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Finasterida e calvície: como funciona e o risco para a saúde mental

Homem de camiseta branca olhando no espelho de banheiro com expressão pensativa.

Para muitos homens, o afinamento progressivo dos cabelos vai muito além da estética. A finasterida, um medicamento amplamente prescrito para tratar a calvície de padrão masculino, tem sido usada com bons resultados há muitos anos para esse problema tão pessoal.

Ao mesmo tempo, vêm crescendo as preocupações sobre uma possível ligação entre o seu uso e o desenvolvimento de depressão, ansiedade e até pensamentos suicidas.

Por isso, usuários e profissionais de saúde têm debatido de forma mais crítica os potenciais riscos associados à continuidade do tratamento.

Afinal, como esse medicamento funciona? E o que as evidências indicam sobre o risco de surgirem problemas de saúde mental?

Como a finasterida funciona?

A finasterida é indicada para tratar a alopecia androgenética - também chamada de calvície de padrão masculino. O objetivo é estimular o crescimento de novos fios e reduzir a progressão da queda.

Uma das principais causas desse tipo de calvície é a produção de um hormônio chamado di-hidrotestosterona, que o organismo forma a partir da testosterona. Quando a di-hidrotestosterona se liga aos folículos capilares, ela desencadeia um processo conhecido como miniaturização do folículo. Nessa condição, o ciclo de crescimento do cabelo vai ficando cada vez mais curto, o que leva a fios mais finos e frágeis.

A finasterida atua bloqueando a enzima responsável por converter testosterona em di-hidrotestosterona. Com essa inibição, a concentração de di-hidrotestosterona pode cair em torno de 60–70% na maioria dos homens.

O medicamento foi aprovado inicialmente no fim da década de 1990 como um remédio de venda sob prescrição e é utilizado na forma de comprimido oral de 1 miligrama ao dia. Já as apresentações de 5 mg diários não são usadas para calvície; elas são indicadas para tratar o aumento benigno da próstata (não cancerígeno).

A finasterida não é indicada para mulheres, embora elas também possam apresentar esse padrão de perda de cabelo.

Como ela pode afetar a saúde mental?

Alterações na saúde mental não aparecem como efeito colateral estabelecido nas orientações australianas fornecidas a profissionais de saúde.

Com base em ensaios clínicos, os efeitos mais comuns incluem:

  • diminuição da libido
  • disfunção erétil
  • redução da produção de sêmen.

Essas orientações também mencionam um aumento do risco de câncer de próstata e um risco potencial de câncer de mama - sim, homens também podem ter câncer de mama.

Embora os estudos clínicos iniciais realizados para obter a aprovação do medicamento não tenham apontado preocupações em saúde mental, o acompanhamento de pacientes em uso desde então passou a sugerir um possível aumento do risco de depressão e de pensamentos suicidas.

Ainda assim, como essas informações se baseiam no autorrelato de sintomas pelos pacientes, as próprias orientações ressaltam que não existe um vínculo definitivo.

No entanto, em maio de 2025, o comitê de segurança da Agência Europeia de Medicamentos declarou que pensamentos suicidas são um efeito colateral confirmado da finasterida. A União Europeia também orienta os pacientes de que a finasterida pode causar humor deprimido e depressão.

De forma semelhante, ao emitir um alerta sobre finasterida manipulada, a Food and Drug Administration (FDA), dos Estados Unidos, afirmou em abril de 2025 que formulações tópicas do medicamento apresentam efeitos colaterais semelhantes aos da versão oral. Entre eles, depressão, ansiedade e pensamentos suicidas.

O que fazer se isso estiver afetando sua saúde mental?

Se você perceber mudanças no seu estado emocional enquanto estiver tomando o medicamento, procure não lidar sozinho com alterações importantes de humor. Caso se sinta incomumente para baixo, ansioso ou emocionalmente instável, converse com um médico para avaliar se a finasterida pode estar contribuindo para o seu humor e qual suporte pode ser necessário.

Quando os sintomas são leves, o profissional pode sugerir interromper a finasterida por um período para observar se há melhora, ou mantê-la com suporte adicional em saúde mental. Se os sintomas forem mais intensos, pode ser indicado parar o medicamento e fazer uma avaliação médica com rapidez.

Se você usa finasterida e está preocupado com efeitos colaterais, é seguro interromper o uso imediatamente. A maioria dos efeitos melhora quando o medicamento é eliminado do organismo, embora um pequeno número de pessoas relate sintomas persistentes.

Se você optar por parar, isso significa que os níveis hormonais voltarão gradualmente ao basal e o ganho de cabelo obtido com o medicamento tenderá a se perder com o tempo.

Se a finasterida não for a melhor opção para você, existe outra alternativa baseada em evidências.

O minoxidil tópico é um tratamento de primeira linha, que pode ser usado sozinho ou combinado com outras abordagens, e é encontrado em farmácias sem receita. Ele só funciona enquanto estiver em uso e pode irritar o couro cabeludo, mas sua eficácia é bem estabelecida e amplamente recomendada.

Embora depressão e ansiedade estejam associadas ao minoxidil, a incidência é muito menor por se tratar de aplicação tópica.

Há ainda um medicamento chamado dutasterida. Porém, como ela age de maneira semelhante à finasterida, também pode elevar o risco de surgirem problemas de saúde mental. Por isso, o ideal é evitar a dutasterida se a finasterida não for adequada para você.

Nial Wheate, Professor, School of Natural Sciences, Macquarie University e Jasmine Lee, Pharmacist e PhD Candidate, University of Sydney

Este artigo foi republicado de The Conversation sob uma licença Creative Commons. Leia o artigo original.

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