Em HOUSTON (AP), ainda empolgados com a passagem triunfal pela Lua, os astronautas da Artemis II escreveram mais um capítulo inédito na terça-feira: fizeram uma chamada de rádio para os amigos a bordo da Estação Espacial Internacional (EEI), a centenas de milhares de quilómetros de distância, enquanto seguiam de volta para casa após a viagem lunar.
Ligação inédita da Artemis II com a Estação Espacial Internacional
O contato foi a primeira ligação por rádio, na história, entre uma nave em missão lunar e uma nave espacial em órbita. Nas décadas de 1960 e 1970, os tripulantes do programa Apollo não tinham companhia humana fora do planeta - a última vez em que a humanidade se lançou ao espaço profundo.
"Estávamos esperando por isso de um jeito que vocês nem imaginam", disse o comandante da Artemis II, Reid Wiseman.
Para Christina Koch, da Artemis II, e Jessica Meir, na estação espacial, o momento virou um reencontro feliz no espaço, apesar de estarem separadas por 370.000 km (230.000 milhas). As duas haviam trabalhado juntas na primeira caminhada espacial exclusivamente feminina do mundo, em 2019, do lado de fora do laboratório orbital.
Koch disse à sua "astro-irmã" que esperava se encontrar novamente no espaço "mas eu nunca pensei que seria assim – é incrível".
"Estou tão feliz que estamos de novo juntas no espaço", respondeu Meir, "mesmo que estejamos a alguns quilómetros de distância".
O Controle da Missão, em Houston, organizou o bate-papo cósmico entre os quatro viajantes lunares e os quatro moradores da estação: três da NASA e um francês.
O que a tripulação viu no caminho: a Terra e a escuridão ao redor
Koch contou que ficou boquiaberta não apenas com a beleza da Terra, "mas com o quanto havia de escuridão ao redor dela".
"Isso deixou tudo ainda mais especial. Realmente ressaltou o quanto somos parecidos, o quanto a mesma coisa mantém cada pessoa no planeta Terra viva", disse ela à tripulação da estação. "O caráter especial e precioso disso fica realmente ressaltado" ao observar o planeta natal a partir da Lua.
Imagens e ciência: fotos, dados e clarões na superfície lunar
No fim da tarde de terça-feira, os astronautas da Artemis II já tinham enviado para a Terra mais de 50 gigabytes de fotos e outros dados do encontro lunar do dia anterior, que estabeleceu um novo recorde de distância para a humanidade. O destaque: uma foto do “pôr da Terra” que lembrava a imagem Earthrise, registrada pela Apollo 8 em 1968.
"Além de serem inspiradoras e, eu acho, permitirem que todos nós sintamos um pouco do que eles estavam sentindo, também existe muita ciência escondida dentro dessas imagens", afirmou Kelsey Young, principal cientista lunar do Controle da Missão. "As conversas e as lições científicas aprendidas estão só começando".
Durante um debriefing com Young, os astronautas relataram ter visto uma cascata de pontinhos de luz na superfície lunar, provocados por detritos cósmicos impactando a Lua. Os clarões duravam apenas milissegundos e coincidiram por acaso com o eclipse solar total da noite de segunda-feira.
Young disse que ainda era cedo para saber se a tripulação presenciou de fato uma chuva de meteoros ou impactos mais aleatórios, comuns, de micrometeoroides. De qualquer forma, segundo ela, houve "gritos audíveis de alegria" no centro de operações científicas.
Koch descreveu novamente que ficou impressionada não só com a beleza da Terra, "mas com o quanto havia de escuridão ao redor dela".
"Isso deixou tudo ainda mais especial. Realmente ressaltou o quanto somos parecidos, o quanto a mesma coisa mantém cada pessoa no planeta Terra viva", disse ela à tripulação da estação. "O caráter especial e precioso disso fica realmente ressaltado" ao observar o planeta natal a partir da Lua.
Retorno à Terra e próximos passos do programa Artemis
Primeiros exploradores lunares desde a Apollo 17, em 1972, Wiseman e sua tripulação miram uma amerissagem ao largo da costa de San Diego na sexta-feira, encerrando o voo de teste de quase 10 dias. O navio de recuperação USS John P. Murtha deixou o porto na terça-feira, rumo à zona prevista.
Isso abre caminho para a Artemis III, no próximo ano, uma demonstração de acoplamento de um módulo de pouso lunar em órbita ao redor da Terra. A Artemis IV virá em 2028, com dois astronautas tentando pousar perto do polo sul lunar.
O banheiro da cápsula Orion e outros pontos de atenção
Quanto ao problemático banheiro da cápsula Orion, o Controle da Missão garantiu aos astronautas que, na terça-feira, nenhuma manutenção seria necessária. O vaso sanitário tem ficado alternando entre liberado e proibido para a tripulação desde o lançamento da semana passada, o que os levou a depender de um sistema reserva de bolsa e funil para urinar.
O administrador da NASA, Jared Isaacman, disse à tripulação após a passagem pela Lua na noite de segunda-feira: "Nós definitivamente temos de consertar parte do encanamento" antes da próxima missão Artemis. Engenheiros suspeitam de um filtro entupido no sistema de descarga para o exterior.
Tirando o vaso sanitário e outras questões relativamente menores, a missão tem transcorrido bem, observou Isaacman em uma entrevista coletiva na terça-feira, "mas vou respirar mais aliviado quando passarmos pela reentrada e todo mundo estiver sob os paraquedas e na água".
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