O Dacia Spring 2024 entrega o que se espera de um elétrico compacto para a rotina - e agora custa menos.
Nem todo carro elétrico precisa ser grande, potente ou cheio de firulas para fazer sentido. Desde que dê conta do recado no dia a dia, seja simples de usar e caiba no orçamento, ele já cumpre sua missão - e é exatamente essa a proposta do Dacia Spring 2024.
Lançado em 2021, o Dacia Spring virou rapidamente um caso de sucesso: já soma mais de 140 000 unidades vendidas e, ano após ano, tem sido a porta de entrada de muitos clientes europeus no mundo dos carros elétricos.
Agora, o Spring recebeu a maior atualização da sua história e, ao mesmo tempo, reforçou o posto de elétrico mais barato à venda no mercado - a ideia continua sendo a mesma: um elétrico para todo mundo.
Fomos até Bordéus, na França, para testá-lo em primeira mão e ver de perto tudo o que mudou. Mostramos tudo neste vídeo:
Mais robusto e divertido
Por fora, a mudança salta aos olhos. As dimensões seguem as mesmas, mas, ao encarar o Spring 2024, ele parece maior. Essa impressão vem do novo desenho, com linhas mais retas e superfícies mais planas.
Além disso, estreia a nova “cara” da Dacia, com uma assinatura luminosa renovada (parecida com a do novo Duster) e o novo logotipo bem no centro.
Na versão topo de linha Extreme, que dirigimos, ele ainda se destaca pelos novos grafismos na parte inferior dos para-choques. Pode parecer um detalhe, mas ajuda a dar a esse elétrico pequeno um visual bem mais divertido.
Na traseira, as mudanças também são grandes, começando pelas lanternas, agora mais angulares, com uma faixa preta conectando os conjuntos. De perfil, o destaque vai quase todo para as rodas: nas versões mais potentes (65 cv), as rodas são de 15” de série.
Revolução no interior
Por dentro, eu arriscaria dizer que o salto foi ainda maior: o Spring ganhou um painel totalmente novo, com desenho mais horizontal, em linha com o que já vemos em outros modelos da marca.
Atrás do volante (com desenho semelhante ao do novo Duster), agora existe um painel de instrumentos digital de 7”, de série em todas as versões. No centro, nas versões mais completas, há uma tela de 10”, com integração sem fio do smartphone via Android Auto e Apple CarPlay.
Mas o que realmente pesa no uso do dia a dia é o reforço de segurança que o Spring recebeu, para ficar em conformidade com as novas exigências da União Europeia.
Assim, o Spring passa a trazer de série sistemas de assistência à condução (ADAS): do sistema de frenagem de emergência ao reconhecimento de placas com alerta de velocidade, além de aviso de saída de faixa, assistente de manutenção em faixa e detector de atenção do motorista.
E o espaço?
Mesmo sendo compacto, o Spring se sai muito bem em espaço e versatilidade - e nessa atualização isso ainda foi melhorado.
O porta-malas, por exemplo, passou de 270 litros para 308 litros. Com o banco traseiro rebatido (sempre inteiro), esse volume chega a 1004 litros.
Mas, se quiserem ver em detalhe o espaço que o Spring oferece no porta-malas e no banco traseiro, o melhor mesmo é assistir ao vídeo em destaque.
Mecânica inalterada
Ao contrário da evolução evidente no visual externo e interno, e do aumento significativo dos equipamentos a bordo (especialmente os de segurança), mecanicamente o Spring 2024 não mudou.
Ou seja: o novo Dacia Spring continua disponível com duas configurações, uma de entrada, com motor elétrico de 33 kW (45 cv) e 125 Nm, e outra topo de linha com 48 kW (65 cv) e 113 Nm.
A diferença é que, antes, a motorização mais forte era exclusiva do nível Extreme (o mais alto). Agora, ela passa a ser oferecida já a partir do nível Expression (intermediário).
E a autonomia?
Em ambas as versões, a bateria é a mesma: íons de lítio (NMC) com 26,8 kWh de capacidade útil (sem alterações), instalada sob os bancos traseiros. Em qualquer variante, promete autonomia de até 225 quilômetros.
Pode parecer pouco, mas a verdade é que os atuais clientes do Spring rodam, em média, 37 km por dia. Além disso, 75% desses clientes conseguem carregar sempre em casa. Isso mostra que a autonomia do Spring está longe de ser um problema para quem realmente usa o carro.
Falando em recarga, o Spring vem de série com carregador de bordo de 7 kW (corrente alternada), permitindo carregar a bateria de 20% a 100%, em uma tomada doméstica, em menos de 11 horas.
Opcionalmente, por mais 600 euros, há um carregador de 30 kW em corrente contínua, que permite ir de 20% a 80% em 45 minutos.
O que mudou na estrada?
Mesmo sem mexer nas motorizações, o Spring 2024 também evoluiu na prática (de forma mais discreta) ao rodar. Dá para notar que a direção ficou um pouco mais comunicativa e que a suspensão está ligeiramente menos seca - um dos pontos de que eu menos gostava no modelo original.
Acima de tudo, o Spring segue sendo um carro fácil e gostoso de dirigir. Ainda mais agora, com o Modo B da transmissão, que permite fazer a maior parte do trajeto na cidade usando praticamente só o pedal do acelerador.
Os consumos também surpreendem - para melhor. Com uma condução mais cuidadosa, é fácil ficar na casa dos 11 kWh/100 km. Neste primeiro contato, os números ficaram abaixo dos 13,5 kWh/100 km oficiais, mas o trajeto ajudou. Fica para um teste mais longo em Portugal uma avaliação mais profunda nesse ponto.
No outro extremo, o isolamento acústico segue simples demais. A partir dos 100 km/h, o interior recebe bastante ruído (aerodinâmico e de rodagem). Ainda assim, considerando o preço do Spring 2024 - e de outros modelos dessa categoria -, não chega a ser uma surpresa.
Ainda mais barato
Essa atualização deixou o Dacia Spring ainda melhor, não tenho dúvida. Mesmo assim, a marca romena conseguiu torná-lo ainda mais barato.
Na versão Essential, com 45 cv, o Spring parte de 16 900 euros. Logo acima, o Expression, com motor de 65 cv, começa nos 18 900 euros. Por fim, o Spring Extreme com 65 cv, que foi o que testei, está disponível a partir de 19 900 euros.
As encomendas já estão abertas, e as primeiras unidades chegam ao mercado português no próximo mês de setembro.
Que versão comprar?
Não é obrigatório escolher o Spring mais completo - o Extreme -, embora seja o que entrega mais argumentos, começando pelo visual externo. Ainda assim, o nível Expression já traz tudo o que é essencial.
Por outro lado, faz bastante sentido optar pela versão mais potente, de 65 cv, que se mostra bem mais à vontade na estrada. Isso apesar dos 2000 euros de diferença entre as duas variantes - um valor que, nesse patamar, ainda pesa.
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