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The Big Con: primeiras impressões de um golpe nostálgico nos anos 90

Jovem com camiseta amarela sentada em banco de ponto de ônibus, mexendo em pochete colorida, mochila e mapa ao lado.

Um retorno carinhoso aos anos 90 em The Big Con

The Big Con leva você de volta aos anos 90 - aquela época em que locadoras de vídeo estavam por toda parte, as cores berrantes dominavam o visual e ainda dava para chamar algo de “radical” sem ironia e continuar sendo, bom… bem radical. O jogo estreia hoje e, nos primeiros capítulos, eu me diverti tanto quanto rabiscando repetidas vezes aquele “S” estilizado que todo mundo desenhava nos cadernos. Sim, isso é um elogio. Se você é mais novo, saiba que aquele símbolo tem um poder estranho de entreter.

No centro da história está Ali, uma adolescente arteira, mas de bom coração. Ela descobre que a locadora da mãe - que também funciona como a casa das duas - corre o risco de ser tomada por agiotas nada confiáveis. Para manter o lugar de pé, é preciso quitar uma dívida de $97,000.

Mesmo com a mãe tentando impedir, Ali decide agir. Em segredo, ela se junta a Ted, um adolescente sempre impecavelmente vestido e especialista em golpes, que passa a ensinar “como as coisas funcionam” quando o assunto é roubar. É isso mesmo: a sua missão é enganar e surrupiar até juntar dinheiro suficiente para comprar um carro novo chique. E, para completar o trio, existe o Rad Ghost - uma aparição bem-humorada que parece a personificação ambulante da atitude do começo dos anos 90 - servindo como distribuidor de dicas e apoio moral.

Viagem pela estrada: níveis, exploração e dinheiro como meta

Com a desculpa de que vão para um acampamento de banda, Ali e Ted caem na estrada numa viagem de costa a costa atrás de golpes cada vez maiores. Cada parada do trajeto - seja num shopping, seja num comboio lotado - vira um nível fechado em si mesmo, e o objetivo é acumular uma quantia específica de dinheiro antes de seguir adiante.

Enquanto você circula livremente pelos cenários, dá para pegar itens e conversar com todo tipo de pessoa, entendendo o que move cada uma e, principalmente, o que faria alguém abrir a carteira. A estrutura incentiva curiosidade: andar, ouvir, testar possibilidades e notar detalhes do ambiente.

Batedura de carteira, disfarces e o risco de ser apanhado

Até aqui, passei boa parte do tempo a bater carteiras de amigos, “amigos-nem-tanto” e uma coleção de estranhos cheios de personalidade. É o tipo de roubo mais básico do jogo e, na prática, dá para tentar com quase qualquer pessoa.

O processo exige chegar sorrateiramente por trás do alvo e vencer um minijogo simples: parar um cursor em movimento dentro de uma faixa colorida numa barra. Quanto mais difícil é a vítima, mais rápido corre o ponteiro e menor fica a zona segura. Curiosamente, isso não quer dizer que as tentativas mais complicadas sempre rendam mais. Depois de começar tirando valores de um dígito, passei a conseguir perto de $100 (ou mais) em alvos bem mais fáceis.

Bater carteira não é nenhuma ciência - desde que os seus reflexos estejam em dia -, mas o timing tenso funciona bem para dar aquela sensação de “pegar o que não é seu” sem levantar suspeitas. Não que eu tenha experiência com isso, claro.

Por enquanto, não notei nenhuma consequência moral clara por usar esses dedos leves. E, honestamente, eu até torço para continuar assim, porque não tive a menor hesitação em roubar o cartão de basebol preferido de uma criança para revender a um colecionador desesperado - ou em passar a mão numa mãe enquanto ela passeava tranquilamente com o recém-nascido.

Falhar no minijogo, por outro lado, significa ser apanhado. A punição não é dramática, mas muda o fluxo: depois de descoberto, você não consegue tentar roubar aquela pessoa de novo sem usar um disfarce. Sacos de papel, narizes de palhaço, óculos do Groucho Marx e outras combinações ridículas aparecem durante a exploração e permitem voltar a “revistar” quem já está esperto.

Ainda assim, há um limite: no total, só dá para ser apanhado três vezes. Então, se um alvo estiver difícil demais de depenar, o melhor é não insistir e procurar alguém mais simples.

Pontos maiores: ouvir conversas, negociar e explorar bem

Dá para fazer um dinheiro razoável esvaziando bolsos alheios, mas os pagamentos mais altos surgem quando você escuta conversas para descobrir desejos e necessidades - e depois usa essa informação a seu favor. Eu me deparei com um pai aflito atrás de uma boneca esgotada para a filha chorona e também com um operador do mercado disposto a pagar qualquer coisa por uma dica quente.

Conseguir o que era necessário não tem sido trabalhoso, desde que eu vasculhe o nível com atenção e fale com toda a gente. Para ajudar o sujeito da bolsa, por exemplo, fingi interesse num especialista em finanças que ficou feliz demais em despejar um monólogo propositalmente longo (e engraçado) sobre tendências atuais do mercado. Bastou repetir aquela “aula” ao homem necessitado para embolsar $1000 pela informação.

Puzzles simples e um design que evita adivinhação

Até agora, os puzzles não me apertaram em nenhum momento - e, por enquanto, eu não vejo isso como um problema. The Big Con tem um jeitão que lembra jogos clássicos de apontar e clicar, mas ainda não precisei combinar itens nem ficar tentando encaixar objectos manualmente naquele formato irritante de “é isto que você quer?”

Aqui, quando você já tem algo que a pessoa precisa, o próprio diálogo deixa isso evidente. Essa escolha corta boa parte do “chute” e das ligações obscuras pelas quais o género é famoso, e me deixa focar no texto brincalhão e nas situações estranhas.

Sucata, colecionador excêntrico e dinheiro extra

Além de disfarces e itens de missão, você também apanha tranqueiras aleatórias. Só que nada fica sem uso em The Big Con, graças a um colecionador excêntrico que te dá a tarefa de encontrar objectos alinhados a temas específicos. Em um exemplo, ele pede coisas que o façam lembrar de milho ou de vacas.

Ele paga por cada item correcto entregue e, quando você decide seguir para a próxima área, ainda compra toda a sucata que sobrou no seu inventário. É uma forma esperta de gerar grana extra e, ao mesmo tempo, um empurrão para investigar cada canto do cenário.

Até este ponto, The Big Con tem sido uma homenagem charmosa a uma década muito querida para millennials como eu. A progressão tem sido tranquila, já que mecânicas e puzzles não são dos mais profundos - e, embora isso possa soar como crítica, eu prefiro algo directo e coerente a um sistema excessivamente enrolado. Isso pode mudar conforme eu avance, claro, mas, por agora, estou a aproveitar a apresentação vibrante e a trilha sonora pegajosa.

E a curiosidade só aumenta: será que a onda de crimes “altruístas” da Ali realmente compensa? Ela consegue salvar a locadora? Vai existir alguma consequência, seja qual for, pelas escolhas dela? E, falando sério… o que é que está a acontecer de verdade com o Rad Ghost?

Se quiser descobrir essas respostas (e outras), já dá para jogar The Big Con no Xbox Series X/S, Xbox One e PC.

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