Um teaser que fisgou a atenção
O primeiro trailer-teaser de Harold Halibut saiu há sete anos e tinha apenas um minuto e meio, mas me prendeu na hora. As imagens mostravam Harold - em animação quadro a quadro (ou algo muito parecido) - limpando pichações numa instalação subaquática. O visual, por si só, provocou um pensamento que não costumo ter: como eles conseguiram fazer isso? Foi exatamente a primeira coisa que perguntei ao diretor do jogo, Ole Tillmann, e ao diretor de arte, Onat Hekimoglu, quando conversei com eles recentemente.
Como o visual “feito à mão” de Harold Halibut é criado
“Nós, na verdade, começámos com a ideia de querer fazer um jogo em animação quadro a quadro”, diz Tillmann, lembrando que os primeiros passos dele e da equipa em direção ao projeto aconteceram em 2011. Harold Halibut não é, de facto, animado em quadro a quadro, mas tudo o que aparece no jogo foi construído fisicamente pela equipa, no mundo real. “Nós construímos os cenários e os bonecos, e depois fazemos escaneamento 3D de tudo para transformar em modelos 3D”, explica Tillmann. “Claro que eles precisam de alguns ajustes manuais. Mas, no fim, nós basicamente temos o mesmo tipo de modelos 3D que você usaria em qualquer outro jogo 3D, o que significa que também temos todas as possibilidades.” O resultado é um estilo visual lindo, com uma aparência realmente artesanal.
Uma equipa de origens diversas (e nem sempre gamer)
Boa parte do histórico do estúdio está mais ligada ao fazer artístico de modelos e ao cinema do que, propriamente, a videojogos. “A equipa toda tem formações muito diversas, de todo tipo de coisas que não são necessariamente relacionadas a jogos”, diz Hekimoglu. “Temos muitas pessoas na equipa que odeiam jogos. Mas é, na verdade, uma verificação boa e interessante para ver se… se elas gostam deste jogo, então ele também vai funcionar para pessoas que não são gamers”, completa Hekimoglu.
O diretor do jogo, Ole Tillmann, e o diretor de arte, Onat Hekimoglu, exibem o modelo criado para Harold.
A premissa: uma comunidade presa num planeta coberto de água
A proposta narrativa é tão chamativa quanto o visual. Durante a Guerra Fria, uma comunidade de exploradores e cientistas deixou a Terra, com medo de que o planeta fosse destruído. A missão até teve algum êxito: a nave partiu em busca de um novo planeta habitável, mas acabou caindo num mundo totalmente coberto por água, onde problemas atmosféricos externos impediram qualquer tentativa de fuga. Sem alternativa, a nave e as pessoas que viviam nela decidiram seguir em frente com os recursos disponíveis. Assim, gerações de humanos sobreviveram por centenas de anos nesse planeta subaquático.
Harold - como toda a gente que ele conhece e encontra ao longo do jogo - passou a vida inteira dentro da nave. Porém, uma breve janela de oportunidade surge, oferecendo a eles uma chance curta de, talvez, finalmente partir e regressar à Terra.
Exploração, encontros e a escolha por menos quebra-cabeças
Tillmann e Hekimoglu mostraram um pouco de jogabilidade que envolvia explorar a nave, conhecer os seus habitantes e ajudá-los sempre que possível. Para se deslocar entre as áreas, Harold entrava num cano que se enchia de água e, essencialmente, o “descartava” numa outra seção.
Harold Halibut é um jogo de aventura, mas a perspetiva de quebra-cabeças potencialmente complicados não precisa assustar. “Nós estávamos a pensar num jogo de aventura de apontar e clicar, e achámos que não, isso iria desacelerar a história. Então por que não tirar, tipo, todos os quebra-cabeças?”, diz Tillmann, citando o sucesso de jogos como Night in the Woods e Firewatch como algo que lhes deu confiança de que o público aceitaria uma aventura totalmente focada em narrativa. Ainda assim, a equipa não queria simplesmente fazer um filme. “Em determinado momento, nós realmente pensamos que, embora este seja um jogo muito cinematográfico e focado em narrativa, ainda existe algo que a interatividade adiciona a ele”, afirma Hekimoglu. “Mesmo que seja apenas andar por aí e conversar com pessoas, porque isso permite uma ligação mais empática com o meio.”
Harold Halibut está em desenvolvimento há muito tempo, mas finalmente será lançado este ano no Xbox Game Pass, além de outras plataformas. Também já é possível experimentar, agora, uma demonstração do jogo no Steam, como parte do Next Fest.
Este artigo apareceu originalmente na Edição 361 da Game Informer.
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