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Audi TT e o Carro do Ano em Portugal em 1999

Carro esportivo Audi TT prata exibido em showroom com iluminação focal destacando detalhes do veículo.

Inédito: em 1999, o prêmio de Carro do Ano em Portugal foi para o Audi TT, um… cupê. Pela própria proposta, é um modelo que coloca imagem e desempenho acima de critérios mais pragmáticos que costumam pesar nesses troféus, como aspectos de praticidade ou economia.

Esse resultado acaba espelhando o impacto provocado pelo primeiro Audi TT (geração 8N), que chegou em 1998. Para entender o fenômeno, é preciso voltar a 1995, quando a Audi revelou no Salão de Frankfurt o protótipo de mesmo nome que daria origem ao cupê e, mais tarde, ao conversível (lançado em 1999).

Fez barulho? Sem dúvida. O desenho do pequeno cupê da Audi foi uma quebra clara com os padrões do design automotivo daquela época. Não faltou quem o chamasse de ousado, inovador e até revolucionário.

A proposta estética deixava de lado a suavidade do visual “bio” que marcava os anos 90, com contornos e superfícies em transições macias e um vocabulário de formas arredondadas e elípticas. Em contraste, o Audi TT adotava um traço mais formal, de geometria limpa e rigorosa, com volumes mais bem definidos e elementos - como os faróis - que pareciam nascer da interseção de linhas precisas.

Curvas existiam, mas como se fossem arcos de circunferência, e não elipses ou cantos arredondados; todo o volume do habitáculo é um exemplo emblemático dessa abordagem.

Assinado inicialmente por Freeman Thomas e, na passagem para a produção, acompanhado por Peter Schreyer - então diretor de design da Audi e hoje o principal responsável pelo design de todo o grupo Hyundai-Kia -, o TT de série praticamente não abriu mão do que se via no conceito. Ele chegou a manter a impressão de para-choques “inexistentes”, já que estavam integrados ao conjunto.

Por dentro, o projeto atribuído a Romulus Rost não ficava atrás do exterior e, mais de 20 anos depois do lançamento, ainda impressiona. Com uma organização em “T”, chamavam atenção o semicírculo que reunia os instrumentos e as saídas de ventilação circulares, com molduras metálicas. O interior era majoritariamente preto, mas as inserções metálicas em contraste garantiam uma aparência sofisticada, muito valorizada até hoje.

Mesmo com um rigor estético e formal em que cada linha e cada elemento pareciam ter justificativa funcional - o que gerou comparações com a Bauhaus, a primeira escola de design (surgida na Alemanha) -, o Audi TT já nasceu carregado de emoção.

Tanto que há muitos que “acusam” o TT de ter sido o ponto de virada que fez a Audi passar a ser vista no mesmo patamar das atuais arquirrivais BMW e Mercedes-Benz - e não o portentoso A8, todo em alumínio, lançado em 1994.

Além do design

Embora o visual fosse marcante, original e inconfundível, sob a carroceria o Audi TT era bem mais convencional. Ele se apoiava em uma variante modificada da PQ34, a mesma plataforma do primeiro Audi A3 e do Volkswagen Golf Mk4. Por isso, não surpreende que tenha herdado desses modelos boa parte das soluções mecânicas e dinâmicas.

Dá para dizer que o TT quase se resumia a um motor - ainda que em várias calibrações: o 1,8 l de quatro cilindros em linha, com cinco válvulas por cilindro (20 válvulas ao todo) e turbocompressor.

No lançamento, havia duas versões, com 180 cv e 225 cv. Depois da reestilização, surgiram outras: 150 cv e 240 cv; e, já perto do fim da vida comercial, 163 cv e 190 cv. A força ia para as rodas dianteiras ou para as quatro rodas (Haldex), por meio de câmbios manuais de cinco ou seis marchas, ou ainda de um Tiptronic de seis marchas.

Em 2003, a gama receberia um motor novo - e o maior de todos: o 3.2 V6. O Audi TT 3.2 V6 quattro foi o mais potente da primeira geração do TT, com 250 cv, compartilhando o conjunto mecânico com o primeiro Volkswagen R, o Golf R32. E, se não fosse o “primo” ter aparecido pouco antes, teria sido o TT o primeiro carro de produção com uma transmissão de dupla embreagem.

Rápido? Sim, mas e a dinâmica…

Seja com o 1.8 turbo, seja com o 3.2 V6, ninguém podia dizer que o Audi TT faltava desempenho - como se espera de um cupê esportivo. Ainda assim, depois das primeiras avaliações dinâmicas, surgiram muitas críticas pouco favoráveis. Não era um carro incompetente, mas raramente convencia pelas credenciais esportivas ao volante - e isso lhe custou vitórias em praticamente todos os comparativos com rivais.

A explicação vinha, sobretudo, das bases do projeto, pensadas originalmente para compactos familiares, não para esportivos. Mesmo com ajustes feitos pela Audi na PQ34, as versões de tração dianteira mantiveram o eixo traseiro semirrígido (barra de torção), como no A3 e no Golf - o que não ajudava. Nas versões quattro, a traseira adotava suspensão independente (esquema multibraço), mas o comportamento não melhorava, resultando em uma condução com pouco entusiasmo.

O TT também se envolveu em polêmica por causa de casos muito comentados de saídas de pista em alta velocidade (cerca de 200 km/h) ocorridos na Alemanha. Isso levou a mudanças no chassi e a um ESP (que passou a ser de série) mais interventivo, que deixaram ainda mais evidente sua natureza de “tudo à frente”, favorecendo uma atitude subesterçante - e ele ainda ganhou um pequeno aerofólio traseiro para reduzir os valores de sustentação positiva sobre o eixo traseiro.

Sucesso comercial

Mesmo sem ter na dinâmica o seu maior trunfo, isso não impediu que o primeiro Audi TT virasse um sucesso de vendas: essa primeira geração (1998-2006) somou pouco mais de 275 mil unidades, entre cupês e conversíveis. Um resultado que seus sucessores não conseguiriam repetir.

Ele também teve destaque nas pistas, no campeonato DTM, em que esteve presente por quatro temporadas graças ao envolvimento da Abt Sportsline. Em 2002, guiando um Audi TTR DTM, o francês Laurent Aïello sagrou-se campeão da categoria.

Na data de publicação deste artigo, o Audi TT estava nos últimos anos de sua terceira geração. A importância de modelos como o TT parece, infelizmente, menor do que nunca. O mercado para cupês e conversíveis como o TT não parou de encolher neste século, o que torna difícil justificar uma nova geração para o (será que já dá para afirmar?) modelo icônico.

O impacto da primeira geração é inegável, mas será que haverá espaço para que, no futuro, isso possa se repetir?

Quer conhecer os restantes vencedores do Carro do Ano em Portugal? Siga a ligação abaixo:


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