A idade média do parque automotivo em Portugal continua subindo, e os usados importados entram no centro da discussão. A ACAP - Associação Automóvel de Portugal - critica políticas públicas que, segundo a entidade, vêm permitindo a entrada de veículos mais velhos e mais poluentes no país, enquanto não conseguem estimular de forma realmente eficaz a eletrificação do setor.
Parque automotivo português passa dos 14 anos
De acordo com os dados mais recentes divulgados pela associação, a idade média do parque automotivo português no ano passado já ultrapassava 14 anos (14,1). O levantamento também aponta um recorde: 1,6 milhões de veículos com mais de 20 anos ainda circulando.
Para Helder Barata Pedro, secretário-geral da ACAP, esse quadro é consequência de políticas públicas incoerentes que acabam dificultando a renovação da frota. “Há uma série de contradições nestas políticas que em nada beneficiam a redução da idade média do parque automóvel nacional”, declarou durante mais uma edição do Auto Talks, o novo formato editorial da Razão Automóvel, lançado no ECAR Show.
Mais carros importados e mais antigos
Na avaliação do secretário-geral, os incentivos existentes acabaram facilitando a entrada de veículos usados em Portugal - muitos já com idade elevada e, na maioria dos casos, com motorização Diesel.
Para situar o cenário: em 2024, Portugal importou cerca de 106 mil veículos - ligeiramente menos do que em 2023 -, mas a idade média dos carros importados chegou a oito anos, quando nos anos anteriores ficava em 4,5 anos. Desse total, 44% eram Diesel e 27% tinham mais de 10 anos.
ISV: componente ambiental é alvo de críticas da ACAP
Além disso, o dirigente questionou como está estruturada a componente ambiental do ISV (Imposto Sobre Veículos), afirmando que, na prática, ela tende a penalizar menos os veículos mais antigos e mais poluentes.
“É uma contradição: quanto mais velho é o veículo, mais polui e menos paga na componente ambiental.”
Helder Barata Pedro, secretário-geral da ACAP
CO2 deve ser o paradigma
A associação sustenta que a tributação automotiva deveria se concentrar nas emissões de dióxido de carbono (CO₂), e não na idade do veículo, “porque é isso que conta em termos europeus”, disse Helder Barata Pedro.
Incentivos à troca deveriam incluir veículos eletrificados
Outro ponto levantado pelo representante da ACAP é a ausência de incentivos mais fortes para quem pretende trocar de carro. Para ele, além de “insuficientes”, esses apoios ficam restritos à compra de veículos elétricos.
“Estes 1420 incentivos que o Governo tem dado são insuficientes e limitados apenas a elétricos, e nós achamos que não devia ser assim, mas sim a todos os veículos eletrificados.”
Helder Barata Pedro, secretário-geral da ACAP
Para a ACAP, sem mudanças profundas no sistema fiscal e no modelo de incentivos, Portugal deve continuar entre os países com o parque automotivo mais envelhecido da Europa - e também entre os mais poluentes.
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