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Friedrich Merz pressiona Bruxelas por flexibilidade na meta de 90% de CO2 em 2035

Homem sério de terno apoia as mãos em mesa com documentos e miniatura de carro, com bandeiras da UE ao fundo.

Desde que Friedrich Merz assumiu como chanceler da Alemanha, ele tem sido um defensor declarado da indústria automotiva e da necessidade de a União Europeia adotar regras com mais margem de adaptação. Nas últimas semanas, o líder alemão voltou ao tema ao levar uma posição objetiva para a mesa de negociações em Bruxelas.

Negociações de 2035 e a meta de 90% de CO₂

O ponto central é uma proposta da Comissão Europeia que reduz a ambição do objetivo para 2035: em vez de exigir uma queda de 100% nas emissões de CO₂, o texto passa a prever uma redução de 90% até 2035, tomando 2021 como referência. A iniciativa foi anunciada em dezembro do ano passado.

Mesmo com essa “suavização”, a proposta estabelece que os 10% restantes precisariam ser compensados pelas montadoras por meio do uso de biocombustíveis sustentáveis, combustíveis sintéticos ou aço de baixo carbono produzido na Europa.

Posição de Friedrich Merz e as exigências da Alemanha em Bruxelas

Segundo a Bloomberg, Merz comunicou que seu governo vai pressionar para que o excedente de emissões acima da meta de redução de 90% não tenha de ser integralmente compensado depois de 2035. Para o chanceler, biocombustíveis e combustíveis sintéticos deveriam ser reconhecidos, desde o início, como emissões zero.

Além disso, Friedrich Merz também rejeitou a proposta da União Europeia que obriga grandes empresas a manter, a partir de 2030, uma porcentagem mínima de veículos com emissões nulas ou baixas. “Estamos a entrar nas negociações com Bruxelas unidos e determinados”, afirmou o líder.

Essa linha é apoiada pelo vice-chanceler e ministro das Finanças, Lars Klingbeil, que também é co-líder do SPD (Partido Social Democrata). “Estou firmemente convencido de que o futuro da indústria automóvel é elétrico, mas precisamos de flexibilidade e abertura nesse caminho”, disse. A coalizão no governo é formada pelo bloco CDU/CSU, de Merz, em conjunto com os Social-Democratas.

Dentro do mesmo pacote de demandas, a Alemanha também quer interromper o aumento do fator de utilidade, a métrica usada para certificar as emissões dos híbridos plug-in.

Uma história que se repete

Não é a primeira vez que Berlim trava um embate desse tipo em Bruxelas. O governo alemão anterior, liderado pelo SPD, já havia feito pressão contra a exigência de redução de 100% das emissões de CO₂ - o que, na prática, proibiria motores a combustão interna em carros novos - e obteve uma exceção para veículos abastecidos com combustíveis sintéticos.

Depois do anúncio, em dezembro, da flexibilização da meta para 2035, a versão detalhada da proposta passou a ser negociada entre os Estados-membros e o Parlamento Europeu, o que mantém o resultado final em aberto.

Nem todos os Estados-membros da União Europeia estão alinhados com a Alemanha. Espanha e Suécia têm se posicionado contra qualquer afrouxamento das regras, argumentando que uma abordagem mais permissiva pode prejudicar a competitividade europeia diante da China, que avança em ritmo acelerado na eletrificação.


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