Escrevo este texto para a petizada - e também para os adultos mais nostálgicos. Quero dividir com vocês uma história de um passado nem tão distante assim, quando criança andava sem cinto, carro não freava sozinho e ar-condicionado era artigo de luxo. Sim: luxo.
“(…)o entretenimento passava por fazer jogos com as matrículas do carro da frente ou por implicar com o irmão mais novo. Às vezes ambas…”
Os automóveis nem sempre foram desse jeito que vocês conhecem hoje. Vale lembrar que os seus pais, que agora não deixam (e com razão!) ninguém sair sem colocar o cinto de segurança, passaram a infância inteira sem usar. E ainda brigavam com os seus tios pelo lugar “do meio”. Mas tem mais…
A seguir, veja uma lista de características de carros e costumes no trânsito dos anos 70, 80 e do começo dos anos 90 que dificilmente vão se repetir (ainda bem).
Como era viajar de carro nas décadas de 70, 80 e início dos anos 90
10 coisas dos automóveis e hábitos rodoviários que ficaram no passado
1. Puxar o ar
Hoje, para dar partida, seu pai só aperta um botão, certo? Pois é - só que, quando ele tinha a sua idade, não era tão simples. Existia uma chave de ignição que precisava ser girada e também um botão do afogador (“o ar”) que era puxado. Esse comando acionava um cabo que ia até uma peça chamada carburador. Era preciso ter alguma habilidade para o motor pegar. O que hoje é automático, naquela época podia virar um verdadeiro tormento.
2. Os carros afogavam
É bem provável que seu avô já tenha ficado na mão algumas vezes por não seguir à risca o ritual de partida descrito acima. Sem eletrônica para controlar a mistura de ar e combustível, os carros antigos, volta e meia, encharcavam as velas com gasolina e o motor não pegava. O resultado? Esperar o combustível evaporar - ou então “queimar” as velas com um isqueiro (algo mais comum em motonetas e motos).
Como se dizia naquele tempo… carro tinha “manha”.
3. Os vidros abriam com manivela
Botão? Que botão? Para baixar e subir os vidros, era na base da manivela. Descer era tranquilo; levantar, nem tanto…
4. Ar-condicionado era coisa de “gente rica”
Ar-condicionado era raro na maioria dos carros e, quando existia, costumava aparecer só nas versões mais caras. Nos dias de calor, a solução era apelar para o esquema dos vidros com manivela para tentar aliviar a cabine.
5. Não havia cintos nos bancos traseiros
Muitas viagens aconteciam com a criança instalada no meio, com o bumbum na beirada do banco e as mãos presas nos encostos da frente. Cinto? Era quase piada. Além de o uso não ser obrigatório, em vários carros nem havia cinto disponível.
Quem tem irmãos sabe bem como era disputado aquele lugar tão desejado…
6. Os postos de gasolina cheiravam a… gasolina!
Na época em que o país ainda não era cortado de ponta a ponta por rodovias duplicadas sem fim, os trajetos eram feitos pelas estradas nacionais cheias de curvas. Enjoo era frequente, e o “remédio” mais comum era parar num posto de gasolina. Por algum motivo que o Google certamente consegue explicar, o cheiro da gasolina ajudava a aliviar. Só que, hoje, os postos já não têm esse cheiro, por causa da modernização dos sistemas de abastecimento.
7. Ajudas eletrônicas… o quê?
Ajudas eletrônicas? A “ajuda” mais avançada, muitas vezes, era a sintonia automática do rádio. Anjos da guarda como ESP e ABS ainda não tinham sido inventados pelos “deuses da eletrônica”. Infelizmente…
8. O entretenimento era usar a imaginação
Fazer viagens com mais de seis horas de duração era algo relativamente normal. Sem celular, tablets e centrais multimídia no carro, a diversão vinha de inventar brincadeiras com as matrículas do carro da frente ou de provocar o irmão mais novo. Às vezes, as duas coisas ao mesmo tempo…
9. O GPS era de papel
A voz da “senhora simpática” que interrompe o rádio não saía dos alto-falantes - vinha da boca da nossa mãe. GPS era tecnologia restrita às forças militares, e quem quisesse se aventurar por lugares desconhecidos precisava confiar num pedaço de papel chamado “mapa”.
10. Viajar era uma aventura
Por tudo isso (e por outros detalhes), pegar estrada era, de verdade, uma aventura. As histórias apareciam quilômetro após quilômetro, numa viagem que não era cortada pelos sons dos viciantes aparelhos eletrônicos. Éramos nós, nossos pais, o carro e a estrada.
Quem hoje tem algo entre 30 e 50 anos - mais ou menos isso… - entende perfeitamente o quanto o automóvel mudou nas últimas décadas. Nós, gerações de 70 e 80, crescemos vivendo dentro dos carros situações que nenhuma outra geração vai experimentar. Talvez por isso a gente tenha o dever de contar como era. Nessas férias de verão que estão chegando rápido, desliguem os aparelhos eletrônicos e conversem com eles sobre aquele tempo. Eles vão gostar de ouvir, e nós vamos gostar de contar…
Ainda bem que hoje é tudo diferente. E melhor.
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