O novo Range Rover Sport já “aterrou” em Portugal e tivemos a chance de “sentir o pulso” do modelo - ainda que por poucos minutos.
Mesmo com um contato tão curto, deu para notar que o SUV mais voltado à performance da família “Range” segue em ótima forma.
Isso fica ainda mais evidente na configuração que guiamos: a Autobiography, com o conjunto híbrido plug-in P510e, que combina força e disponibilidade com a possibilidade de rodar mais de 100 km em modo 100% elétrico.
Diferente, mas igual
Por fora, o novo Range Rover Sport continua fiel às linhas clássicas da marca britânica. Ainda assim, evoluiu e segue exibindo, de maneira clara, uma personalidade própria em relação ao “irmão” Range Rover.
Na dianteira, chama atenção o fato de esta versão Sport adotar uma grade bem menor. É uma escolha de estilo que reforça o temperamento mais esportivo que a marca de Whitley quis imprimir a esta proposta.
Mas é atrás que o Sport mais se distancia do “irmão” aristocrático: a placa fica mais baixa, no para-choque, e as lanternas traseiras passam a estar integradas somente em uma barra horizontal.
E por dentro?
Na cabine, as diferenças são mais discretas, mas estão lá. Começam pela tela central curva de 13,1”, posicionada de forma menos vertical, e também pelas saídas de ventilação do painel.
A tela - com resolução excelente e gráficos atuais - é, inclusive, um dos pontos altos do interior do novo Range Rover Sport. Ela trabalha em conjunto com o quadro de instrumentos de 13,7”, um sistema de projeção de informações no para-brisa totalmente novo e o som Meridian, que entrega um nível de qualidade raro.
E ainda nem entramos no tema do luxo: tanto nos bancos dianteiros quanto, principalmente, nos traseiros, dois pilares dominam a experiência - espaço e conforto. E, acredite, ambos aparecem em quantidades muito generosas.
Esse refinamento é reforçado pelas opções de personalização do Sport, já que a lista de acabamentos e materiais é extensa, assim como a relação de opcionais que a Range Rover oferece a quem pretende levar um desses SUVs.
Uma coisa, porém, parece bem provável: o Range Rover Sport não abre mão da elegância. E, apesar de mais moderno e digital do que nunca, ele continua sendo um… Range Rover. Isso deve agradar aos clientes mais fiéis da marca.
E na estrada, como se sente?
O Range Rover Sport cresceu em todas as direções e, na versão que testamos, apontou impressionantes 2810 kg na balança - onde é que os automóveis modernos vão parar? -, muito por conta do conjunto híbrido plug-in.
Em comparação ao Range Rover, o Sport traz 20 mm a menos de altura do solo e molas 35% mais rígidas, para fazer jus ao nome. Mas já dá para adiantar: este Range Rover tem bem pouco de Sport.
Talvez pelo porte, pela massa elevada e até por todo o luxo ao redor, ele não convida a uma condução mais agressiva. Ainda assim, fica claro que houve um esforço sério para minimizar esse efeito.
Só que poucas coisas são tão inevitáveis quanto as leis da física e, nas curvas, o peso aparece com nitidez, ainda que o que o Sport consegue fazer siga sendo notável para o tamanho que tem.
Eu não consigo imaginar este Range Rover Sport em uma estrada de serra muito travada, como imagino, por exemplo, um Porsche Cayenne Coupé. Ele é, isso sim, um excelente carro de estrada, que combina melhor com viagens longas e em família.
Foi em um trecho curto de autoestrada que mais aproveitei este Range Rover Sport, que roda com uma suavidade que impressiona. A suspensão absorve tudo o que encontra pela frente com muita competência, o que se traduz em um rodar extremamente elegante.
Tudo isso fica ainda mais evidente pelo conforto dos bancos e pelo bom nível de isolamento acústico percebido na cabine. Ele chega a virar uma cápsula, mantendo a gente distante do que acontece do lado de fora.
O sistema híbrido é a sua maior “arma”
No trânsito urbano, curiosamente, as dimensões e o peso deste SUV não atrapalharam, muito graças às rodas traseiras esterçantes (viram até 7,3º), que reduzem o diâmetro de giro para apenas 10,95 m.
Somando isso ao fato de que este Range Rover Sport consegue ultrapassar 100 km em modo totalmente elétrico, fica claro que ele se sente bem mais à vontade na cidade do que seria de se esperar.
Aqui vale abrir um parêntese para detalhar o conjunto mecânico da versão P510e que guiamos: ele usa um motor 3,0 l de seis cilindros em linha com turbo, que rende 400 cv, associado a um motor elétrico (dianteiro) de 143 cv. No total, são 510 cv combinados e um torque máximo de 700 Nm.
Não tive oportunidade de conduzir este Range Rover Sport fora de estrada, mas o vídeo de lançamento do modelo não deixa grandes dúvidas acerca das capacidades offroad deste SUV, certo?
O componente-chave do sistema híbrido plug-in é a bateria de íons de lítio (montada na região central) com 38,2 kWh, dos quais 31,8 kWh são utilizáveis.
Na prática, isso quer dizer que a bateria deste híbrido plug-in é maior do que a de alguns carros 100% elétricos vendidos hoje. O Honda e, com bateria de 35,5 kWh, é um bom exemplo.
Por isso, o Range Rover Sport P510e declara autonomia elétrica de até 112 km, além de consumo combinado de 0,9 l/100 km e emissões de CO₂ de apenas 19 g/km.
Sabemos que alcançar esse consumo só é viável se o uso for praticamente todo em modo elétrico - e a evidência está nos 7,7 l/100 km de média que registrei neste breve contato. Já na cidade, com a parte elétrica trabalhando mais, consegui baixar para 3 l/100 km. Em autoestrada, por outro lado, rodando basicamente com o motor a combustão, o computador indicou 11,3 l/100 km.
A autonomia em modo elétrico é, sem dúvida, um dos maiores trunfos deste Range Rover Sport. Há quem consiga fazer o trajeto diário casa-trabalho-casa por dois dias sem gastar uma gota de combustível - e isso merece ser considerado.
Mas, curiosamente, o que mais me marcou nesse sistema nem foi a autonomia elétrica, e sim a suavidade geral do funcionamento: nesse aspecto, foi um dos híbridos plug-in de que mais gostei de dirigir.
A calibração do pedal de freio, por exemplo, está bem acima do que vejo na maioria dos híbridos plug-in que testei recentemente - aquela sensação mais esponjosa típica de muitos PHEV (veículo elétrico híbrido plug-in) simplesmente não aparece.
Um dos híbridos plug-in mais rápidos a carregar
Diferentemente de muitos híbridos plug-in, que não aceitam recarga em corrente contínua (DC) ou, quando aceitam, ficam limitados a 22 kW, este Range consegue carregar em DC a até 50 kW.
O Range Rover Sport ainda é relevante?
Essa é a pergunta inevitável. Apresentada em 2005, a versão Sport do icônico Range foi uma das pioneiras entre os SUVs com proposta mais esportiva e de alto desempenho.
Agora, nesta terceira geração e com mais concorrentes do que nunca, sim: posso dizer que ele segue tão relevante quanto antes. O Sport entrega o luxo e o conforto esperados de um Range Rover no topo, mas faz isso com uma imagem diferente e menos voltada ao status - apesar do tamanho imponente.
Além desse visual mais esportivo e do interior sofisticado - com excelente qualidade de montagem, outro ponto que me surpreendeu neste primeiro contato -, o Range Rover Sport também se atualiza com uma tecnologia híbrida plug-in mais avançada e eficiente - em 2024, chegará uma versão inédita 100% elétrica.
O resultado é que, além de ser um estradista de alto nível e muito confortável, ele ainda permite percorrer muitos quilômetros sem gastar combustível.
Mas tudo isso cobra seu preço: o Range Rover Sport agora parte de 109 534 euros e chega a 192 127 euros na versão First Edition, com motor V8 biturbo de 4,4 l e 530 cv.
Já a versão P510e que testamos, com o pacote Autobiography, começa no mercado português em 146 977 euros.
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