A eletrificação nos carros já virou realidade, mas ainda existem muitas dúvidas sobre como essas soluções funcionam - e quais são, na prática, seus pontos fortes e limitações.
Para dar conta das perguntas que chegam semanalmente à redação, a Razão Automóvel estreou uma série especial: o Explicador da Eletrificação. No primeiro episódio, explicamos o que separa os híbridos tradicionais dos mild-hybrid.
Neste segundo episódio, o foco são os híbridos *plug-in. Vamos passar pelas vantagens, desvantagens e pelos cenários em que esse tipo de veículo pode fazer mais sentido. *Assista ao vídeo:**
O que é um híbrido plug-in?
Um híbrido plug-in, também conhecido como PHEV (Plug-in Hybrid Vehicle), combina um motor a combustão interna com um motor elétrico e uma bateria de íons de lítio.
O que realmente o separa de um híbrido convencional é que a bateria tem capacidade bem maior - 13,8 kWh no caso do Hyundai Tucson PHEV mostrado no vídeo - e pode ser recarregada numa fonte externa, como um carregador elétrico, uma tomada residencial ou uma wallbox.
Como funciona?
Com carga disponível na bateria, os híbridos plug-in conseguem rodar como um carro 100% elétrico, permitindo dirigir sem emissões durante esse período. No Hyundai Tucson PHEV, dá para percorrer até 62 km sem consumir combustível; no uso urbano, esse número pode chegar a 74 km.
Quando a bateria fica sem energia, o motor a combustão entra em ação e passa a assumir o deslocamento. Ainda assim, o plug-in também pode operar de um jeito muito parecido com um híbrido convencional, alternando e combinando motor térmico e motor elétrico para baixar consumo e emissões.
Quais as vantagens?
Assim como acontece nos híbridos tradicionais, os plug-in entregam consumo e emissões de CO<sub>2</sub> menores do que modelos equivalentes movidos apenas por motor a combustão.
A diferença é que a margem de melhora costuma ser ainda maior, já que o híbrido plug-in normalmente traz um motor elétrico mais forte e uma bateria mais robusta do que a de um híbrido convencional - e isso permite rodar em modo elétrico por muito mais tempo.
No Hyundai Tucson PHEV, por exemplo, se houver energia na bateria, dá para usar o modo híbrido - com o sistema gerenciando automaticamente motores e bateria - e registrar consumos abaixo de 2,0 l/100 km.
Com a bateria descarregada, a tendência é que o consumo aumente, já que o motor a combustão passa a ser o único responsável por mover o veículo. No Tucson, nessas condições, anotamos médias abaixo de 7,5 l/100 km numa utilização "normal".
Outra das vantagens é o facto de não haver qualquer ansiedade na busca de um posto de carregamento quando a bateria se esgota, uma vez que podemos sempre seguir viagem apoiados apenas no motor de combustão interna.
Em desempenho, os híbridos plug-in também costumam ganhar pontos. Ao somar o motor a combustão com o elétrico - que entrega (muito) torque de forma instantânea - é comum ter acelerações e retomadas mais fortes do que em motores a combustão equivalentes.
Basta olhar para este Hyundai Tucson PHEV: a potência máxima combinada é de 265 cv e o torque máximo combinado é de 350 Nm. Com isso, ele vai de 0 a 100 km/h em 8,6s e atinge 190 km/h (limitados).
Importantes benefícios fiscais disponíveis
Ao falar em vantagens de um híbrido plug-in, é inevitável considerar também os incentivos fiscais associados a esse tipo de veículo.
Os híbridos plug-in contam, por exemplo, com reduções relevantes no Imposto Sobre Veículos (ISV). No último Orçamento de Estado, está previsto um desconto de 75% no ISV para todos os híbridos plug-in com autonomia elétrica de pelo menos 50 km e emissões de CO<sub>2</sub> inferiores a 50 g/km.
No Imposto Único de Circulação (IUC), os híbridos plug-in também pagam menos. O Tucson PHEV, por exemplo, paga 138 euros de IUC - 35 euros a menos do que o modelo equivalente com motor a gasolina de 150 cv e sistema mild-hybrid de 48 V.
Para empresas, ainda pode existir a possibilidade de deduzir a totalidade do Imposto sobre Valor Acrescentado (IVA), desde que o preço do veículo fique abaixo de 50 000 euros.
Além disso, os híbridos plug-in podem ter descontos na tributação autônoma, em três faixas:
- 5% no caso de veículos híbridos plug-in com custo de aquisição inferior a 27 500 euros;
- 10% no caso de veículos híbridos plug-in com custo de aquisição entre 27 500 euros e 35 000 euros;
- 17,5% no caso de veículos híbridos plug-in com custo de aquisição superior a 35 000 euros.
Existem desvantagens?
Essa não é a forma de eletrificação mais simples - nem a mais barata. O preço de compra costuma ser mais alto do que o de um híbrido convencional e, para que a decisão por um híbrido plug-in realmente valha, é preciso recarregar a bateria com regularidade.
E nem todo mundo está disposto a essa “obrigação” de ter de recarregar e de carregar os cabos de recarga o tempo todo.
Para completar, como há um motor extra e uma bateria de tamanho considerável, o conjunto pesa mais do que um equivalente apenas com motor a combustão. E isso aparece no consumo quando a bateria está sem carga.
Quanto tempo demora a carregar a bateria?
Esse tempo muda conforme o modelo e depende da potência suportada pelo sistema, do tipo de carregador/tomada utilizado e, claro, do tamanho da bateria.
Usando o Hyundai Tucson PHEV como referência, uma recarga completa numa wallbox de 3,7 kW leva pouco mais de três horas. Já num posto público, por exemplo a 7,5 kW, dá para recuperar 100% da capacidade da bateria em cerca de 1h50min.
Versatilidade é palavra de ordem
No fim das contas, esse é - ou não - o tipo de eletrificação com o melhor equilíbrio entre consumo, preço de compra e custo de uso?
A resposta varia de acordo com o uso de cada pessoa e com a frequência de recarga, mas os híbridos plug-in têm potencial para entregar custos de utilização bem baixos.
Só que, para isso acontecer de verdade, é indispensável recarregar a bateria regularmente e aproveitar o fato de o sistema permitir rodar várias dezenas de quilômetros sem gastar uma única gota de combustível.
Vale a pena?
De forma resumida, uma opção com motorização híbrida plug-in faz muito sentido para quem roda até cerca de 50 km por dia, principalmente na cidade, e não quer ficar preso às limitações que os 100% elétricos ainda apresentam quando chega o fim de semana.
Se estivermos dispostos a carregar num plano diário (ou perto disso, depende naturalmente dos quilómetros diários de cada um), os híbridos plug-in podem mesmo ser uma espécie de “melhor dos dois mundos”.
Isso porque dá para circular no modo 100% elétrico no uso urbano - onde, tradicionalmente, os motores a combustão são mais gastões e poluentes - e deixar o motor térmico para a estrada.
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