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O “ovo estrelado” e o dístico amarelo “90” em Portugal: por que existia

Carro branco estacionado em ambiente interno com placa de aprendiz, chaves e mapa no chão.

Perguntar a um motorista bem jovem o que é aquele dístico amarelo com “90” colado na traseira do carro - o famoso “ovo estrelado” - costuma lembrar aquele meme da fita cassete com a caneta BIC. Quem é mais novo, em geral, não faz ideia da relação “íntima” entre esses dois objetos.

Se você já tem alguma idade, provavelmente responde às duas perguntas sem esforço. Mas, se ainda é novo, aqui vai a explicação do “ovo estrelado” - que deixou de ser obrigatório em 1988. Já a história da cassete com a BIC… melhor perguntar aos seus pais, porque eles com certeza sabem.

O que era o dístico amarelo “90”

Respondendo diretamente: esse dístico circular amarelo servia para identificar os condutores recém-encartados. Depois de tirar a carta de condução (CNH), durante um ano o carro que a pessoa estivesse dirigindo precisava exibir esse dístico na traseira.

A ideia era simples: quem viesse atrás perceberia que, à frente, estava um motorista com pouca experiência. E o “90” indicava o limite de velocidade em que ele podia circular.

Boas intenções esbarram na realidade

Em teoria, a proposta parecia bem-intencionada. Ao saber que o condutor da frente era um “maçarico”, os demais motoristas poderiam - e deveriam - agir com mais tolerância e compreensão diante de possíveis erros de iniciante. Também seria uma forma de dar “mais espaço” para manobras, reduzindo a ansiedade de quem acabou de se habilitar.

Falando com franqueza: ninguém nasce sabendo. Se a gente volta aos primeiros tempos ao volante, quase todo mundo guarda alguma história de deslizes básicos - e até bobos - cometidos por falta de prática ou por nervosismo.

Só que… apesar da boa intenção, a medida também tinha um lado ingênuo.

Quando o “ovo estrelado” virou alvo

Não demorou para o dístico ganhar o apelido de “ovo estrelado”, e bastou pouco tempo para que muitos recém-encartados virassem uma espécie de alvo de outros condutores. Às vezes, era excesso de buzina; em outras, manobras perigosas feitas apenas para assustar os “maçaricos”.

Infelizmente, a falta de civismo continua sendo uma marca da nossa sociedade.

O efeito foi tão contrário ao que se pretendia que a lei que obrigava o uso do dístico amarelo acabou revogada em 1988.

Faz sentido o “ovo estrelado” voltar?

Mesmo tendo desaparecido há décadas, esse tipo de identificação ainda existe em vários países - e, em alguns casos, com resultados melhores.

Espanha e Itália: outras formas de lidar com novos condutores

Logo ali, na Espanha, quem é recém-encartado é obrigado a usar um dístico retangular verde com um “L” branco, colocado no vidro traseiro do veículo, também durante um ano. E não parece que essa exigência vá acabar tão cedo.

Será que o “ovo estrelado” poderia voltar a Portugal - talvez com outra cor ou formato - ou isso, de novo, seria um sinal de ingenuidade? E, no fim das contas, faz sentido identificar os novos condutores por fora?

Na Itália, por exemplo, em vez de sinalizar o motorista com um dístico, optou-se por limitar as características dos veículos que ele pode conduzir.

Depois de tirar a carta de condução, durante um ano o jovem condutor italiano só pode dirigir veículos com relação peso/potência de até 55 kW (75 cv) por tonelada (o mesmo que 13,33 kg/cv) e com potência máxima nunca superior a 70 kW (95 cv).

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