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Abate dos Hermanos al Rescate: Raúl Castro pode ser indiciado nos EUA pelo caso de 1996

Homem faz apresentação para grupo em sala com janelas grandes e miniaturas de avião e bandeiras dos EUA na mesa.

O abate de dois aviões civis Cessna Skymaster em 1996 pode voltar ao centro do debate e, desta vez, abrir caminho para um possível indiciamento do ditador Raúl Castro pela Justiça dos Estados Unidos.

O que aconteceu em 24 de fevereiro de 1996

Em 24 de fevereiro de 1996, o episódio que ficaria conhecido como “Abate dos Hermanos al Rescate” envolveu dois Cessna 337C Super Skymaster derrubados por dois caças MiG-29 da Força Aérea de Cuba. A ação ocorreu numa área do Mar do Caribe situada entre a ilha então controlada pela família Castro e o estado da Flórida.

Os dois Cessna - de matrículas N5485S e N2456S - tinham partido do Aeroporto de Opa-Locka, em Miami. Naquele dia, executavam uma patrulha civil nas águas ao sul da Flórida com o objetivo de localizar embarcações de cubanos que tentavam deixar o país, algo considerado extremamente comum.

A bordo das duas aeronaves estavam quatro pessoas. Nenhuma delas sobreviveu.

Missão civil e a organização Irmãos ao Resgate

Os Cessna 337 pertenciam ao grupo Irmãos ao Resgate, criado e financiado por cubanos exilados nos Estados Unidos. A iniciativa buscava apoiar compatriotas que tentavam escapar da ditadura dos Castro.

A missão descrita para o dia do ataque era de vigilância civil voltada a identificar barcos com fugitivos, atuando na região marítima ao sul da Flórida.

Disputa sobre espaço aéreo e a versão apresentada por Cuba

A justificativa oficial de Cuba foi a de que os aviões teriam invadido o espaço aéreo do país e, por isso, foram abatidos. Essa alegação, no entanto, sempre foi contestada pelos Estados Unidos, que citaram dados de radar e relatos de embarcações nas proximidades para sustentar que o abate aconteceu fora do mar territorial cubano - e, portanto, sem violação.

Além disso, as autoridades cubanas recorreram à narrativa de que o Skymaster teria sido um avião empregado pela Força Aérea dos EUA em conflitos e que as unidades derrubadas ainda exibiriam marcas militares. Embora a Força Aérea dos EUA tenha, de fato, utilizado o Skymaster (na designação O-2) - inclusive na Guerra do Vietname, em funções de observação, ligação e designação de alvos -, essa aeronave saiu de serviço em 1980.

Segundo o que se relata no caso, os exemplares usados pelos exilados cubanos não teriam sido adquiridos de estoques militares; eles teriam sido comprados diretamente de proprietários privados, que haviam adquirido o avião da própria Cessna. A empresa, por sua vez, produzia o modelo para o mercado civil e só quatro anos depois teria sido contratada para fabricar a versão militarizada.

Repercussão, retrato no cinema e a retomada do caso nos EUA

Apesar da comoção na época e da troca de acusações sobre a posição exata das aeronaves no momento em que foram atingidas, o episódio acabou perdendo espaço com o passar do tempo. O caso chegou até a ser representado no cinema no filme Rede de Espiões, que contou com o brasileiro Wagner Moura no elenco.

Ainda assim, ninguém foi responsabilizado - algo que pode estar prestes a mudar.

Fontes no Departamento de Justiça dos Estados Unidos disseram à agência Reuters que o governo norte-americano deve indiciar, na próxima quarta-feira (20), o antigo ditador de Cuba, Raul Castro, pelas mortes dos quatro cubanos que pilotavam o C337 em 1996.

Raúl Castro, responsabilidade e consequências políticas

Naquele período, Raúl Castro, além de ser irmão do ditador Fidel Castro, ocupava o cargo de ministro da Defesa e seria apontado como diretamente responsável pelo abate.

Os irmãos Castro sempre sustentaram que não ordenaram que os pilotos de caça derrubassem os aviões; segundo eles, a orientação teria sido apenas a de que as aeronaves precisariam ser impedidas de chegar a Cuba. Essa formulação é descrita como extremamente vaga e dúbia, permitindo até interpretações diferentes por parte dos militares envolvidos.

O possível indiciamento seria mais um instrumento de pressão do governo Trump sobre o governo cubano, ainda que tenham ocorrido encontros oficiais recentes na ilha com a presença da CIA. Na prática, um indiciamento também poderia servir de base para justificar uma operação de captura, em molde semelhante ao que foi mencionado no caso de Nicolás Maduro, visando prender Raúl Castro - que hoje tem 94 anos - e, considerando as penas por homicídio nos EUA, ele morreria numa prisão americana.

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