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CUPRA Terramar: o SUV mais maduro para famílias - ele é a resposta?

SUV cinza escuro Cupra Terramar estacionado em frente a prédio moderno com vidro refletivo.

A CUPRA precisava de um SUV mais maduro e com apelo real para famílias. Vamos ver se o Terramar entrega o que promete.


Desde a estreia, o Formentor virou um fenômeno de vendas e, em grande medida, foi o modelo que impulsionou a CUPRA a um ritmo de crescimento que pouca gente acreditava que seria possível em tão pouco tempo.

Enquanto o Formentor mira quem quer um crossover com pegada mais esportiva, o Terramar segue por um caminho mais “certinho” e clássico de SUV, com foco em espaço e praticidade para uso familiar - ainda que sem repetir, no mesmo nível, as credenciais dinâmicas do Formentor.

No papel, a fórmula parece quase perfeita, sobretudo considerando tudo o que o Formentor já entrega. Mas a vida real raramente é tão direta. Por isso, fomos até Barcelona, na Espanha, para tirar a prova. Assista ao vídeo:

Uma questão de tamanho

Bater o olho no Terramar já deixa claro que ele adota a linguagem visual mais recente da CUPRA, a mesma que vimos na atualização do Formentor. Isso aparece especialmente na dianteira, na assinatura luminosa e no desenho do para-choque.

Ainda assim, o que realmente separa os dois é a escala: com 4,52 m de comprimento, 1,87 m de largura e 1,58 m de altura, o Terramar é 7 cm mais comprido e 5,4 cm mais alto que o Formentor - e essa diferença aparece diretamente no espaço interno.

Na segunda fileira, por exemplo, há mais área para os ocupantes do que no Formentor, embora o Terramar não supere o Tavascan elétrico, que segue como o maior modelo do catálogo da jovem marca espanhola.

E, falando em rotina de família, o porta-malas entra na conversa: sua capacidade muda bastante conforme a motorização escolhida e conforme o posicionamento do banco traseiro, que tem ajuste longitudinal.

Nas versões híbridas plug-in (PHEV), o volume de carga fica entre 400 L e 490 L. Já nas versões somente a combustão, varia de 540 L a 642 L, considerando o compartimento sob o assoalho.

Interior vistoso

Resolvida a parte do espaço, vale destacar outro ponto forte deste SUV: a sensação de qualidade a bordo. O padrão de acabamento é muito próximo do que vemos, por exemplo, no Formentor, mas o Terramar avança um pouco na precisão de montagem - e o fato de ser produzido na mesma fábrica do Audi Q3 pode ter ajudado.

Também não tem como ignorar os detalhes em cobre e cinza fosco, já característicos dos modelos da marca de Martorell, que ajudam a dar ao interior dos CUPRA uma identidade mais distinta diante de rivais.

Em tecnologia, a CUPRA montou um conjunto com duas telas, de 10,25” (instrumentos) e 12,9” (central multimídia), com a opção de acrescentar um sistema de head-up display.

Sem Diesel

Tudo leva a crer que o Terramar será o último modelo novo da CUPRA com motorizações a combustão interna - embora, olhando para o que acontece na indústria, esse cenário ainda possa mudar.

O Terramar chega com alternativas bem diferentes entre si, para atender perfis variados de uso. Não há nenhuma opção a diesel, como muitos clientes ainda gostariam, mas a marca oferece motores a gasolina, híbridos plug-in e versões com eletrificação leve (ou seja, mild-hybrid).

A linha começa com o 1.5 eTSI de 150 cv, combinado a um sistema mild-hybrid de 48 V. Além disso, existe uma opção híbrida plug-in que une um quatro-cilindros a gasolina (1.5 TSI) a um motor elétrico integrado ao câmbio DSG de seis marchas, junto de uma bateria com 19,7 kWh de capacidade.

O conjunto entrega 272 cv de potência máxima combinada - a maior da gama (há também uma versão PHEV de 204 cv) -, 400 Nm de torque máximo e autonomia de até 120 km.

Foi justamente essa configuração que pude dirigir neste primeiro contato, e o funcionamento suave do sistema híbrido me convenceu. De fato, é um dos maiores trunfos deste SUV, sobretudo em um mercado como o português, com forte presença de empresas e frotas.

Se quiserem entender melhor os detalhes desse sistema híbrido, a melhor opção é conferir o vídeo:

O que muda para o Formentor?

Que esse híbrido é competente, isso já era sabido - afinal, nós já o testamos, por exemplo, no novo Volkswagen Tiguan. Mas e a dinâmica? Ele se comporta como o Formentor? A resposta é direta: não.

Ao dirigir o CUPRA Terramar, fica difícil esconder que se trata de um carro maior, mais pesado e, principalmente, mais orientado ao conforto. Ainda assim, ele é mais «vivo» do que a maioria dos SUV deste segmento.

É verdade que os engenheiros da CUPRA chegaram a um bom meio-termo entre conforto, estabilidade de rodagem e agilidade, sobretudo nas versões com suspensão adaptativa. Mesmo assim, para quem quer um SUV que divirta mais em uma estrada cheia de curvas, o Formentor sai na frente.

O Formentor transmite mais firmeza no asfalto, controla melhor os movimentos em curva e, acima de tudo, parece um pouco mais incisivo. Como explico no vídeo em destaque, se o Terramar perde nesse quesito, ele acaba compensando em outros.

Vale a pena pagar mais?

As primeiras unidades do novo CUPRA Terramar chegam ao mercado nacional ainda em novembro, com preços a partir de 42 075 euros na versão 1.5 eTSI. Já o 1.5 e-HYBRID de 272 cv parte de 55 492 euros. O 1.5 e-HYBRID de 204 cv chega um pouco depois, mas já tem preço divulgado, a partir de 50 863 euros.

Entre o Terramar 1.5 e-HYBRID 272 testado e o Formentor com o mesmo conjunto mecânico e nível de equipamento, a diferença fica na casa de 2000 euros. No 1.5 eTSI essa distância é menor; na variante PHEV de 204 cv, maior.

O Terramar faz jus ao valor mais alto? Depende. Eu sei que essa não é a resposta que muita gente quer ouvir (ou ler, neste caso), mas é a mais correta.

Para quem coloca a imagem esportiva acima de uma condução mais afiada, o Formentor tende a ser a opção mais coerente. Já quem prioriza conforto e precisa do espaço extra, o Terramar é o SUV da CUPRA que melhor atende a essas demandas.

E o CUPRA Ateca? Sim, a chegada do Terramar não aposentou o Ateca. Os três SUV da CUPRA ficam no mesmo segmento e vão coexistir, pelo menos, pelos próximos três anos.

É uma escolha que eu tenho dificuldade de entender. O Ateca, hoje, parece claramente fora do baralho: primeiro, porque já denuncia a idade (tanto por fora quanto por dentro); segundo, porque oferece apenas uma motorização, o 2.0 TSI com 300 cv.

Não me entendam mal: eu gosto muito desse motor. Mas será que isso, sozinho, é motivo suficiente para a CUPRA manter o modelo na gama? Provavelmente não.

Veredito

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