer a melhor distribuição de massas possível.
Por ser uma bateria de pequena capacidade, o E-Ray é um full hybrid, e não um híbrido plug-in. Em outras palavras, não é necessário conectá-lo a uma tomada: a recarga acontece por meio da recuperação de energia em desacelerações e frenagens.
Além de permitir que o V8 opere com metade dos cilindros “desligados” em mais situações - ajudando a economizar combustível -, o sistema elétrico ainda oferece alguma autonomia em modo 100% elétrico (4-5 km). Segundo a própria marca norte-americana, isso basta para “sair de uma zona residencial sem fazer qualquer ruído”, podendo chegar a 72 km/h antes de o V8 “acordar”.
Eletrificação não é a única novidade
O trabalho dos engenheiros do Corvette E-Ray não se limitou ao motor e ao sistema híbrido. Esse “super híbrido” também traz freios Brembo com discos carbocerâmicos, rodas de 20” na dianteira e 21” na traseira (em alumínio ou fibra de carbono) e suspensão Magnetic Ride Control 4.0.
Somado a isso, este Vette eletrificado é 9,14 cm mais largo do que um Stingray convencional - exatamente como o Z06 -, o que permite adotar os mesmos pneus do Z06 (Michelin Pilot Sport e Pilot Sport 4S, com 275 mm de largura na frente e 345 mm atrás) para lidar melhor com o torque extra.
A maior largura também faz o E-Ray parecer ainda mais imponente na estrada e traz mudanças visuais em relação ao Stingray. As diferenças começam na dianteira, que é levemente redesenhada, e vão até a traseira, que recebeu novas saídas de ar.
Ainda assim, o contraste mais fácil de notar está na pintura: o E-Ray pode ser configurado em 14 cores diferentes e aceita uma faixa azul “Electric Blue”, exclusiva desta versão.
E os preços?
O Corvette E-Ray fará sua estreia comercial nos Estados Unidos da América na segunda metade deste ano - ainda sem confirmação de chegada (ou não) à Europa -, embora a Chevrolet não tenha informado uma data exata.
De todo modo, os valores iniciais já são conhecidos: 104 295 dólares (cerca de 96 400 euros) no Coupé e 111 295 dólares (aproximadamente 103 000 euros) no Cabrio.
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