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Cowboy Space capta US$ 275 milhões e diz que a falta de lançamentos atrapalha levar a computação de IA para o espaço

Jovem analisando modelo digital de estação espacial em laboratório com foguetes e dispositivos tecnológicos.

Startup Cowboy Space capta US$ 275 milhões e afirma que a falta de lançamentos atrapalha levar a computação de IA para o espaço

A Cowboy Space Corporation, startup norte-americana criada por Baiju Bhatt - cofundador da plataforma de trading Robinhood - anunciou a captação de US$ 275 milhões para desenvolver foguetes próprios e data centers orbitais voltados a inteligência artificial. Após a rodada de financiamento Série B, a empresa passou a ser avaliada em cerca de US$ 2 bilhões.

Por que colocar a computação de IA em órbita

O plano central da Cowboy Space é posicionar capacidade computacional para IA diretamente em órbita da Terra. Na visão de Bhatt, a demanda por processamento para inteligência artificial cresce em um ritmo tão acelerado que a infraestrutura em solo começa a encostar em limites práticos: disponibilidade de energia, dissipação de calor (resfriamento) e o ritmo de construção de novos data centers.

Gargalo de lançamentos e a escolha por um foguete próprio

O projeto, porém, esbarrou em um problema que a empresa não esperava encontrar nessa magnitude: simplesmente há poucas opções de foguetes disponíveis no mercado para colocar em órbita plataformas computacionais gigantescas.

Em geral, iniciativas desse tipo contam, no futuro, com a capacidade de veículos superpesados como a Starship, da SpaceX, ou o New Glenn, da Blue Origin. O obstáculo é que ambos ainda estão em fase de testes ou com um cronograma de lançamentos já bastante tomado por demandas internas das próprias empresas.

Diante disso, a Cowboy Space decidiu seguir por um caminho mais radical: construir seu próprio sistema de lançamento. A companhia projeta realizar o primeiro voo até o fim de 2028.

De Aetherflux a Cowboy Space: mudança de foco do projeto

A startup surgiu em 2024 com o nome Aetherflux. No começo, a proposta era coletar energia solar no espaço e transmiti-la para a Terra. Mais tarde, a equipe mudou o foco para usar essa energia diretamente em órbita, alimentando processamento de IA.

Essa reorientação acabou desembocando no desenho de um foguete especializado, no qual os próprios data centers fariam parte do segundo estágio do lançador. Na prática, carga útil e foguete passariam a formar uma única estrutura integrada.

Plataformas de 20–25 mil toneladas e desafios do setor

A empresa pretende colocar em órbita plataformas com massa entre 20 mil e 25 mil toneladas. Cada unidade, segundo o plano, seria capaz de fornecer cerca de 1 megawatt de potência e operar por volta de 800 aceleradores gráficos voltados a IA. Bhatt diz que essa arquitetura dedicada deve facilitar o desenvolvimento e melhorar a economia dos lançamentos em comparação com foguetes de uso mais geral.

Mesmo assim, a missão continua extremamente complexa. Hoje, apenas algumas empresas privadas no mundo conseguem realizar lançamentos comerciais de forma recorrente - principalmente SpaceX, Rocket Lab e Arianespace. Até grupos de grande porte, como Blue Origin e United Launch Alliance, enfrentam há anos atrasos e entraves técnicos.

Motor próprio e contratações vindas de SpaceX e Blue Origin

A Cowboy Space também pretende projetar seu próprio motor de foguete - o componente mais caro e tecnicamente exigente de qualquer sistema espacial. Para isso, a startup já contratou ex-engenheiros da SpaceX e da Blue Origin, incluindo o especialista em motores Warren Lamont e o ex-gerente de lançamentos da SpaceX Tyler Grinne.

Bhatt avalia que o mercado de computação para IA é tão grande que há espaço para mais de um participante na frente espacial. Para ele, as limitações da Terra - de energia, de infraestrutura e ambientais - devem apenas reforçar o interesse em levar data centers para a órbita.

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