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Relatório do TCE: emissões de CO2 dos carros na União Europeia seguem iguais há 12 anos

Carro esportivo elétrico verde exibido em showroom moderno com janelas amplas e iluminação suave.

Os países da União Europeia têm se mobilizado em várias frentes para cortar as emissões de gases de efeito estufa no setor de transportes. Ainda assim, segundo um relatório do Tribunal de Contas Europeu (TCE), a maior parte dos carros que rodam na UE continua liberando praticamente a mesma quantidade de dióxido de carbono (CO2) de 12 anos atrás.

Vale lembrar que, desde 1990 - ano de referência usado como base para as primeiras metas definidas pelo Protocolo de Quioto (1997) -, as emissões de CO2 dos automóveis de passageiros, em vez de caírem, aumentaram.

Em 2009, foi aprovado o regulamento que fixou um limite para a média de emissões de CO2. Esse marco passou por uma revisão importante em 2019, quando as metas ficaram mais rígidas e o prazo para cumpri-las foi encurtado.

Emissões CO2 e os motores a combustão

Para o TCE, a trajetória de alta se explica porque, apesar de existir um teto regulatório, persiste uma diferença relevante entre os testes de homologação em laboratório e o que os veículos emitem de fato no uso cotidiano.

Em 2018, entrou em cena um novo ciclo de testes de certificação de consumo e emissões para carros novos justamente para diminuir essa distância entre laboratório e rua: o WLTP, que substituiu o mais permissivo NEDC.

Mesmo assim, o órgão aponta que as emissões reais dos veículos a combustão - ainda predominantes e responsáveis por 3/4 dos novos registros - não apresentaram queda. Na última década, por exemplo, não houve mudança nas emissões de CO2 dos modelos a Diesel e, nos carros a gasolina, ocorreu apenas uma redução discreta, de 4,6%.

O TCE admite que a eficiência dos motores a combustão vem melhorando. Porém, os carros atuais ficaram mais pesados (em 10%) e mais potentes, o que, na prática, anula os ganhos obtidos com a evolução técnica.

“Enquanto o motor de combustão for o rei da estrada, não haverá uma redução real e visível das emissões de COdos carros. Por outro lado, eletrificar o parque automóvel da UE não é tarefa fácil.”
Pietro Russo, Membro do TCE

Emissões CO2 e os híbridos plug-in

Nos veículos parcialmente eletrificados, o quadro também não é animador. Os híbridos plug-in (que podem ser conectados à tomada para recarregar a bateria) deveriam ajudar a resolver o problema, mas, na avaliação do TCE, acabam contribuindo para ele. O organismo relata que as emissões reais das motorizações híbridas plug-in ficam muito acima das emissões divulgadas pelas marcas.

Isso se deve ao modo como os testes (WLTP) de certificação de consumo e emissões priorizam o uso da bateria. Daí surgirem SUVs híbridos plug-in com mais de duas toneladas declarando consumo de 1 litro - ou menos - a cada 100 km.

No entanto, como destacamos em todos os nossos testes com veículos híbridos plug-in, atingir números tão baixos de consumo e emissões só é possível com recargas muito frequentes. Quando isso não acontece, o motor a combustão passa a trabalhar mais e, naturalmente, os consumos e as emissões medidos sobem.

A partir de 2025, as regras de certificação para híbridos plug-in vão mudar: a relação entre o uso do motor elétrico e do motor a combustão será recalibrada para refletir melhor o uso real desse tipo de veículo.

Qual é a solução?

Em resumo, o TCE afirma que apenas os modelos 100% elétricos vêm contribuindo de forma positiva para reduzir as emissões de CO2. Desde 2018, a adoção de elétricos cresceu de maneira acelerada: saiu de uma em cada 100 matrículas de carros novos em 2018 para quase uma em sete em 2022.

O TCE recomenda que, se a UE quiser atingir as metas de corte desse gás, será necessário investir mais para remover os “obstáculos” que atrasam uma adoção mais rápida dos carros elétricos.

Entre os entraves citados estão o acesso a matérias-primas para fabricar baterias, o preço dos veículos e a ampliação da infraestrutura de recarga: “70% do dos carregadores da UE estão concentrados em apenas três países (Países Baixos, França e Alemanha)”.

“A União Europeia não vai alcançar as metas de redução das emissões de dióxido de carbono para os automóveis novos de passageiros enquanto faltarem certas condições de base importantes.”
TCE (Tribunal de Contas Europeu)

Fonte: Tribunal de Contas Europeu


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