A expectativa de um entendimento antecipado entre os EUA e o Irã vem aparecendo no preço do petróleo e, por efeito direto, nos preços dos combustíveis - que, nesta primeira semana de junho, registram uma das quedas mais acentuadas.
No momento da publicação deste artigo, o diesel comum já acumulava baixa de 7,5 cêntimos por litro, enquanto a gasolina comum recuava 7,7 cêntimos por litro. A tendência é de nova queda ao longo do dia, e o artigo será atualizado nesse sentido. Com isso, o preço médio do diesel deve ficar em 1,881 euros €/l, e o da gasolina comum deve cair para 1,946 €/l, voltando a ficar abaixo da marca dos dois euros.
Para dimensionar melhor o tamanho do recuo, vale olhar para as principais marcas como referência. BP, Repsol e Galp reduziram o preço do diesel comum entre 10,5 cêntimos por litro e nove cêntimos por litro. Já na gasolina comum, a queda ficou entre 9,6 cêntimos por litro e 9,9 cêntimos por litro.
Como de costume, a base usada para calcular o preço dos combustíveis são os dados divulgados pela Direção-Geral de Energia e Geologia (DGEG) - neste caso, os números referentes à última sexta-feira, dia 29 de maio.
Os valores informados pela DGEG já consideram os descontos praticados pelas redes, além das medidas do Governo atualmente em vigor. Ainda assim, é importante reforçar que se tratam de médias indicativas, que podem não coincidir com os preços encontrados diretamente nos postos de combustível.
Redução no desconto do ISP
Diante da queda no preço dos combustíveis, o Governo comunicou um ajuste no desconto extraordinário aplicado ao ISP (Imposto sobre Produtos Petrolíferos e Energéticos), que vinha valendo desde o início de março.
Segundo a Portaria n.º 242-B/2026/1, de 29 de maio, desde esta segunda-feira o desconto em vigor para o diesel comum passou de 6,35 cêntimos por litro para 4,38 cêntimos por litro. No caso da gasolina comum, o valor aplicável foi reduzido de 6,04 cêntimos por litro para 4,21 cêntimos por litro.
Essa redução extraordinária do ISP se soma ao mecanismo existente desde 2022, criado para suavizar o impacto da alta dos combustíveis após a invasão da Ucrânia pela Rússia. Na prática, esse instrumento diminuiu parcialmente o imposto cobrado sobre gasolina e diesel e vem sendo ajustado de forma progressiva, acompanhando a evolução dos preços.
O que está em causa?
A alta dos combustíveis em Portugal e na Europa está ligada diretamente à escalada de tensão no Oriente Médio, que levou ao fechamento do Estreito de Ormuz, uma das rotas mais importantes para o escoamento do petróleo do Golfo Pérsico. Cerca de 20% do comércio mundial de crude passa por esse corredor.
O reflexo foi imediato nos mercados: o Brent, referência para a Europa, estava em 72 dólares antes do início do conflito. Nesta segunda-feira, na data de publicação deste artigo, o Brent estava em 96 dólares.
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